Publicado 11 de Maio de 2013 - 13h01

Praça José Antonio M. Sansano, que fica na Avenida Theodureto de Almeida Camargo, em Campinas: troca de grama

Edu Fortes/AAN

Praça José Antonio M. Sansano, que fica na Avenida Theodureto de Almeida Camargo, em Campinas: troca de grama

A troca de gramado das praças públicas e canteiros centrais em alguns bairros de Campinas pela Prefeitura tem levantado questionamentos de moradores da cidade e também de especialistas consultados pelo Correio. A principal delas é quanto à necessidade da troca da grama antiga por uma nova em uma época que não é adequada para esse tipo de trabalho, devido ao período seco (Outono-Inverno). Segundo técnicos, a manutenção da nova vegetação necessitará de rega constante.

 

Desde o mês de março, funcionários da administração municipal e reeducandos trabalham na retirada dessa vegetação de praças e principalmente dos canteiros centrais de vias. A mudança começou a ser feita no início do mês na Avenida Theodoreto de Almeida Camargo, na Vila Nova. O trabalho se estende ao longo de toda via. O mesmo está acontecendo no balão de entrada ao distrito de Barão Geraldo, na Avenida Albino José Barbosa de Oliveira. Nos locais estão sendo colocadas gramas do tipo esmeralda. Antes, o modelo utilizado era a chamada batatais.

A explicação da Secretaria de Serviços Públicos, responsável pelo trabalho, é que os gramados da cidade foram tomados por uma praga que costuma aparecer em grama do tipo batatais. E, como nada foi feito para combatê-la, nos últimos anos a praga teria ocupado todo o espaço da antiga grama como uma forragem (leia texto nessa página).

O metro quadrado da nova grama que está sendo instalada nos jardins custa R$ 6,00. Até agora foram colocados 50 mil metros de grama, ou seja, o custo chegou a R$ 300 mil. Segundo a secretaria, a quantidade representa apenas 5% do total de grama que a pasta pretende trocar no município nos próximos quatro anos.

“Acredito que até tenha motivo para troca, mas agora não é uma época apropriada. Demanda muita mão de obra com a rega, além de cuidado. Imagina o gasto que isso não está gerando. Acho que a cidade precisa dessa manutenção em outros pontos, em outras áreas que não possuem gramados”, afirmou o engenheiro agrícola e pesquisador científico do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) José Eduardo de Arruda Bertoni.

O pesquisador afirmou que o tipo de grama que está sendo instalado gera menor trabalho após sua implantação, mas o correto seria fazer a mudança no período de chuvas. “Corre o risco de até não vingar. Ela precisa de irrigação todos os dias. A Prefeitura não deveria fazer essa mudança nesse momento. Parece falta de planejamento e que gera um custo alto.”

O especialista em recursos naturais, restauração florestal e arborização urbana e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Ivan Alvarez também acredita que o trabalho está sendo realizado em um período errado e em pontos que não têm necessidade de mudança nesse momento. “É no mínimo questionável. Pode até ter praga, mas não ficou até agora?

O trabalho deveria ser feito no período correto. Colocaram a grama esmeralda no canteiro da Avenida Papa Pio XXII, no Jardim Chapadão. E ela está lá estragando. Está seca. Deveriam fazer esse trabalho em pontos da cidade que mais precisam, como áreas mais afastadas, que têm pouco verde”, disse.

Plantio incorreto

Outra crítica feita pelos especialistas é quanto ao plantio de mudas nesses pontos. Segundo eles, o Departamento de Parques e Jardins (DPJ), que pertence à pasta de Serviços Públicos, tem feito o plantio de mudas muito novas nas praças e canteiros do município. “Vejo mudas de árvores com 50 centímetros de altura sendo plantadas. Elas deveriam ser plantadas com no mínimo um metro e meio. Isso está no Guia de Arborização Urbana de Campinas (Gauc)”, disse Bertoni.

Ele explicou que quando as mudas são plantadas do tamanho inferior ao correto, elas podem sofrer interferência que afeta diretamente em seu crescimento e desenvolvimento. “É muito comum, crianças ou até mesmo adultos passarem do lado de uma árvore e puxarem o galho. Isso interfere diretamente em teu crescimento. Campinas tem muitas árvores que sofreram com isso. Elas ficam baixas e com galhos por todos os lados”, explicou o agrônomo.

Bertoni afirmou que as mudas pequenas precisam de poda regulares e de forma conduzida. “O que dá mais trabalho ainda. Porque é necessário fazer uma poda certa e regularmente para que ela se desenvolva corretamente. Não é isso que vemos”, alegou.

O pesquisador da Embrapa lembrou que os locais onde as mudas estão sendo plantadas já possuem grande quantidade de árvores. “A região da Nova Campinas, Vila Brandina, Notre Dame e Parque Ecológico receberam as mudas pequenas, mas é uma área arborizada da cidade. Agora, os bairros mais periféricos não receberam nada.”

Outro problema levantado pelo pesquisador é relacionado a poda de árvores na cidade. “Além da grande quantidade que é preciso fazer, ela é feita de forma errada. Eles podam no meio do galho. Não existe isso. O certo é fazer rente ao tronco. Quando corta o galho, outros nasceram e rapidamente naquele ponto”, disse.

O casal Ricardo Oliveira e Sueli Broto afirmou que costuma passar diariamente pela Avenida Dr. Theodoreto de Almeida Camargo para ir ao trabalho e assustou com o trabalho sendo feito no local. “Outro dia caminhei com meu cachorro pela grama, ela estava alta, mas não acredito que tinha necessidade de trocar tudo”, afirmou Oliveira. “Me parece desperdício de dinheiro. Tem tantos locais mais necessitados. Queria entender por que razão?”, afirmou a mulher.