Publicado 15 de Maio de 2021 - 16h22

Por Edson Silva/Correio Popular

Porsche e um Mercedes Benz esportivo, em nome de uma das empresas de um dos suspeitos, estavam em uma concessionária da cidadde de Araras

Divulgação/ Polícia Federal

Porsche e um Mercedes Benz esportivo, em nome de uma das empresas de um dos suspeitos, estavam em uma concessionária da cidadde de Araras

Mais um dos investigados da Operação Black Flag foi preso em flagrante ontem na sede da Polícia Federal de Campinas ao apresentar documento falso. O acusado não teve o nome divulgado pela PF, considerando-se que as operações da PF seguem rígidos protocolos e normativos, que vetam a divulgação de nomes de pessoas físicas ou jurídicas envolvidas em investigações.

Segundo informações, o investigado que foi preso em flagrante era o responsável pela produção de documentos falsos para uma organização criminosa e apresentou Carteira Nacional de Habilitação (CNH) falsa durante seu interrogatório, resultando na sua prisão.

Também ontem, segundo a PF, mais dois veículos de luxo (uma Porsche e um Mercedes Benz esportivo) foram encontrados em uma concessionária na cidade de Araras, em nome de uma das empresas de um dos investigados. Os automóveis foram apreendidos e recolhidos a sede da PF de Campinas.

Segundo a Polícia Federal, a Operação Black Flag foi deflagrada na última terça-feira para apurar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, contra a Ordem Tributária e de lavagem de dinheiro.

Com a instauração do inquérito policial e o avanço das investigações durante pelo menos dois anos, descobriu-se uma complexa rede de pessoas físicas e jurídicas fictícias que chegou a movimentar, desde 2011, 2,5 bilhões de reais em operações financeiras, tendo como único objetivo sustentar os integrantes de organização criminosa, mediante a aquisição de veículos de luxo, imóveis, lancha no valor de 5 milhões de reais e até ao patrocínio de esporte automobilístico.

[INTERTITULO]Ministério Público

[/INTERTITULO]Segundo informações atribuídas ao Ministério Público Federal (MPF), alguns dos integrantes da organização criminosa levavam vida de luxo, comparada à de personagens de filmes do cinema, dispondo de carros importados, jóias, vinhos que custavam mais de R$ 8 mil a garrafa e até lancha de quase R$ 5 milhões.

Casas e estabelecimentos comerciais de alto padrão também faziam parte da boa vida levada pelos investigados. A PF encontrou com um suspeito R$ 1,2 milhão em dinheiro, diamantes e outras joias, cujos valores não foram divulgados.

A denúncia do MPF estaria num relatório de mais de 1.100 páginas, embasado após o cumprimento de 14 mandados de prisão (um investigado está foragido) e em 70 mandados de busca e apreensão em 10 cidades de quatro estados brasileiros. O relatório indica que o esquema começou em 2010, com um empréstimo solicitado no Desenvolve São Paulo, agência de fomento do estado, no valor de R$ 69 milhões.

No ano seguinte, a quadrilha conseguiu outro empréstimo, de R$ 2,5 milhões, desta vez na Caixa Econômica Federal. A representação do MPF suspeita que a quadrilha seja chefiada por Rodolfo Portilho Toni, empresário e piloto de Fórmula Porsche. A equipe dele tinha como patrocinadora a empresa New Energies, que atua no ramo de energia e é uma das investigadas no esquema.

Rodolfo aparece em foto ao lado do piloto e sócio João Paulo Escudeiro Mauro, também preso na operação. A empresa New Energies tem sede na capital paulista e possuía sala no condomínio de escritórios Spot Galleria, onde foram cumpridos mandados de busca pela PF.

A mulher de Rodolfo, a primeira do sexo feminino a correr na Fórmula Porsche, segundo o relatório do MPF, teria recebido mais de R$ 3 milhões no esquema entre 2010 e 2012.

O casal teria articulado aumento fictício do capital da empresa Lionfer, do ramo metalúrgico, sediada em Sumaré

O patrimônio da empresa teria passado de R$ 16 mil para R$ 2 milhões, demonstrando capacidade financeira de quitar os empréstimos nos bancos públicos. Ex-funcionários também eram usados como "testas de ferro" das empresas e até parentes de Rodolfo foram presos como suspeitos de participar do esquema.

De acordo com o relatório da investigação, para despistar a Receita foram criadas empresas fantasmas em regiões nobres de Campinas, como Jd. das Paineiras e Cambuí.

A investigação da Black Flag mostra também que o dinheiro fraudulento foi usado na criação de uma offshore (empresa aberta em territórios onde há menor tributação), identificada como Sandylon Investments, para ajudar reintroduzir o dinheiro enviado para fora do país.

O relatório do MPF aponta a participação de um contador e administrador de empresa como gestor de CPFs falsos para criar pessoas físicas e jurídicas fraudulentas.

As acusações da investigação envolvem crime contra o sistema financeiro, ordem tributária, lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Os itens apreendidos, incluindo carros de luxo, vão permanecer à disposição da Justiça e podem ser utilizados para quitar as dívidas da quadrilha.

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Edson Silva/Correio Popular