Publicado 04 de Maio de 2021 - 5h30

É comum afirmar que existem muitos Brasis dentro do Brasil. Seja por sua longa extensão territorial ou pela forte mistura cultural, o país conta com diversas peculiaridades em cada região. A série da Globo Cine Holliúdy, que estreia na próxima terça, dia 7, foge do tradicional eixo Rio-São Paulo e apresenta o característico humor regional do Ceará e, por consequência, do Nordeste. A produção carrega a cultura e o forte sotaque para o horário nobre da emissora. “Acho que o público vai se identificar muito com essa série porque ela é muito brasileira. Ela tem um colorido diferente. A gente resgatou um pouco essa coisa do regional urbano nas séries”, afirma Marcio Wilson, que assina o roteiro da série ao lado de Claudio Paiva. Tendo uma fictícia cidade do Ceará como cenário principal, Cine Holliúdy tem como referências antigos projetos de sucesso, como O Bem-Amado, O Auto da Compadecida e Lisbela e o Prisioneiro. “Acredito que a Patrícia Pedrosa (diretora) é uma discípula do Guel (Arraes). E isso é bacana porque esse projeto tem muito dele. Nós escrevemos juntos o roteiro do filme O Bem-Amado, então, conheço bem o estilo dele”, ressalta Claudio.

A trama de Cine Holliúdy é baseada no longa-metragem homônimo escrito e dirigido por Halder Gomes. O cineasta, inclusive, integra a equipe de diretores da série, sendo sua primeira incursão na tevê. Durante a pré-produção, Halder acompanhou o processo de adaptação do roteiro original para a televisão e palpitou no que achou necessário. “No início das conversas, eu sugeri que cada episódio pudesse dialogar com o gênero de cinema. Quando chegaram os primeiros roteiros, desacreditei no quão bons eles eram. Eu nunca recebi algo que eu lesse e visse que estava realmente pronto. Só precisava ajustar algumas palavras, pois tem uma coisa muito particular que só sendo local mesmo para saber como usar. Mas estava tudo tão armado que dava para ir para o set na hora”, valoriza.

Ambientado na fictícia Pitombas, Cine Holliúdy apresenta uma história inédita e independente do filme. A produção narra a trajetória de Francisgleydisson, papel de Edmilson Filho. Francis é dono da única atração cultural da cidade: o Cine Holliúdy. No entanto, ele vê o faturamento da bilheteria cair quando o prefeito Olegário, de Matheus Nachtergaele, coloca um aparelho de tevê em plena praça pública. Com isso, o povo desvia sua atenção para as novelas. “A série fala desse embate entre tevê e cinema nos anos 1970, e hoje, 40 anos depois, sabemos que não só o cinema sobreviveu como coexiste com a tevê e muitas outras plataformas”, afirma Edmilson. Para reverter a situação, Francis se desdobra para tornar seu cinema mais atrativo. Já que o povo não quer mais saber dos filmes estrangeiros, ele decide produzir suas próprias obras. Tudo sem planejamento, roteiro ou falas, na base do improviso. Todos os gêneros são abordados. Ficção cientifica, terror, ação, faroeste e até filmes de luta fazem parte das histórias que Francis cria. “O que move um personagem como o Olegário são os interesses próprios, os interesses particulares. Como a gente está em uma comédia bufa, farsesca, isso é levado ao extremo do hilário. As características do querer tudo para si se transformam em um egoísmo quase infantil, em narcisismo, em ignorância. É uma crítica social política de um jeito que só a comédia pode fazer”, explica Nachtergaele.

A pequena Areias, município do interior de São Paulo com menos de 4 mil habitantes, foi a responsável por abrigar elenco e equipe durante os três meses de gravações. A equipe de cenografia e produção de arte trabalhou para transformar a cidade na fictícia Pitombas de 1970. A série teve ainda quase duas semanas de gravações em São Paulo, onde foram produzidas as cenas internas do cinema, e quatro dias de trabalho em Quixadá, no Ceará, para a gravação de sequências em estradas. (Da TV Press)