Publicado 06 de Maio de 2021 - 9h43

Por Gilson Rei/ Correio Popular

Operários trabalham em obra de condomínio residencial em Campinas: a construção civil também foi um dos setores que mais contrataram

Ricardo Lima/ Correio Popular

Operários trabalham em obra de condomínio residencial em Campinas: a construção civil também foi um dos setores que mais contrataram

Impulsionada pelo setor de serviços e pelo comércio eletrônico digital (ecommerce), a economia da Região Metropolitana de Campinas (RMC) começa a respirar e já produz um crescimento dez vezes maior na geração de empregos. Entre janeiro e março deste ano, a economia da RMC gerou 23.706 empregos com carteira assinada, um volume de contratações dez vezes superior, comparado à geração de 2.142 empregos nos três primeiros meses do ano passado. Serviços, indústria e construção civil foram os setores que mais admitiram. O comércio vem na sequência.

No ranking dos municípios, Campinas liderou na geração de empregos, com 7.190 contratações; seguida por Americana, com 2.855; e por Indaiatuba com 2.309. Paulínia ficou na quarta posição porque contratou 1.436 profissionais; seguida por Sumaré, com 1.377 carteiras assinadas e por Santa Bárbara d'Oeste, que contratou 1.284 trabalhadores.

Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério da Economia no final do mês passado. Analistas justificaram que o melhor desempenho deve-se a dois fatores: maior dinâmica das atividades no setor de serviço; e crescimento do comércio eletrônico digital.

Sobre o elevado percentual de crescimento nas contratações, os especialistas atribuíram ao baixo desempenho da economia no primeiro trimestre de 2020, quando a pandemia por covid-19 gerou drástica retração na indústria, comércio, serviços, construção civil e agropecuária em geral. Apenas para se ter uma idéia, em março do ano passado o emprego formal apresentou um saldo negativo recorde em toda a fase histórica do Caged, quando a RMC amargou o saldo de 7.745 demissões.

O economista Laerte Martins, da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), explicou que esta multiplicação em dez vezes no número de contratações significa uma recuperação do quadro de empregabilidade, existente no final de 2019. "Este desempenho é importante porque representa uma reação, uma melhor dinâmica na economia, que começa a respirar um pouco melhor. Porém, para chegar aos níveis de emprego do ano de 2019 ainda precisaria crescer mais uns 30%", avaliou.

Laerte destacou que o desempenho no primeiro trimestre deste ano aponta para uma dinâmica mais efetiva no setor de serviços e para o crescimento do ecommerce. "O setor de serviços adaptou-se melhor à situação da pandemia porque muitos são considerados essenciais e porque as pessoas passaram a utilizar com mais freqüência com o auxílio do ecommerce", explicou. "Os dois fatores juntos resultaram no crescimento dos pedidos e, consecutivamente, na evolução das contratações", avaliou.

Quase metade

O setor de serviços representou quase a metade das contratações. Entre janeiro e março deste ano, a RMC confirmou o emprego formal para 11.812 profissionais para este setor. A grande maioria foi para a manutenção de computadores e notebooks; técnicos em Tecnologia para a Informática (TI); manutenção de celulares e smartphones; manutenção de automóveis; produção e venda de alimentos; entregas delivery; telefonia; e transporte por aplicativos; dentre outros serviços.

O emprego formal na indústria da RMC foi também positivo, com 7.682 contratações em carteira, principalmente na produção de alimentos, medicamentos, informática e materiais para a construção. O setor da construção civil vem na sequência, gerando 2.744 empregos.

Empurrado pelo início da flexibilização e pelo ecommerce, o setor de comércio começou uma recuperação com 1.348 profissionais contratados no trimestre. Completando a lista de contratações na RMC, a agropecuária gerou 120 empregos em carteira.

 

Sem turbulências

A loja de manutenção de computadores e notebooks, UTI Informática, no Parque Prado, em Campinas, é um exemplo de que as estatísticas do Caged estão corretas. Edmur Carlin, sócio-proprietário da loja, disse que os serviços prestados em sua unidade sobreviveram à pandemia sem turbulências. "Neste período de pandemia houve um aumento de 30% na manutenção dos equipamentos de informática em comparação ao movimento de um ano e meio atrás", comentou Carlin.

Segundo Carlin, a pandemia mudou a rotina utilizada no trabalho e nas escolas. "A pandemia levou para os lares os serviços e as aulas, tendo como ferramenta computadores e notebooks. Muitas pessoas começaram a trabalhar em casa. Pais, mães e filhos tiveram que dividir computadores e muita gente precisou fazer manutenções com mais freqüência. Alguns compraram novos equipamentos e outros reativaram aparelhos que estavam parados", comentou.

O proprietário da UTI Informática disse que a expectativa é de haver contratações para loja nos próximos meses, pois os serviços remotos já foram incorporados e deverão continuar, mesmo quando a pandemia acabar. "Depois da pandemia muitas coisas vão ser mantidas, incluindo serviços remotos em alguns cargos ou funções", comentou.

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Gilson Rei/ Correio Popular