Publicado 11 de Maio de 2021 - 15h01

Por Correio Popular

O investimento em pesquisa científica constitui um postulado inexorável no desenvolvimento social, cultural e econômico de um país. Foi por meio do conhecimento acumulado em séculos que as nações mais ricas do planeta conquistaram territórios, mercados, poder político, econômico e qualidade de vida aos seus cidadãos. Para o bem ou para o mal, foi mediante pesquisas conduzidas por mentes brilhantes que a humanidade experimentou os mais extraordinários avanços nas áreas das ciências exatas, biológicas e humanas.

Da penicilina à internet, as grandes invenções ou descobertas têm o poder de mudar a vida de milhões de pessoas. São capazes de alterar rotas migratórias, prolongar o tempo médio de vida, curar doenças, prevenir outras, aumentar a oferta de alimentos, facilitar a locomoção e resolver problemas quase insolúveis. Mas também podem provocar dor e sofrimento.

Países que não valorizam o conhecimento científico, e não investem em pesquisa e desenvolvimento acabam dominados. Pagam mais caro por bens e serviços e possuem um grau de dependência externa maior. O Brasil sempre foi dotado de pesquisadores e cientistas de capacidade técnica e conhecimento irretocáveis e reconhecidos internacionalmente. Porém, a falta crônica de investimento em pesquisa e desenvolvimento é um gargalo que persiste no tempo.

No domingo, nosso jornal publicou uma entrevista exclusiva com o diretor do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), Antônio José Roque da Silva, que abordou o problema do corte de orçamento que prejudica o desenvolvimento de mais de 40 pesquisas, uma delas o Sirius, um acelerador de partículas com potencial de descobrir a cura de doenças graves, como a covid-19, por exemplo. Mas, para isso, é preciso investimento. Em tempo algum, a pesquisa científica brasileira recebeu aportes de recursos públicos ou privados em percentuais em relação ao PIB recomendados pela comunidade internacional. Desde 2015, o gráfico de investimento no setor segue em curva descendente.

Chefiando o projeto Sirius desde 2009, Roque da Silva, mestre em física pela Universidade de Berkley (EUA), resume bem a situação ao compará-la a uma fábula infantil bastante popular: a história da cigarra e da formiga. Se você não consegue guardar algo, o seu futuro estará comprometido quando o inverno chegar. Do mesmo modo, a falta de investimento hoje na ciência compromete o futuro dos jovens. É preciso quebrar esse paradigma.

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