Publicado 12 de Maio de 2021 - 9h33

Por Rodrigo Piomonte

A gestante Letícia Teixeira afirma que nenhuma vacina é confiável mas, ainda assim, está propensa a tomar

Ricardo Lima

A gestante Letícia Teixeira afirma que nenhuma vacina é confiável mas, ainda assim, está propensa a tomar

A investigação do Ministério da Saúde de um caso de uma gestante que morreu no Rio de Janeiro após ter sido imunizada com a vacina AstraZeneca e a recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que a vacina do grupo farmacêutico não seja usada em grávidas, seguindo a própria bula do medicamento, repercutiu imediatamente em Campinas.

A Secretaria da Saúde municipal cancelou o agendamento que estava aberto para o grupo de gestantes e puérperas. E entre as gestantes, a informação provocou desconfiança, receio e medo.

Segundo a Prefeitura, a vacinação para mulheres grávidas estava ocorrendo apenas para funcionárias da área da saúde. Ao todo 134 gestantes tomaram a vacina em Campinas, entre doses da Astrazeneca e Coronavac. Para grávidas com comorbidades era previsto o início da vacinação ontem no Estado, mas o governo paulista também suspendeu a aplicação, após recomendação da Anvisa.

Segundo a Secretaria de Saúde de Campinas, no momento, a orientação para as gestantes que já foram imunizadas com as doses da Astrazeneca é que elas mantenham atenção a qualquer sintoma adverso, e que procurem assistência médica.

De acordo com a Prefeitura, no caso de ocorrerem sintomas entre gestantes imunizadas, o serviço de saúde fará a notificação sobre o evento, conforme acontece para qualquer paciente, sendo gestante ou não.

O procedimento envolve ainda a Secretaria de Estado de Saúde, que é informada e emite parecer após análise, inclusive sobre indicação de segunda dose ou não. O encerramento de cada caso é feito pelo Estado, segundo a Prefeitura. Até o momento a Prefeitura informou não ter havido nenhum evento adverso registrado.

A Prefeitura informou ainda que neste momento não será aberto o agendamento para gestantes e puérperas com comorbidades. Campinas seguirá as orientações do governo do Estado. Também foi suspensa a vacinação das profissionais e trabalhadoras de saúde gestantes que já haviam feito o agendamento.

A orientação da Anvisa é que a indicação da bula da vacina AstraZeneca seja seguida pelo PNI (Programa Nacional de Imunização). Segundo o órgão, a medida "é resultado do monitoramento de eventos adversos feito de forma constante sobre as vacinas covid em uso no país".

Ainda conforme nota divulgada pela Anvisa, "o uso off label, ou seja, em situações não previstas na bula, só deve ser feito mediante avaliação individual por um médico que considere os riscos e benefícios da vacina".

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Rodrigo Piomonte