Publicado 11 de Maio de 2021 - 15h40

Por Mariana Camba/Correio Popular

Paciente dá entrada no Centro Cirúrgico do Hospital Santa Teresa: volume de operações de urgência aumentou 46% nos primeiros três meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2020

Kamá Ribeiro/Correio Popular

Paciente dá entrada no Centro Cirúrgico do Hospital Santa Teresa: volume de operações de urgência aumentou 46% nos primeiros três meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2020

As cirurgias de urgência e emergência aumentaram 46% nos três primeiros meses deste ano se comparadas com o mesmo período do ano passado, em nove hospitais da região de Campinas. O levantamento foi feito pelo Grupo Surgical, responsável pela administração dos estabelecimentos analisados. De acordo com o médico cirurgião geral e membro do grupo, Rafael Ruano, o aumento dos procedimentos está relacionado, principalmente ao cancelamento das cirurgias eletivas. O tempo de espera para a operação fez com que os casos se tornassem graves e necessitassem de atendimento de urgência e emergência.

Foram analisados os registros de sete unidades de Campinas (Hospital do Coração de Campinas, Hospital Irmãos Penteado, Santa Casa de Campinas, Hospital Santa Teresa, Hospital Beneficência Portuguesa, Hospital e Maternidade de Campinas, Hospital Madre Teodora e Hospital Renascença), uma de Valinhos (Hospital Galileo) e uma de Vinhedo (Santa Casa de Vinhedo).

De acordo com Ruano, a restrição das cirurgias eletivas ocorreu porque os hospitais priorizaram o atendimento dos casos da covid-19. A limitação de leitos impossibilitou a realização desses procedimentos nos últimos meses. Além disso, acrescentou o médico, a segurança dos pacientes que não estavam infectados pelo novo coronavírus poderia ser colocada em risco, caso eles ficassem internados por muito tempo. "As cirurgias oncológicas também foram classificadas como eletivas. Antes da pandemia, quase diariamente operávamos tumores. No último ano, ficamos semanas sem realizar o procedimento por causa da falta de leitos de UTI e da não disponibilidade do Centro Cirúrgico, devido ao aumento dos casos da covid-19", explicou Ruano.

O que também contribuiu com o aumento das cirurgias de urgência e emergência foi o tempo que alguns pacientes infectados pela covid-19 permaneceram em ventilação mecânica. Essa condição fez aumentar o número de traqueostomias, drenagens pleurais e intervenções torácicas. As traqueostomias aumentaram 175% na comparação entre primeiro trimestre deste ano com o mesmo período de 2020. As drenagens torácicas quintuplicaram. Até o dia 18 de abril, de acordo com o grupo, o número dessas intervenções se igualou ao total registrado em todo o ano passado.

Entre as cirurgias de urgência e emergência mais realizadas no primeiro trimestre deste ano nos nove hospitais estão a colectomia (retirada total ou de parte do cólon), que teve um aumento de 72,7% em relação ao mesmo período do ano passado. A colecistectomia (retirada da vesícula biliar) registrou crescimento de 26,4%. "Mesmo diante da pandemia, as pessoas continuam sendo acometidas por outras doenças. Por isso, é importante que todos redobrem os cuidados com a saúde, principalmente neste momento", lembrou Ruano.

Dores da espera

O mecânico, Carlos Luiz Marioto, de 64 anos, viveu na pele os reflexos dos cancelamentos das cirurgias eletivas. Em março de 2020, ele começou a sentir fortes dores, mas não sabia o que estava provocando o desconforto. Depois de passar por algumas consultas médicas e fazer exames, ele recebeu o diagnóstico que detectou pedras na vesícula.

"Eu sentia muita dor. Passei madrugadas em claro. Mas depois de algumas idas ao hospital para ser medicado, percebi que os remédios que eu tomava em casa faziam o mesmo efeito. Então, preferi ficar mais recluso, para me expor menos possível ao novo coronavírus. Na época, eu não tinha nem previsão para que a cirurgia da retirada das pedras ocorresse", explicou Marioto.

A cirurgia que iria resolver o problema de saúde do mecânico foi marcada pela primeira vez para dezembro do ano passado, mas teve de ser cancelada. Assim, Marioto teve que aprender a conviver com a dor. Até que em abril deste ano, os medicamentos não ajudaram mais e a dor se tornou insuportável. Isso fez com que o mecânico, depois de horas em sofrimento, fosse para o hospital.

"Depois que o médico analisou os exames que fiz naquele dia, ele detectou que a minha vesícula estava inflamada. Por isso a minha cirurgia, que até então estava sendo adiada há mais de um ano, se tornou de urgência. Fui operado horas depois de chegar ao hospital", lembrou. Desde então as dores sumiram, e somente agora o mecânico pôde voltar a ter qualidade de vida.

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Mariana Camba/Correio Popular