Publicado 14 de Maio de 2021 - 11h10

Por Correio Popular

Depois de chamar os holofotes midiáticos para anunciar com o habitual estardalhaço de sempre mais uma operação, a Polícia Federal de Campinas, estranhamente, resolveu estabelecer um sigilo absoluto e um silêncio inquietante sobre a chamada Operação Black Flag, que apura supostos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e de lavagem de dinheiro da ordem de R$ 2,5 bilhões.

A incompreensível imposição de sigilo nas operações, por parte da Polícia Federal, após o estardalhaço inicial da divulgação, gerou uma onda de especulações, boatos, notícias falsas e de fake news, recheadas com as mais inventivas e maldosas interpretações, a lançar dúvida e a sombra nefasta de nuvens da desconfiança sobre nomes de pessoas, de empresas e de organizações na cidade. Agindo dessa forma, a PF abriu as portas para que muitas empresas de Campinas sejam afetadas por essas notícias falsas.

A operação foi deflagrada na manhã de terça-feira, dia 11 de maio, e divulgada em toda a imprensa, inclusive no Correio Popular. Segundo a reportagem, publicada na edição de quarta-feira, 12, a investigação da PF resultou em 15 mandados de prisão e 70 de busca e apreensão, expedidos pela Primeira Vara Federal. Iniciada há dois anos, a operação contou com a participação da Receita Federal e do Ministério Público Federal.

A Polícia Federal é um órgão de extrema importância no contexto da República. Como bem define a Constituição, ela defende o Estado, e não um governo, seja lá qual for. Sua atuação é reconhecida pela sociedade. De 2013 para cá, multiplicou em mais de 50 vezes o número de operações por todo o país, no combate ao crime organizado, tráfico de drogas, corrupção, crimes contra a ordem econômica, e por aí vai.

No entanto, no caso da operação Black Flag, depois do estardalhaço inicial na divulgação da operação, a decisão de estabelecer um silêncio total sobre o assunto é um equívoco irreparável. Se a operação é sigilosa por imposição da lei ou do próprio rito da investigação, por qual motivo decidiu chamar os holofotes da mídia na terça-feira para lançar a operação?

Segundo a própria PF, a origem dos recursos está em um sistêmico processo de fraude pública, por meio de contrato com uma agência de fomento econômico estatal, a Desenvolve SP - Agência de Fomento Paulista, e outro com a Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 73 milhões em 2011. Tratam-se de recursos públicos que estariam sendo desviados de sua finalidade e que precisam ser esclarecidos. A quem interessa esconder os fatos depois de divulgada a Operação?

Escrito por:

Correio Popular