Publicado 14 de Maio de 2021 - 11h29

Por Edson Silva/Correio Popular

Carros de luxo apreendidos durante a operação perfilados no estacionamento da Polícia Federal em Campinas

Kamá Ribeiro/Correio Popular

Carros de luxo apreendidos durante a operação perfilados no estacionamento da Polícia Federal em Campinas

A Operação “Black Flag” da Polícia Federal, realizada anteontem em Campinas – com extensão a outras localidades da RMC e do país –, deixou na cidade um rastro de dúvidas, uma onda de boataria e o espalhamento de fake news que atingiram pessoas e empresários, muitos deles idôneos e sem envolvimento com acusações, prejudicados pelo caráter sigiloso da ação policial.

Houve muito estardalhaço, muita pirotecnia, e poucos resultados para o conhecimento público, gerando intranquilidade e temor no meio econômico, já prejudicado pela pandemia da covid-19.

O delegado-chefe da Polícia Federal de Campinas, Edson Geraldo de Souza, informou ontem que a divulgação das informações obtidas com as operações da Polícia Federal segue rígidos protocolos e normas, não fazendo parte a revelação de nomes de pessoas físicas ou jurídicas envolvidas, estando aquilo que foi divulgado autorizado judicialmente.

Contudo, esses protocolos acabam por gerar pânico na sociedade e no mercado locais, levando pessoas a terem de se defender de falsas acusações geradas por boatos e informações distorcidas, produzidas com a finalidade de denegrir e gerar prejuízos.

O empresário Aédi Cordeiro, sócio-diretor da JJA Assessoria, por exemplo, precisou desembolsar recursos financeiros para pagar anúncios em jornais, como forma de esclarecer sua condição de pessoa apenas intimada a prestar depoimento, sem qualquer acusação formal.

Ações ruidosas

É questionável essa modalidade de operação policial, visto que, ao sustentar o sigilo e a não revelação de dados fundamentais à compreensão de seus motivos, acabam por acobertar criminosos e fraudadores, envolvendo e acusando inocentes. Ontem, sem revelar nomes, o delegado apenas confirmou que dois procurados da Operação “Black Flag” se entregaram na quinta-feira, às 10h, na Delegacia de Polícia Federal, em Campinas. Com isso, dos 15 mandados de prisão temporária por cinco dias expedidos pela Justiça Federal da cidade, 14 foram cumpridos, sendo 13 deles na própria cidade, um no Distrito Federal e um investigado permanece foragido.

A Operação “Black Flag” foi deflagrada na última terça-feira para apurar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e de lavagem de dinheiro da ordem de R$ 2,5 bilhões. Com a instauração do inquérito policial e o avanço das investigações, descobriu-se uma complexa rede de pessoas físicas e jurídicas fictícias, que chegou a movimentar R$ 2,5 bilhões em operações financeiras, tendo por único objetivo sustentar integrantes da organização criminosa mediante aquisição de veículos de luxo, imóveis, lancha no valor de R$ 5 milhões e até o patrocínio de esporte automobilístico.

As diligências da “Black Flag” tiveram ainda o cumprimento de 70 mandados de busca e apreensão em cidades do estado de São Paulo, no Ceará, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

Fiscalizações

Segundo a PF, as fraudes foram descobertas a partir de fiscalizações da Receita Federal, que detectou movimentações financeiras suspeitas. Com o avanço da investigação, que já dura dois anos, os agentes chegaram a uma rede de pessoas físicas e jurídicas fictícias usada nas operações.

Apenas em mandados de busca e apreensão ocorridos na região de Campinas, com os bens apreendidos e encaminhados para a sede da PF da cidade, foram computados: R$ 1,2 milhão, em dinheiro, 302 peças de joia, 97 relógios,76 bolsas, 147 garrafas de vinho, dois quadros artísticos de um artista famoso, 20 veículos de luxo importados e 27 celulares.

As investigações prosseguem com a PF avaliando documentos e as apreensões, procedimentos que podem levar a pedidos de ampliação das prisões temporárias de alguns dos investigados ou mesmo de prisões temporárias por tempo indeterminado de alguns deles.

Escrito por:

Edson Silva/Correio Popular