Publicado 08 de Maio de 2021 - 15h15

Por Edson Sillva/Correio Popular

Um operário de 36 anos, com experiência em uso de arma de fogo, reagiu a um assalto, na quinta-feira, 6, à noite, e matou, com pelo menos 10, tiros um dos três assaltantes que invadiram sua residência, no bairro Parque Fazendinha, em Campinas.

Segundo a polícia, é a segunda vez, em pouco mais de dois meses, que ocorre mortes após roubo em residência na mesma região. Em fevereiro, dois assaltantes morreram a facadas depois que uma vítima reagiu a um assalto no Parque Santa Bárbara, vizinho ao Parque Fazendinha.

No caso desta quinta-feira, na hora do assalto, o operário estava acompanhado, na casa da esposa, da mãe e do filho de quatro anos. Os bandidos tinham subtraído do imóvel algumas jóias, como o par de alianças do casal, e R$ 1,5 mil, que a vítima explicou aos ladrões que era um valor doado para ajudar no enterro de seu pai, cuja morte teria ocorrido no dia anterior.

Os criminosos colocaram os objetos roubados no carro da família, com o qual pretendiam fugir, e insistiam em saber onde estava o cofre da casa, compartimento encontrado em um quarto.

Um dos bandidos ameaçou matar o filho do industriário ao ver no cofre duas armas, uma carabina calibre 22 e uma pistola 9 milímetros. Para tentar demovê-lo de pegar o armamento, a vítima alegou que a arma era de airsoft (pressão), irritando ainda mais o assaltante.

Sentindo a gravidade da ameaça feita pelo suspeito, o pai de famílias conseguiu colocar um carregador na pistola e fez disparos em direção aos ladrões, segundo ele, na intenção de afugentá-los. Um dos tiros atingiu a geladeira da casa e os demais acertaram um dos criminosos, que caiu junto ao portão da garagem da casa, matando-o na hora.

Os outros dois suspeitos fugiram a pé, sem que fossem identificados. Eles abandonaram os objetos roubados dentro do carro da família, e não há informação se também foram alvejados. O assaltante morto foi identificado, um adolescente de 16 anos que morava em um bairro de ocupação, próximo da casa assaltada.

O caso foi apresentado na Central de Flagrantes da 2ª Delegacia Seccional de Campinas, onde a família vitimada foi ouvida, relatando os momentos de tensão e pavor pelos quais passaram durante a invasão da casa.

As vítimas perceberam a movimentação de um dos assaltantes no quintal, mas não conseguiram impedir que ele invadisse o imóvel pela porta do fundo. Uma vez dentro da residência, esse suspeito abriu a porta principal para os outros dois comparsas. Durante a ação dos bandidos, todas as vítimas foram mantidas sob ameaça de arma em um dos cômodos.

A polícia não descarta que um quarto assaltante estivesse nas imediações com um veículo, dando cobertura ao bando. O caso é do 8º Distrito Policial (Vila Padre Anchieta), que prosseguirá com as investigações. A vítima, que reagiu ao assalto, tem documentação de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC) e vai responder pelo caso em liberdade. Ele foi ouvido no Plantão Policial e indiciado por homicídio simples, com atenuante de excludente de ilicitude (legítima defesa).

Dois mortos

Em fevereiro último, dois suspeitos de tentativa de roubo a uma casa no Parque Santa Bárbara, vizinho ao Fazendinha, foram mortos a facadas pelas vítimas. De acordo com o registro na Polícia Civil, a dupla estava de moto e invadiu a residência quando um dos moradores chegou de carro. Eles aproveitaram o portão aberto e, segundo o relato das vítimas, estavam armados com um revólver e uma faca.

Na casa, além do morador que chegava, estavam os sogros e um cunhado dele. Durante o assalto, eles reagiram, houve briga com os assaltantes. As vítimas foram feridas com a faca, mas uma delas conseguiu pegar a arma branca de um dos homens, que foi atingido com duas facadas no peito.

Em seguida, o outro homem também foi ferido com uma facada no peito e correu para fora da casa, mas caiu morto a cerca de 200 metros do local. Na ocasião, o caso foi registrado também na 2ª Delegacia Seccional de Campinas como homicídio simples, tentativa de roubo e excludente de ilicitude por legítima defesa e não houve prisões.

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Edson Sillva/Correio Popular