Publicado 21 de Fevereiro de 2013 - 8h05

Amarelinho dá orientações em meio ao trânsito carregado em via de acesso à Unip: reclamações

Leandro Ferreira/AAN

Amarelinho dá orientações em meio ao trânsito carregado em via de acesso à Unip: reclamações

“É uma situação desesperadora estar a poucos metros de casa e ficar parado num congestionamento de uma hora.” O relato do gerente de projetos Tiago Blumel se refere ao trânsito caótico que atinge diariamente os moradores do bairro Swift, nos arredores da Universidade Paulista (Unip). Quem mora nos prédios da Rua Engenheiro Augusto de Figueiredo não consegue entrar ou sair de casa entre as 19h00 e 20h30 sem enfrentar congestionamento. “Forma fila no estacionamento (subterrâneo) do prédio para poder sair. Muitas vezes eu desisto e volto para casa.”

Segundo os moradores do bairro, o trânsito nas imediações sempre foi complicado por causa do grande volume de estudantes, mas a situação piorou após a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) implementar uma série de mudanças viárias. “Antes a gente conseguia evitar pegar o trânsito da Unip para entrar no prédio. Agora para chegar à Unip os motoristas têm que passar pela nossa rua. São congestionamentos que chegam a durar mais de uma hora”, diz Hilda Maria Almeida.

Na segunda-feira, a pedagoga Ariane Soares Milagres viveu uma situação de desespero com o seu filho de quatro anos no carro. “Meu filho tem diabetes e precisa comer em horários certos. Todas as minhas atividades são programadas para chegar em casa às 19h e dar o jantar dele. Segunda eu fiquei uma hora e dez minutos parada no trânsito. Uma hora tive que parar o carro no meio da rua porque não havia lugar para estacionar para fazer o teste de glicemia na rua”, conta.

Passam pelas imediações da Unip, segundo a Emdec, cerca de 34 mil veículos. As vias mais afetadas pelo tráfego são a Rua Engenheiro Augusto de Figueiredo, Rua Abolição, Avenida Jorge Tibiriçá, Avenida Comendador Enzo Ferrari e a Rua Serafim Piazon. Os moradores do bairro se organizaram e se reuniram com o ex-prefeito Pedro Serafim (PDT) para pedir que as mudanças viárias fossem desfeitas. “Mudou o governo e a negociação não foi para frente. Os moradores se organizaram e fizeram um abaixo-assinado. O documento foi protocolado na Emdec. Se voltar a ser como era, estamos contentes. Porque quando não tem aulas, a situação fica super boa. O problema é que não tem lugar para todo mundo estacionar”, comenta a comerciante Creusa Bernardes da Silva.

E a situação no local vai piorar ainda mais quando todas as 17 torres de prédios situadas ao lado da Unip estiverem totalmente ocupadas. “Se eles aprovaram os empreendimentos, deveriam ter feito um estudo do impacto que isso iria provocar. Quem comprou e paga suas contas não pode arcar com esses custos”, afirma Hilda.

Gargalo

A Emdec reconhece que esse é um dos grandes gargalos no trânsito de Campinas e diz que as intervenções feitas no local foram insuficientes para sanar o problema. As obras foram acordadas entre a gestão anterior, a Emdec e a construtora responsável pelas obras que criaram 800 novas apartamentos nas imediações. “Se você imaginar que são dois carros por apartamento teremos mais 1,6 mil veículos circulando. A isso se soma os mais de 3.460 carros da faculdade. É preciso fazer uma série de intervenções no local que vão além de criar vagas de estacionamento. É preciso mudar a estrutura viária para dar fluidez a esses e aos outros veículos que usam a região”, afirmou o secretário de Transporte, Sérgio Benassi.

Segundo o secretário, o corpo técnico da Emdec está estudando as medidas que devem ser feitas para resolver esse gargalo no trânsito e afirmou que irá retomar a negociação com a Unip e a construtora responsável pelos empreendimentos inaugurados no final do ano. “Vamos negociar com eles porque é preciso adotar medidas para resolver um gargalo provocado pela demanda gerada pela faculdade e os novos prédios.”