Publicado 13 de Maio de 2021 - 10h11

Por Correio Popular

Criada em 2 de agosto de 2010, a Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde, que ficou popularmente conhecida pela sigla (CROSS), surgiu com o ambicioso objetivo de acabar com a degradante cena de pacientes amontoados em corredores de hospitais públicos e a longa espera pela realização de exames clínicos. O serviço foi lançado para dar efetividade à portaria 1.559/2008, do Ministério da Saúde, que instituiu a Política Nacional de Regulação do Sistema Único de Saúde (SUS). A finalidade principal dessa portaria é garantir a adequada prestação de serviços de saúde à população.

Com estrutura e meta definidos, foi sancionada uma lei estadual, em 2016, que autoriza as unidades básicas de saúde de municípios com mais de 100 mil habitantes a ofertarem aos pacientes o agendamento de consultas e exames laboratoriais pelo sistema CROSS. A lei ainda determina que a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo se encarregue de treinar e capacitar os servidores das unidades de atendimento para operar o sistema e atender aos usuários de forma rápida e segura.

Sem dúvida, foi um importante avanço na oferta de um serviço público de saúde de qualidade aos cidadãos. Porém, matéria publicada na edição de hoje do nosso jornal, traz uma demanda local que se mostra absolutamente necessária e legítima: a implantação de uma unidade regional do CROSS em Campinas. Atualmente, muitos pacientes acabam transferidos para São Paulo, com vagas sobrando em hospitais privados conveniados ao SUS na cidade. Casos assim são comuns, segundo parlamentares que acompanham o assunto.

Mais do que números e estatísticas, é preciso mostrar experiências de pessoas que sofreram na pele o problema. É o caso da personagem real da reportagem, uma advogada campineira, que contou o drama que ela e sua família enfrentaram com duas internações na capital paulista, de parentes vítimas da covid, transferidos pelo sistema CROSS. Na matéria, ela revela a agonia de seus pares, que poderia ter sido evitada se houvesse uma unidade descentralizada do serviço operando em Campinas.

O CROSS foi um avanço indiscutível. Mas agora é preciso aperfeiçoar o sistema e expandir sua base para fora da capital. Uma região metropolitana como a de Campinas, com quase quatro milhões de habitantes, merece ter a sua própria unidade de regulagem de oferta de serviços de saúde. Uma justa reivindicação, que merece todo o nosso apoio.

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