Publicado 06 de Maio de 2021 - 10h03

Por Mariana Camba/Correio Popular

Operários trabalham em obra de condomínio residencial em Campinas: a construção civil também foi um dos setores que mais contrataram

Divulgação/ Rotas das Bandeiras

Operários trabalham em obra de condomínio residencial em Campinas: a construção civil também foi um dos setores que mais contrataram

Desde o início de maio, o município de Campinas entrou em estado de atenção por causa da baixa umidade do ar, que permanece abaixo dos 30%. Ontem, às 14h20, o índice era de 22,7%. De acordo com o coordenador regional da Defesa Civil de Campinas, Sidnei Furtado, entre maio e setembro há o período mais seco do ano, devido à ausência de chuva, cenário propício para o aumento de queimadas. No último sábado, teve início a Operação Estiagem da Defesa Civil de Campinas, que tem o objetivo de realizar vistorias preventivas aos incêndios até setembro. Ao todo, existem na cidade 86 áreas de risco de incêndio em vegetação, que estão mais presentes em Sousas, Joaquim Egídio e na Mata Santa Genebra, de acordo com o coordenador regional.

Segundo Furtado, o ano passado registrou um aumento expressivo no número de queimadas em Campinas. Em 2020, de maio a setembro foram registrados 268 focos de queimadas e 579 vistorias preventivas. Em 2019, no mesmo período, foram registrados 192 focos de incêndio e 454 vistorias. Este ano, nenhuma queimada significativa foi registrada até o momento. O período de estiagem que tem início neste mês tem seu momento mais crítico entre julho e agosto, de acordo com o coordenador regional.

A Concessionária Rota das Bandeiras, responsável pelo Corredor Dom Pedro, afirmou que o início da estiagem disparou o número de queimadas nas proximidades da rodovia. Em abril deste ano foram registradas 45 ocorrências de focos de incêndio, quase o dobro do acumulado no primeiro trimestre de 2021, quando foram registradas 24 queimadas às margens das rodovias administradas pela empresa. Segundo a concessionária, o aumento é comum nesta época do ano e a previsão é de que o número siga alto nos próximos meses.

"A ausência das chuvas deixa a vegetação mais seca, o que faz com que ela se torne uma espécie de combustível para o início dos incêndios e consequente expansão das chamas. Por isso, a conscientização dos usuários da rodovia se torna ainda mais importante para evitar o início das queimadas", informou a concessionária, em nota. Entre os principais causadores de incêndio nas proximidades das estradas, estão as "bitucas" de cigarros que são arremessadas pelos motoristas.

Segundo a meteorologista do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), Ana Ávila, o tempo mais seco deve persistir nos próximos dias, pois a previsão não aponta a chegada de chuva até, pelo menos, o dia 20. De acordo com Ana, 2021 tem sido um ano com poucas precipitações. As últimas chuvas registradas foram em 17 de abril, com três milímetros, e 18, com apenas um milímetro. O total de chuva registrado no mês passado foi de 12,2 milímetros, enquanto a previsão para todo o mês era de 64,7 milímetros.

Este ano, de acordo com a meteorologista, tem sido comum o acumulado de chuva do mês não alcançar a média prevista para o período. Em março, foi possível obervar este cenário, período em que foram registrados 81 milímetros de chuva, enquanto a média esperada para o mês era de 162. Para Ana, a chuva deve se manter irregular e pontual. "O ano de 2020 foi muito seco, e este ano estamos seguindo o mesmo padrão. Isso faz com que aumente a concentração de partículas poluentes em suspensão no ar, o que reduz a umidade. A falta de chuva faz com que se mantenha essa atmosfera mais seca", explicou Ana.

Cuidados

Segundo a médica pneumologista do Hospital PUC-Campinas, Deborah Aguiar Patrocíneo, o tempo mais seco, aliado às temperaturas mais baixas que são características do outono, faz com que aumente os problemas respiratórios. Quem tem bronquite, por exemplo, sente esses reflexos com maior facilidade devido à maior sensibilidade a essas alterações. O aumento de queimadas agrava ainda mais o quadro de quem apresenta dificuldades respiratórias. "A fuligem dos incêndios aumenta a irritação das mucosas. Isso faz com que cresça o número de crises alérgicas. Como os sintomas respiratórios, nesses casos, se assemelham ao que é registrado no início da infecção pela covid-19, por isso o quadro pode provocar uma confusão no diagnóstico", explicou a médica.

Para tentar reverter a piora desses problemas, de acordo com Deborah, a recomendação é que as pessoas se hidratem cada vez mais, tomando bastante líquido. "Todos precisam ter mais atenção aos possíveis problemas respiratórios, principalmente quem tem asma e rinite. Os que foram infectados pela covid-19, e passaram pelo período de recuperação, também podem ficar mais sensíveis a essas alterações do tempo e do clima. Por isso, o mais importante agora é se cuidar", concluiu Deborah.

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Mariana Camba/Correio Popular