Publicado 05 de Maio de 2021 - 10h29

Por Rodrigo Piomonte/ Correio Popular

Paciente com suspeita de covid é transferido para a emergência do Hospital Mário Gatti: 536 novos casos de sábado até segunda-feira na cidade

Ricardo Lima/ Correio Popular

Paciente com suspeita de covid é transferido para a emergência do Hospital Mário Gatti: 536 novos casos de sábado até segunda-feira na cidade

O alívio nas internações hospitalares registrado nas últimas semanas para casos de covid-19 em Campinas atingiu apenas os hospitais particulares. O cenário continua crítico para quem precisa de um leito público. Os leitos exclusivos de Unidade Terapia Intensiva (UTI) para as pessoas que dependem do Sistema Único de Saúde municipal seguem pelo sexto mês consecutivo sob pressão.

Paciente com suspeita de covid é transferido para a emergência do Hospital Mário Gatti: 536 novos casos de sábado até segunda-feira na cidade

Ontem, no segundo boletim de maio divulgado pela Secretaria de Saúde, a taxa de ocupação de leitos municipais segue próximo dos 100% (98,76%). Dos 162 leitos, 160 estão ocupados. Há dois leitos livres. Já observando a ocupação da rede particular é possível ver o contraste. Dos 213 leitos para covid-19 disponíveis, 149 estão ocupados (69,95%) e 64 vagos.

Nos 14 meses de pandemia, o sistema público municipal de saúde teve um 'respiro' na taxa de ocupação das UTI covid-19 apenas entre setembro e dezembro de 2020. Esse período coincide com a pós-primeira onda de contaminação. Somente nele houve registros de índices de ocupação de leitos em UTIs próximos aos considerados aceitáveis. Com isso a cidade soma 11 meses com as vagas municipais em UTI covid-19 no limite, sendo que nos últimos seis meses com taxas superiores a 90%.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aceita a faixa de 70% de ocupação como indicativo para apontar a redução gradual dos sistemas de isolamento social no combate à pandemia. Taxas superiores indicam sistemas colapsados. No Estado de São Paulo, esse indicador de 70% é, entre outros parâmetros, adotado para determinar se os municípios avançam nas fases de reabertura de atividades não essenciais. Em Campinas, a ocupação de leitos da rede municipal e particular juntas para pacientes com covid-19 está em 82,40%.

O médico infectologista André Giglio Bueno, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puc-Campinas), chama a atenção para o aspecto social da pandemia. Segundo ele, do ponto de vista epidemiológico, a parcela socialmente mais vulnerável tem um risco maior de evoluir com formas graves e óbito, por se expor mais e ser mais portadora de comorbidades pela própria situação social. "O fato dos serviços privados e de convênios atenderem uma população socialmente mais favorecida e o serviço público, em sua maioria, atender uma população mais vulnerável, pode explicar essa sobrecarga por mais tempo", disse.

O especialista também faz um alerta para o risco que pode representar o momento atual de flexibilização. "Entramos agora em um período muito delicado. A taxa de contaminação ficou estável, porém em patamares ainda altos e a flexibilização das medidas restritivas já está em andamento, mas a ocupação dos leitos segue alta e uma grande parcela da população ainda não está vacinada", disse.

A médica epidemiologista, Raquel Stucchi, da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), projeta uma redução na sobrecarga nos leitos de UTI da rede pública somente após a segunda quinzena de maio. Isso, segundo ela, depende do comportamento social diante da flexibilização, já em andamento. "Mesmo nos patamares elevados a rede particular sentiu a ocupação subir primeiro no pico de março e talvez isso explique essa redução", disse.

Na atualização dos dados do boletim epidemiológico, a Secretaria de Saúde de Campinas informou mais 21 mortes causadas pela doença e 536 novos casos de sábado até segunda-feira. Como o sistema do Ministério da Saúde ficou fora do ar ontem, foi possível notificar apenas 20 novos óbitos e 40 novos casos, nas últimas 24 horas. Com isso, desde março do ano passado até a última segunda-feira, mais de 93.227 pessoas foram infectadas pela doença em Campinas.

