Publicado 01 de Maio de 2021 - 5h30

Resultado de um projeto de extensão comunitária, o Instituto de Artes da Unicamp, em parceria com o Ateliê TRANSmoras e Coletivo Onírico de Teatro, estreia neste sábado, na Praça da Comunidade Menino Chorão, no Jardim Columbia, o espetáculo Arco-Irys Preto & Branco, peça teatral como foco na temática LGBTQIA+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transsexuais, Queer, Intersexo, Assexuais/Aliados).

A obra surgiu de uma oficina/montagem teatral com alunos e não alunos da universidade. Baseado em improvisações criadas pelos participantes, o espetáculo se desenvolve em um fictício estúdio de televisão onde signos que compõem o imaginário do show business são revisitados para promover uma discussão sobre diversidade, identidade de gênero e sobre a cultura LGBTQIA+. Inspirado nas linguagens do teatro de revista, teatro jornal, teatro épico, performances-palestras, entre outros, a peça experimenta uma linguagem popular e didática para discutir o limite entre o real e o ficcional acerca da população que, embora associada ao arco-íris, nem sempre têm uma vida tão colorida assim.

“Esse projeto é importante não só por promover o intercambio entre universidade e comunidade, numa perspectiva de troca de conhecimento, mas também por discutir um assunto que está muito em voga. Nunca se falou tanto sobre o universo gay, lésbico e transexual, como hoje. Essas questões estão na televisão, na internet, na politica, na arte. Para falar sobre esse assunto tão polêmico e tão complexo, o espetáculo se inspirou bastante em Bertold Brecht e Augusto Boal enquanto estética de cena, para confrontar todos esses pontos”, afirma Henrique Dutra, pesquisador da Unicamp e diretor do espetáculo.

Os figurinos são assinados pela estilista Vicente Perrota, que também coordena o Ateliê TRANSmoras, um espaço destinado a fortalecer a comunidade trans de Campinas e região. O carro-chefe do ateliê é o oferecimento de cursos e oficinas de corte, costura, modelagem, criação e percepção na produção da moda com ênfase em reaproveitamento de materiais têxteis.

“Os figurinos foram feitos através de upcycling que é um processo de criar algo novo e melhor a partir do lixo ou de itens antigos ou descartados. A ideia é ressignificar essas roupas, assim como ressignificar o discurso sobre a população LGBTQIA+”, diz Vicente Perrota.

Segundo Dutra, a narrativa da peça passa por assuntos como vivências de aceitação, pink money (poder de compra da comunidade LGBT), afetos, amores, agressão e preconceito. Ao todo são 20 atores em cena que interpretam, cantam e tocam as músicas ao vivo. Todas as apresentações são gratuitas. (Da Agência Anhanguera)