Publicado 15 de Maio de 2021 - 12h03

Por Erick Julio/Correio Popular

A agente Maria Aparecida Roscito orienta morador sobre os cuidados a serem tomados  para evitar que vasos de plantas se transformem em criadouros para o Aedes Aegypiti

Kamá Ribeiro/ Correio Popular

A agente Maria Aparecida Roscito orienta morador sobre os cuidados a serem tomados para evitar que vasos de plantas se transformem em criadouros para o Aedes Aegypiti

Após divulgar um alerta esta semana sobre o risco de transmissão de dengue em dez bairros de Campinas, a Secretaria Municipal de Saúde realizou uma ação de combate aos focos do mosquito Aedes aegypti no Jardim San Diego, na manhã de ontem. O alerta divulgado pela Prefeitura incluiu também os bairros Jardim Novo Campos Elíseos, Parque Vista Alegre, Jardim Telesp, Jardim Proença, Jardim Itatiaia, Vila Padre Anchieta, Núcleo Residencial Boa Vista, Vila Régio e Cidade Universitária II, no distrito de Barão Geraldo.

A secretaria explica que o trabalho de controle de dengue é permanente e sempre intensificado pelas equipes quando é registrado um caso suspeito ou confirmado de transmissão da doença ou da Chikungunya e Zika, que também são transmitidas pelo mosquito vetor. No caso do Jardim San Diego, a Prefeitura informou que há suspeita de um morador infectado pela Chikungunya. A ocorrência ainda está em análise.

"Quando há uma um aumento de casos suspeitos em uma área nova, o alerta é disparado, com o objetivo de mobilizar a população para redobrar os cuidados necessários em relação ao controle de criadouros do mosquito", explica a coordenadora do Programa de Arboviroses de Campinas, Heloísa Malavasi.

A ação de ontem teve início às 9h a partir do Centro de Saúde San Diego. Nove agentes percorreram as ruas do bairro para verificar a presença de focos do mosquito nos quintais das residências. Maria Aparecida Laina Roscito, 55, trabalha no controle das doenças e explica que é importante analisar cada detalhe das casas para não deixar passar nada e, assim, poder orientar os moradores.

"A gente analisa todas as possibilidades de acúmulo de água, principalmente, das chuvas. É ali que o mosquito vai depositar seus ovos. Orientamos os moradores para entenderem que qualquer objeto, até uma tampinha de garrafa, pode acumular água. Eu me lembro de que, em uma ação na Vila Padre Anchieta, entrei em uma casa na qual o quintal estava perfeito. A moradora contou que sempre deixava tudo organizado, mesmo assim encontramos larvas do mosquito em um pequeno ralo do quintal", revela.

O Correio Popular acompanhou a ação no Jardim San Diego, onde nenhum foco do mosquito foi encontrado. Apesar disso, os agentes precisaram orientar alguns moradores sobre recipientes que poderiam acumular água. O técnico em eletrônica Anderson Ferreira da Silva, 38, está fazendo uma obra de ampliação em sua casa, que fica na Rua Ruth Botelho Góes. Ele diz que o trabalho dos agentes é "importante e fundamental" para evitar as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

No quintal de Silva, no entanto, Maria Aparecida encontrou algumas pequenas garrafas de vidro vazias, sem tampa e viradas com a boca para cima, o que favorece o acúmulo de água. Silva admite que não teve atenção. "Eu realmente cometi um erro em deixar as garrafas viradas. Mas aprendi com a orientação dos agentes. Acho que se todo mundo fizer sua parte, nós conseguimos controlar a situação", aponta o técnico em eletrônica.

Na casa do supervisor de sinistro Gilmar de Araújo, 40, também na Ruth Botelho Góes, havia alguns pratos de vasos de plantas sem areia e latas de cerveja em cima de um balcão do quintal. A agente explicou que os pratos favorecem o acúmulo de água, seja da chuva ou após regar a planta. "O ideal nesse caso é colocar um pouco de areia ou utilizar o prato de ponta cabeça", ressalta Maria Aparecida. Araújo agradeceu a orientação da agente e disse que as latas eram recentes. "No caso das latinhas, elas não ficam muito tempo ali. Eu sempre as amasso e coloca em um saco fechado", conta.

Mosquito prefere criadouros artificiais

O mosquito Aedes aegypti é comumente encontrado em zonas urbanas. Por isso, o trabalho de controle foca nos quintais das residências. "Toda a área urbana é suscetível à incidência de casos de dengue. O mosquito tem hábito intra domiciliar, além de ter preferência pelos criadouros artificiais. A ocorrência dos casos está relacionada à circulação viral. Portanto, onde há pessoas, mosquitos e vírus, pode haver dengue", explica a coordenadora do Programa de Arboviroses de Campinas, Heloísa Malavasi.

Heloísa também revela que o trabalho de controle do mosquito seguiu de forma ininterrupta apesar da pandemia de covid-19. De acordo com ela, o isolamento levou muitos moradores a ficarem atentos com possíveis focos do Aedes aegypti.

"Em um primeiro momento, nossa percepção foi de que as pessoas, ficando mais tempo em suas casas, tiveram um cuidado maior com criadouros, como a limpeza e manutenção de calhas e caixas d'água, por exemplo. Porém, após mais de um ano de pandemia, observamos que parte da população volta a deixar de adotar os cuidados constantes e necessários em relação aos criadouros", destaca.

A dona de casa Lourdes Cassimiro, 70, conta que precisa lavar o seu quintal frequentemente por conta da poeira de obra vizinha. A moradora da Rua José de Barros de Souza diz que não deixa a água acumular e elogia o trabalho dos agentes. "Precisa ficar atento aos focos mesmo. Meu marido está doente e, com essa pandemia, a gente quer evitar ter que ir ao posto ou hospital. Então, precisamos ficar atentos com os casos de dengue também", diz.

A Secretaria de Saúde informou que Campinas contabiliza, este ano, com 800 casos de dengue, um de Chikungunya e nenhum de Zika. No ano passado, a cidade registrou 3.965 casos de dengue e nenhum de Chikungunya ou Zika. Em relação aos quatro primeiros meses deste ano, na comparação com o mesmo período de 2020, houve uma redução de 71% no número de pessoas com dengue. No ano passado, Campinas registrou 2.839 casos no primeiro quadrimestre. Ainda em 2020, uma pessoa morreu de dengue. Nenhuma morte causada pelas três doenças foi registrada este ano.

Apesar da redução, a coordenadora do Programa de Arboviroses de Campinas reforça a importância do trabalho de prevenção. "É essencial que as pessoas verifiquem seus quintais, vasos de plantas e outros possíveis criadouros, e nos ajudem no controle da doença em nossa cidade. É muito importante que a população assuma sua responsabilidade no controle dos criadouros", finaliza.

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Erick Julio/Correio Popular