Publicado 04 de Maio de 2021 - 17h44

Por Edson Silva/ Correio Popular

A vítima de feminicídio Roberta dos Santos Alves, de 28 anos

Live Paulínia

A vítima de feminicídio Roberta dos Santos Alves, de 28 anos

O pizzaiolo Jhoney Henrique Torres Teixeira, de 21 anos, foi preso em flagrante por homicídio triplamente qualificado - feminicídio, motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima -, anteontem, em Paulínia, após agredir com socos, principalmente na barriga, e asfixiar sua esposa, Roberta dos Santos Alves, de 28 anos, com um golpe de luta, conhecido como “mata-leão”.

Segundo a família da vítima, a mulher tinha saúde debilitada, pois sofria de lúpus (doença autoimune) e cirrose (doença crônica do fígado). Vítima e acusado estavam casados há um ano e o ataque agressivo ocorreu no sábado, após o marido, supostamente, ter verificado o celular da vítima e manifestando irritação com algum conteúdo.

Foto: Reprodução/ EPTV Campinas

O pizzaiolo Jhoney Henrique Torres Teixeira, de 21 anos, foi preso em flagrante por homicídio triplamente qualificado - feminicídio, motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima -, anteontem, em Paulínia, após agredir com socos, principalmente na barriga, e asfixiar sua esposa, Roberta dos Santos Alves, de 28 anos

Entretanto, o acusado só socorreu a mulher no dia seguinte, após ter consultado alguns amigos e contar sobre o que tinha acontecido. Ele chegou com a vítima no Hospital Municipal de Paulínia na madrugada do domingo, quando a mulher já chegou com parada respiratória, passando por reanimação e posterior intubação.

Os exames mostraram que a jovem teve hemorragia após sofrer várias lesões internas.

Após a morte da mulher, o acusado mudou a versão para o crime três vezes, até confessar a violência. Segundo a Polícia Civil, em alguns momentos do depoimento, o acusado demonstrou frieza, chegando a perguntar se a comida da cadeia era boa.

Ele disse inicialmente que a esposa teria tentado suicídio e que, por isso, ele a havia levado ao hospital com ferimentos. Depois, alegou que havia discutido com ela, agredindo-a com socos. Depois, deu-lhe um banho e após algumas horas buscou o atendimento médico para a vítima. De acordo com o apurado pela Polícia, a briga começou por volta das 20h do sábado e a mulher foi deixada no hospital por volta de 1h do domingo.

Ontem, em entrevista coletiva à imprensa, o delegado titular de Paulínia, Roney Carvalho, afirmou que aguarda os laudos técnicos, que podem dar detalhes mais precisos sobre a causa da morte da jovem. Não se descarta a hipótese de a jovem ter morrido em decorrência da demora do socorro.

O rapaz, morava em Minas Gerais quando conheceu a vítima pela internet. Ele, que dizia ser religioso, passou a morar com a jovem no Jardim Morro Alto, em Paulínia, onde ocorreu o crime. Há dois meses ficou desempregado, o que teria motivado seus acessos de agressividade com a esposa. O casal não tinha filhos.

A morte de Roberta foi oficializada por volta das 5h do domingo. As investigações do crime seguem na Delegacia de Paulínia, com o acusado na cadeia anexa ao 2º Distrito Policial de Campinas (São Bernardo), onde aguarda audiência de custódia para ser transferido a uma unidade prisional.

Uma irmã da vítima registrou o boletim de ocorrência ao desconfiar da versão do cunhado. Na Polícia Civil, ela disse que o suspeito mantinha um relacionamento abusivo e autoritário com a irmã. O casal estava junto há dois anos e havia completado um ano de casamento. Revoltados com o crime, parentes e amigos da vítima queimaram ternos, sapatos e outras roupas como forma de protestar contra o feminicídio.

Ontem de manhã, o corpo de Roberta foi sepultado no Cemitério Municipal de Paulínia.

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Edson Silva/ Correio Popular