Publicado 14 de Maio de 2021 - 12h57

Por Mariana Camba/Correio Popular

Trecho do Ribeirão Anhumas, nas proximidades da Avenida Orosimbo Maia, em Campinas, com baixa vazão: falta de chuvas acendeu o sinal de alerta nas cidades da RMC

Kamá Ribeiro/Correio Popular

Trecho do Ribeirão Anhumas, nas proximidades da Avenida Orosimbo Maia, em Campinas, com baixa vazão: falta de chuvas acendeu o sinal de alerta nas cidades da RMC

 

Embora a ameaça de crise hídrica esteja prevista apenas para 2022, segundo o Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) já enfrentam problemas com o abastecimento. Santo Antônio de Posse, por exemplo, decretou estado de atenção devido à falta de água e adotou o racionamento na última sexta-feira.

Em Hortolândia e Paulínia, o abastecimento também está demandando atenção, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Em Santo Antônio de Posse, o decreto de estado de atenção foi publicado no último dia 7. Como alternativa para evitar um colapso no abastecimento da população, a Administração adotou o racionamento para todos os bairros, entre às 6h e 18h, todos os dias. De acordo o diretor de Água e Esgoto da cidade, Elias Fernandes de Carvalho, a orientação do município é para que os moradores não desperdicem água.

Quem desrespeitar as recomendações de economia será advertido inicialmente. A reincidência acarretará multa.

Carvalho informou que neste ano a estiagem chegou mais cedo. Normalmente, o problema ocorre entre julho e agosto. O racionamento foi adotado para que o abastecimento não fosse interrompido, segundo o diretor. Há 12 reservatórios em Santo Antônio de Posse. Na situação atual, eles conseguiriam abastecer toda a cidade por apenas oito horas.

Para tentar melhorar a situação, o diretor informou que alguns lagos estão sendo limpos para ampliar a reserva de água. Além disso, a Prefeitura abriu licitação para a construção de cinco poços artesianos na cidade.

Santo Antônio de Posse é abastecida pelos córregos Benfica e Barreiro. Sem chuva, o volume de água dos mananciais diminuiu. "A situação é bastante preocupante, por isso a necessidade do racionamento", afirmou Carvalho. Segundo o diretor, para que o abastecimento volte ao normal na cidade, é necessário que chova durante um mês, pelo menos dois dias por semana, com precipitações de 30 milímetros cada.

De acordo com Carvalho, nesta primeira semana de racionamento, a Prefeitura está conscientizando os moradores através de carros de som, para que todos respeitem as medidas restritivas. As multas, para quem não cumprir com as determinações do município, devem ser aplicadas a partir de segunda-feira.

Nos últimos dois dias, 30 advertências foram registradas, segundo o diretor. "A ideia é que ninguém seja pego de surpresa, e que todos contribuam para a melhora deste período crítico. Mas se a população não ajudar, vamos tomar as medidas cabíveis", observou.

Quem for multado deverá pagar R$ 200, segundo a Prefeitura. Caso a infração persista, a segunda multa será mais cara, no valor de R$ 800. Se ainda assim o morador não adotar as determinações, uma terceira cobrança será feita no valor de R$ 1.600. Caso o munícipe não efetue o pagamento das penalidades em até trinta dias, a Administração informou que limitará o fornecimento de águas ao infrator.

Em Hortolândia e Paulínia, de acordo com a Sabesp, os mananciais de abastecimento estão com as vazões instáveis devido à estiagem. Para tentar solucionar o problema, a empresa de saneamento afirmou que está investindo em obras emergenciais de reforço e aumento da capacidade dos sistemas de captação. A Sabesp ressaltou que é "imprescindível" que a população colabore e economize água.

Dificuldades

Para a proprietária de um pet shop e moradora de Santo Antônio de Posse, Renata Toledo, o racionamento tem dificultado a rotina de trabalho, principalmente para o banho e tosa dos animais. "Eu moro nos fundos do pet shop. Para conseguir dar banho nos cachorros, tenho que recorrer à caixa d'água da minha casa", afirmou Renata.

Ela contou que, mesmo após a suspensão diária do racionamento, a água demora até quatro horas para retornar às torneiras. Quando chega, está suja. Para poder fazer comida, ela tem que comprar água potável. "Agora tenho que lavar os animais em um balde", explicou.

Renata disse que a falta de água começou a ser sentida na segunda-feira, três dias depois que o decreto foi publicado. "O problema com o abastecimento aqui é antigo. Moro na cidade há mais de 30 anos e sempre passei por situações como esta. Entra e sai prefeito, todos prometem melhorias, que nunca são cumpridas", desabafou.

Segundo a moradora, é compreensível que a falta de chuva possa afetar o abastecimento em todo o município. Mas o que não é aceitável, acrescentou, é que a cidade continue sem estrutura para conseguir lidar com esse problema.

Escrito por:

Mariana Camba/Correio Popular