Publicado 12 de Maio de 2021 - 9h46

Por Erick Julio/Correio Popular

A advogada Elizeth Moscardin, que viveu drama por causa da transferência de familiares com covid-19 para hospitais de São Paulo e região

Diogo Zacarias/Correio Popular

A advogada Elizeth Moscardin, que viveu drama por causa da transferência de familiares com covid-19 para hospitais de São Paulo e região

A Associação do Parlamento da Região Metropolitana de Campinas, órgão que reúne representantes dos legislativos das 20 cidades da RMC, retomou a iniciativa de se criar uma unidade da Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde (CROSS) em Campinas. O serviço ligado à Secretaria de Estado da Saúde é responsável por organizar os recursos disponíveis na saúde pública, como a oferta de leitos e internações nos hospitais do Estado.

Atualmente, o CROSS tem uma atuação centralizada na Capital paulista. Para o presidente do Parlamento da RMC, o vereador Zé Carlos (PSB), o serviço precisa ser regionalizado para "melhor atender a população das cidades da região". O parlamentar, que é o presidente da Câmara de Campinas, acredita que a RMC tem a estrutura médica necessária para poder gerir as demandas da saúde dos pacientes da região.

"Não tem cabimento uma região metropolitana como a de Campinas, com hospitais de referência, não ter uma central própria e ter as vagas reguladas por São Paulo. Vamos brigar para que o CROSS venha para Campinas. Às vezes, há hospitais privados conveniados com o SUS [Sistema Único de Saúde] nas cidades da região que oferecem vagas e leitos e o paciente acaba sendo transferido para São Paulo", aponta o presidente, que disse ter recebido relatos de famílias que tiveram dificuldades com transferência de pacientes com covid-19.

"Tivemos na nossa região pacientes com covid-19 que foram transferidos pela CROSS para São Paulo sem antes ver se tinha vaga em Campinas. Queremos evitar essas situações, pois, para além dos momentos terríveis que essas pessoas passam, elas ainda têm que se deslocar por grandes distâncias para acompanhar um familiar", conta Zé Carlos.

A história da família da advogada Elizeth Moscardin, 32, ilustra o relato do parlamentar. A avó do seu marido, de 81 anos, foi diagnosticada com câncer. Quando se preparava para iniciar o tratamento, a idosa descobriu que estava com covid-19. Embora ela não tenha apresentado sintomas graves, justamente por já ter tomado a primeira dose da vacina, seus seis filhos, que têm entre 45 e 60 anos, contraíram o coronavírus justamente porque se revezavam para cuidar dela.

Segundo Elizeth, o drama da família teve início quando os familiares começaram a necessitar de internações. "Todos os meus familiares foram internados em hospitais da região, inicialmente. Conforme o quadro da doença avançou, alguns foram transferidos entre unidades da região. Ocorre, no entanto, que dois deles tiveram complicações. Um deles foi enviado para o São Paulo. O outro só não foi para Pedreira porque se negou a ser entubado, pois estava muito abalado", conta a advogada, que revelou que a sogra e uma irmã faleceram pela doença.

Para Elizeth, a transferência do familiar para São Paulo dificultou o acompanhamento da família. "Quando foram transferir, eu questionei do porquê de ser São Paulo, já que há tantos hospitais na região. A enfermeira me explicou que o CROSS é um sistema que busca a vaga e só encontrou na Capital. A gente sabe que não vai poder visitar por conta da covid-19, mas ao estar perto, fica mais fácil para acompanhar o estado de saúde. Eu tive muita dificuldade de saber do quadro dele.

Eu só consegui porque tive que me exaltar ao telefone e lembrei o hospital em São Paulo que estava enterrando um segundo familiar e precisava de informações", conta a advogada, que durante a entrevista recebeu uma ligação do hospital em São Paulo solicitando a presença de familiares.

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