No balanço consta que já foram aplicadas 331.930 doses da vacina contra a covid-19. Desse total, 203.740 pessoas receberam a primeira dose e 128.190, a segunda.[CR_TXT_1LINH]Rodrigo Piomonte

O alívio nas internações hospitalares registrado nas últimas semanas para casos de covid-19 em Campinas atingiu apenas os hospitais particulares. O cenário continua crítico para quem precisa de um leito público. Os leitos exclusivos de Unidade Terapia Intensiva (UTI) para as pessoas que dependem do Sistema Único de Saúde municipal seguem pelo sexto mês consecutivo sob pressão.

Ontem, no segundo boletim de maio divulgado pela Secretaria de Saúde, a taxa de ocupação de leitos municipais segue próximo dos 100% (98,76%). Dos 162 leitos, 160 estão ocupados. Há dois leitos livres. Já observando a ocupação da rede particular é possível ver o contraste. Dos 213 leitos para covid-19 disponíveis, 149 estão ocupados (69,95%) e 64 vagos.

Nos 14 meses de pandemia, o sistema público municipal de saúde teve um 'respiro' na taxa de ocupação das UTI covid-19 apenas entre setembro e dezembro de 2020. Esse período coincide com a pós-primeira onda de contaminação. Somente nele houve registros de índices de ocupação de leitos em UTIs próximos aos considerados aceitáveis. Com isso a cidade soma 11 meses com as vagas municipais em UTI covid-19 no limite, sendo que nos últimos seis meses com taxas superiores a 90%.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aceita a faixa de 70% de ocupação como indicativo para apontar a redução gradual dos sistemas de isolamento social no combate à pandemia. Taxas superiores indicam sistemas colapsados. No Estado de São Paulo, esse indicador de 70% é, entre outros parâmetros, adotado para determinar se os municípios avançam nas fases de reabertura de atividades não essenciais. Em Campinas, a ocupação de leitos da rede municipal e particular juntas para pacientes com covid-19 está em 82,40%.

O médico infectologista André Giglio Bueno, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puc-Campinas), chama a atenção para o aspecto social da pandemia. Segundo ele, do ponto de vista epidemiológico, a parcela socialmente mais vulnerável tem um risco maior de evoluir com formas graves e óbito, por se expor mais e ser mais portadora de comorbidades pela própria situação social. "O fato dos serviços privados e de convênios atenderem uma população socialmente mais favorecida e o serviço público, em sua maioria, atender uma população mais vulnerável, pode explicar essa sobrecarga por mais tempo", disse.

O especialista também faz um alerta para o risco que pode representar o momento atual de flexibilização. "Entramos agora em um período muito delicado. A taxa de contaminação ficou estável, porém em patamares ainda altos e a flexibilização das medidas restritivas já está em andamento, mas a ocupação dos leitos segue alta e uma grande parcela da população ainda não está vacinada", disse.

A médica epidemiologista, Raquel Stucchi, da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), projeta uma redução na sobrecarga nos leitos de UTI da rede pública somente após a segunda quinzena de maio. Isso, segundo ela, depende do comportamento social diante da flexibilização, já em andamento. "Mesmo nos patamares elevados a rede particular sentiu a ocupação subir primeiro no pico de março e talvez isso explique essa redução", disse.

Na atualização dos dados do boletim epidemiológico, a Secretaria de Saúde de Campinas informou mais 21 mortes causadas pela doença e 536 novos casos de sábado até segunda-feira. Como o sistema do Ministério da Saúde ficou fora do ar ontem, foi possível notificar apenas 20 novos óbitos e 40 novos casos, nas últimas 24 horas. Com isso, desde março do ano passado até a última segunda-feira, mais de 93.227 pessoas foram infectadas pela doença em Campinas.

No balanço consta que já foram aplicadas 331.930 doses da vacina contra a covid-19. Desse total, 203.740 pessoas receberam a primeira dose e 128.190, a segunda.

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Rodrigo Piomonte/ Correio Popular