Publicado 07 de Maio de 2021 - 15h55

Por Erick Julio/ Correio Popular

Densamente povoada, região ainda carece de infraestrutura urbana

Ricardo Lima/ Correio Popular

Densamente povoada, região ainda carece de infraestrutura urbana

A Comissão de Estudos sobre o Desenvolvimento do Campo Grande, da Câmara Municipal, recebeu contribuições de representantes do setor da educação na reunião realizada na tarde de ontem. Entre as propostas de destaque estão a realização de um congresso popular com a participação dos moradores do distrito e a retomada da criação de uma universidade federal em Campinas, projeto que já foi discutido por uma comissão do Legislativo em 2013.

As duas contribuições partiram de Marcos Francisco Martins, professor-adjunto da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O docente lembrou que a Câmara Municipal "fez um trabalho profícuo" quando discutiu a instalação de uma universidade federal na cidade. "A criação de uma universidade pública e federal em Campinas teria contribuído de maneira importantíssima para o desenvolvimento do Campo Grande ao longo desses anos. Na época, a Câmara engajou-se nessa proposta e o distrito inclusive foi apontado pelo então prefeito Jonas Donizette como o local para receber a instituição", destaca o professor, que defendeu que a comissão presidida pelo vereador Cecílio Santos (PT) retome a ideia.

"O trabalho político foi muito produtivo e mobilizou inclusive mais de 40 prefeitos e parlamentares da região, além de representantes de diversos setores da sociedade. Infelizmente, no entanto, o país passou a viver uma crise política em 2014, que inviabilizou o projeto. Passado todo esse tempo, acredito que essa comissão é uma oportunidade fundamental para retomar essa iniciativa, pois a universidade vai contribuir para o desenvolvimento do Campo Grande", aponta Martins.

O docente da UFSCar também sugeriu que os vereadores do colegiado se dividam em núcleos temáticos para discutir as políticas necessárias para cada setor. De acordo com ele, cada parlamentar desenvolveria um pré-relatório sobre o tema com "participação popular". Pela proposta, os trabalhos desenvolvidos pelos núcleos poderiam ser debatidos em um congresso para tratar de questões de interesse da região.

"Se essa comissão se organizar em núcleos com certa autonomia, vai poder produzir, com intensa participação dos moradores, um documento final que seria aprovado naquilo que vou chamar de Congresso da Região do Campo Grande. Esses núcleos poderiam ter um apoio técnico e acadêmico dos colegas das universidades aqui presentes", propôs Martins, que acredita que a ampliação dos trabalhos da comissão de estudos induziria o desenvolvimento da região de "maneira sustentável sob o ponto de vista econômico, social e ambiental".

A proposta de Martins encontra respaldo na contribuição feita pela professora de extensão da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), Vera Lúcia dos Santos Plácido. Durante sua exposição, a docente explicou que desenvolve uma pesquisa sobre cartografia e vulnerabilidade social. Ao longo do seu trabalho, Vera apontou que para entender a dinâmica de um território é preciso ter como base "as percepções das pessoas" que vivem no local.

"Essa é uma questão fundamental para pensar políticas públicas mais efetivas e que sejam políticas territoriais, que partem de um mapeamento para identificar onde estão as pessoas em vulnerabilidade. Quando vejo no Cadastro Único, por exemplo, que há pessoas vivendo com até um salário-mínimo, eu me pergunto onde elas estão. Nós precisamos identificar essa população e identificar as suas condições de acesso, nesse primeiro momento, aos serviços básicos. Estamos falando de uma vulnerabilidade sócio-territorial profunda. Precisamos permitir que essas pessoas exerçam a sua cidadania", defende Vera.

Para o professor da Faculdade Anhanguera, Anoel Fernandes, ao olhar para a educação no Campo Grande é preciso questionar quais são as oportunidades de acesso ao ensino superior. De acordo com ele, após um período de "massificação do ensino superior", ocorrida nos governos anteriores, o acesso à universidade "tem caído" nos últimos anos.

"Quando olho para a região do Campo Grande sob a luz da educação, eu tenho que me perguntar para onde estão indo os meninos e as meninas egressos do ensino médio. Apesar da tecnologia e do acesso à internet, muitos jovens não conhecem os caminhos da universidade, não sabem que podem conseguir bolsas. Para pensar o desenvolvimento integral da região, eu preciso perguntar o que fazem os jovens após concluir o ensino médio", aponta Fernandes.

Ao fim da reunião, o presidente da comissão disse que "vê com bons olhos" as contribuições feitas pelos convidados. De acordo com Cecílio Santos, os vereadores vão incorporar as sugestões feitas ao relatório que será desenvolvido pelo relator Paulo Bufalo (PSOL).

"Vamos discutir no âmbito da comissão a estratégia para implementar essa proposta de núcleos e incorporar o relatório desenvolvido em 2013 sobra a universidade federal. Aproveitar o trabalho da comissão anterior é fundamental. Não há outra maneira de discutir política pública se não for escutando a população, que se sente corresponsável por ela", exalta o vereador, que explicou que pedirá a prorrogação dos trabalhos e que fará uma alteração no escopo da comissão para contemplar os núcleos temáticos.

Escrito por:

Erick Julio/ Correio Popular