Petição pede castração gratuita de animais
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Petição pede castração gratuita de animais

Defensores entregaram documento com assinaturas à Prefeitura solicitando um programa de controle

04/10/2013 - 09h22 - Atualizado em 04/10/2013 - 09h27 | Patrícia Azevedo
patricia.azevedo@rac.com.br

Foto: Dominique Torquato/AAN
Cães em rua no distrito de Sousas: entidade estima que existam entre 60 e 80 mil animais que precisam ser castrados, sendo 15 mil abandonados
Cães em rua no distrito de Sousas: entidade estima que existam entre 60 e 80 mil animais que precisam ser castrados, sendo 15 mil abandonados

Defensores dos animais entregaram esta semana ao prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), uma petição com 5 mil assinaturas solicitando a implantação, no município, de um programa de castração destinado a animais de rua. O pedido é uma reivindicação antiga das entidades protetoras, que solicitam a implantação de uma política de proteção animal na cidade.

O presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais, Flávio Lamas, disse que apesar de o novo governo ter sinalizado com a construção de uma política pública, nada saiu do papel. O Departamento de Bem-Estar Animal, responsável pela construção de uma política pública sobre o assunto, ainda não foi criado por causa de trâmites burocráticos e jurídicos.

“A prioridade é a castração porque você para de enxugar gelo. Pelos nossos cálculos, Campinas precisa castrar entre 60 e 80 mil animais, incluindo os 15 mil que estão abandonados nas ruas e os pertencentes à população de baixa renda”, disse Lamas.

O pedido entregue à Prefeitura sugere ainda a implantação de um projeto que visa à castração de animais para a população de baixa renda. Ambas as medidas são necessárias para controlar a população de rua em Campinas. Estimativa feita pelo Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais aponta que existem cerca de 15 mil animais nas ruas.

Uma das entidades que encabeçam a luta em defesa animal na cidade é o Grupo de Apoio ao Animal de Rua (Gaar). Segundo os defensores, a medida é economicamente viável. “A Prefeitura tem estrutura para implantar o programa, só não faz porque não quer”, afirmou Lamas, presidente do Conselho.

Segundo ele um programa popular de castração poderia ser conduzido pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). “O pessoal que trabalha no CCZ poderia fazer cinco castrações por dia. Seriam 960 castrações ao ano, não é o ideal, mas é algo palpável”, ponderou.
Lamas disse que cuidar do bem-estar animal é uma questão de saúde pública e reforça que as taxas de crescimento da população animal são muito superiores às humana. “A população da cidade de São Paulo cresceu 3,7% em 2012. A canina cresceu 62% e a felina, 159%”, enumerou.

Prefeitura

O veterinário Paulo Anselmo Nunes Felipe, responsável pela implantação do Departamento de Bem-Estar Animal, informou que o projeto de lei que cria o departamento será submetido à votação na Câmara até o final do mês e que a expectativa é de que seja oficialmente criado até o fim do ano. “O custeio do departamento está previsto no Orçamento.”

Ele disse que entre as ações que serão implantadas estão a castração e a identificação dos animais por meio de microchips. “Planejamentos castrar pelo menos 2,5 mil animais por ano”, afirmou.

Segundo o veterinário, as cirurgias serão feitas no CCZ e também em clínicas conveniadas. Para tanto, deve ser feita uma readequação nas dependências do Centro de Zoonoses, que irá passar por ampla reforma até o final desta gestão.

Exemplo

Na Região Metropolitana de Campinas (RMC), a Prefeitura de Nova Odessa desenvolve um Programa de Castração Gratuita de cães e gatos. No primeiro semestre de 2013, cerca de 230 animais já foram castrados. A iniciativa deve beneficiar inicialmente 500 animais de estimação. No total serão castrados e microchipados 350 cães e 150 gatos.

O procedimento da castração consiste em uma cirurgia com anestesia geral feita em cães e gatos, fêmeas e machos, para impedir que se reproduzam sem controle. Nas fêmeas, são retirados o útero, trompas e ovários. Nos machos, se extraem os testículos. O animal não precisa ficar internado e, em torno de uma semana, estará totalmente recuperado.

Em Nova Odessa, além da castração, os bichanos recebem um microchip para identificação eletrônica, o que permite o controle das vacinas aplicadas e também a identificação de cada animal e seu respectivo dono.



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