Publicado 08 de Maio de 2021 - 16h02

Por Gilson Rei/ Correio Popular

Maria Felomena dos Santos (esq) e Lidiana Moraes, integrantes do grupo que faz a arrecadação de tablets: esforço em prol da educação e da evolução das crianças

Kamá Ribeiro/Correio Popular

Maria Felomena dos Santos (esq) e Lidiana Moraes, integrantes do grupo que faz a arrecadação de tablets: esforço em prol da educação e da evolução das crianças

Teve início nesta semana um esforço dos pesquisadores de Campinas para diminuir a distância social e levar educação às famílias em situação vulnerável. Uma campanha de arrecadação de tablets surgiu quando um grupo de associados do Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia (SINTPq) percebeu a dificuldade de crianças e adolescentes em acompanhar as aulas remotas durante a pandemia. A grande maioria das famílias que vivem nas periferias não tem equipamentos para acessar a rede de internet.

A agente de testes do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), Maria Felomena Cássia de Jesus dos Santos, mais conhecida como Filó, explicou que o ensino é tão importante quanto o alimento na mesa, e que estudantes de famílias com menos recursos não estão conseguindo ter aulas durante a pandemia por covid-19.

Filó, que é diretora do sindicato, reuniu-se com um grupo de pesquisadores e surgiu a idéia da campanha. A ação ganhou corpo e foi adotada pela entidade. "Sem recursos, muitas crianças e adolescentes não podem acompanhar as aulas e, com isso, estão perdendo a oportunidades", disse Filó. "Estas crianças e adolescentes já vivem em uma sociedade injusta porque não têm piores condições de vida em comparação a outros extratos", acrescentou.

A pesquisadora destacou que o ensino, a aprendizagem e o conhecimento são fundamentais para as pessoas crescerem na vida. "Quanto mais tempo durar a pandemia, mais estas pessoas estarão perdendo", afirmou. "Por isso, o sindicato abriu sua estrutura para desenvolver a campanha e minimizar um pouco a situação desses jovens", comentou. Filó disse que a iniciativa poderá servir de exemplo para outras ações do mesmo tipo.

"A questão da desigualdade social é muito maior no país, mas pelo menos a campanha poderá servir também como exemplo para outras pessoas, empresas ou entidades fazer o mesmo", afirmou. "Muitas campanhas estão sendo feitas para a comida chegar às mesas das famílias carentes, mas pouco está sendo feito para ajudar na educação. A criança vai sofrer conseqüências da falta do ensino", considerou.

Missão

Lidiana Lucindo Moraes, trabalhadora do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e integrante do SINTPq, reforçou a importância da ajuda na educação. "É importante a arrecadação de alimentos, mas sem deixar que o processo de formação fique para trás. Isto aumenta a distância social que já existe na sociedade", afirmou. Segundo ela, os pesquisadores já defendem esta causa.

"Fazer essa integração social é uma das causas que os pesquisadores defendem. Moro na periferia e trabalho no CNPEM. Vejo estas diferenças sociais todos os dias", disse. "Por isso, a causa da educação é uma das missões da comissão do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico, que tenta ligar a área acadêmica de pesquisa e de conhecimento com as comunidades periféricas em situação de vulnerabilidade social", destacou.

A pesquisadora lembrou também que é o momento de ajudar. "Percebemos que existe esta dificuldade de acompanhar as aulas remotas para as pessoas que estão na rede púbica de ensino. Recebemos o relato de colegas de que crianças e adolescentes não têm equipamentos. Ao mesmo tempo, tem pessoas com tablets escondidos no fundo de armários. Acho que não custa nada, para aqueles que podem, doar aos que mais precisam. Basta o aparelho ter entrada do chip para poder conectar a rede 3 G. Isto já resolve e é também uma forma de redistribuir a renda", finalizou Lidiana.

Entidades

O objetivo da campanha é angariar 281 equipamentos para as instituições Progen - Projeto Gente Nova, Projeto Agbara, ambas de Campinas, e para o Instituto Rogacionista, da capital paulista. Como requisitos básicos para a doação, os aparelhos precisam ter entrada para chip, capacidade para download e instalação de aplicativos e acesso à internet funcionando normalmente.

As doações poderão ser feitas na sede do SINTPq em Campinas - localizada na Avenida Esther Moretzshon Camargo, 61, Parque São Quirino - e também na sede do sindicato em São Paulo, dentro do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em frente ao prédio 8. Caso necessário, o SINTPq também fará a retirada de equipamentos em locais indicados pelos doadores. Mais informações podem ser solicitadas no e-mail [email protected]

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Gilson Rei/ Correio Popular