Publicado 16 de Maio de 2021 - 16h35

Por Correio Popular

Editorial - Correio Popular

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Arthur Badan Lionel Soares, 62 anos, começou a trabalhar cedo, primeiro na relojoaria do avô, que funcionava no centro de Campinas, onde aprendeu o ofício de consertar jóias e relógios. Se apaixonou pela ourivesaria, mas logo teve que procurar outra ocupação mais rentável para poder se casar. Conquistou o cargo de gerente em uma loja de produtos hospitalares. Com a experiência adquirida, montou o próprio negócio.

Tudo parecia correr bem até que, um dia, perdeu a visão em decorrência da diabetes. Desde então, sua vida virou de ponta cabeça. Teve que reaprender a viver. Reaprender a ficar de pé, a fazer a barba, a tomar banho, escovar os dentes, absolutamente tudo. A experiência de alguém que se tornou deficiente visual há 20 anos está na entrevista exclusiva, concedida por Soares, e publicada na edição de hoje do nosso jornal.

Com palavras sinceras e uma análise verdadeira de quem enfrenta o problema diariamente, Soares mostra aos leitores o que é ser deficiente visual em uma cidade como Campinas, ainda precária em acessibilidade, tanto em ruas, praças, calçadas e avenidas, como no interior de edifícios públicos e privados de uso coletivo.

Segundo informações do IBGE de 2010, Campinas possui uma população de aproximadamente 305 mil pessoas com algum tipo de deficiência. Dessas, 30 mil são deficientes visuais e outros 63 mil são portadores de algum tipo de deficiência física ou com mobilidade reduzida. A lei federal que estabelece regras para a questão da acessibilidade no país, é a 13.146 de 6 de julho de 2015, a chamada Lei Brasileira de Inclusão (LBI).

Para tornar Campinas mais acessível às pessoas com deficiência, é preciso retirar os obstáculos que impedem a livre circulação nas calçadas, deixando-as conservadas, limpas, com rampas de acesso para cadeirantes nas esquinas e, se possível, sinalizadas com piso tátil, que são faixas em alto-relevo fixadas no chão para fornecer auxílio na locomoção pessoal de deficientes visuais.

Na entrevista, Soares faz um apelo para que as pessoas procurem se colocar no lugar daquelas desprovidas de visão física, para poder entender um pouco as dificuldades que um deficiente visual enfrenta no dia a dia em uma cidade como Campinas. O direito de ir e vir é consagrado pela Constituição. E como tal, precisa valer para todos. E a acessibilidade é que vai garantir às pessoas com deficiência o exercício desse direito fundamental, sem depender da ajuda de outras pessoas.

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