Publicado 03 de Maio de 2021 - 11h21

Por Raquel Valli/ Correio Popular

Moradores da região arriscam a sorte e a vida para atravessar a estrada, já que o trânsito é intenso e não existem passarelas para pedestres

Diogo Zacarias/ Correio Popular

Moradores da região arriscam a sorte e a vida para atravessar a estrada, já que o trânsito é intenso e não existem passarelas para pedestres

Acidentes, assaltos, sequestros-relâmpago e pedestres com medo de atropelamento — este é o cenário retratado por moradores e comerciantes do entorno da Rodovia Miguel Melhado Campos (SP-324), que liga Vinhedo ao Aeroporto Internacional de Viracopos. Apesar da insegurança gerada a motoristas e moradores da região, a duplicação da estrada é discutida há oito anos pelo governo paulistas, mas até hoje não saiu do papel. Por isso, uma moção de apelo para a duplicação e urbanização da rodovia está sendo enviada ao Governo do Estado de São Paulo pela Câmara Municipal de Campinas.

A moção foi feita pela Comissão de Mobilidade Urbana e Planejamento Viário da Câmara Municipal e os vereadores de Campinas já aprovaram o envio ao Palácio dos Bandeirantes.

A Rodovia Miguel Melhado Campos também é um dos acessos da cidade de Vinhedo à Rodovia Anhanguera (SP-330) e à Rodovia Santos-Dumont (SP-075)

Comerciantes e moradores do entorno da rodovia explicitam sensação de medo devido a acidentes, assaltos e sequestros-relâmpago, alegando que isso ocorre com frequência. Eles são unânimes em afirmar que sentem insegurança quando precisam atravessar a via e que, na estrada, ocorrem acidentes frequentes, sobretudo com motos.

"É muito perigoso aqui. Acontece acidente direto. O dia inteiro é movimentado, mas no final da tarde piora", afirma a atendente Damaris Ferreira, 16 anos.

José Silvano da Silva, 52, confirma as informações da adolescente. "É acidente atrás de acidente, e para a gente conseguir atravessar, dá muito trabalho e medo.” Ele trabalha no Aeroporto de Viracopos e conta que, "nos dias em que é realizada a Feira do Rolo, a situação é ainda pior".

Única rodovia com cobrança de pedágio administrada pelo DER no Estado, a Rodovia Miguel Melhado tem 14 km de extensão de pista simples, sendo que 2,8 km deles atravessam uma área urbana com mais de 60 mil habitantes, distribuídos em 22 núcleos habitacionais. O tráfego diário da rodovia é de cerca de 5 mil veículos.

O motoboy Carlos Eduardo Alves, 37, afirma que "o trânsito é caótico" na via e que nunca se acidentou, por sorte, pois a estrada é muito perigosa.

[INTERTITULO]Moção de apelo

[/INTERTITULO]Essa situação, atualmente já complicada sem a duplicação, tende a piorar com o avanço das obras de entroncamento da Rodovia José Roberto Magalhães Teixeira (SP - 083), o Anel Viário de Campinas, com a Rodovia Miguel Melhado.

Isso porque, caso não haja a duplicação, o tráfico, que já é intenso, tende a piorar com o fluxo vindo de São Paulo.

"Pedi que a comissão me ajudasse nessa missão de cobrar a duplicação e urbanização das margens da rodovia. Na área que atravessa a região do Jardim Campo Belo, o tráfego já é intenso e conturbado.”

Segundo ele, as nove lombadas para redução de velocidade implantadas ao longo do trecho urbano, para reduzir o número de acidentes e atropelamentos, na verdade, contribuíram para aumentar os assaltos na rodovia", afirma o vereador Carmo Luiz (PSC).

"Esse cenário perigoso e deprimente, ironicamente, é um dos principais acessos ao Aeroporto Internacional de Viracopos, e é o primeiro portal de entrada e contato do visitante com o Município de Campinas", complementa o parlamentar.

Segundo o vereador Otto Alejandro (PL), presidente da junta, "a Comissão de Mobilidade Urbana e Planejamento Viário não medirá esforços para que a questão da duplicação avance".

Além de Carmo Luiz e Otto Alejandro, a moção de apelo foi assinada pelos vereadores Higor Diego (Republicanos), Cecílio Santos (PT) e Rubens Gás (DEM), que são membros titulares da comissão.

Durante oito anos, muito debate e pouca solução

Há oito anos, a duplicação é discutida pelo governo paulista que, em 2013, apresentou um projeto para a construção de muros nos dois lados da rodovia. Porém, a proposta foi rejeitada pelos moradores, sobretudo os do Campo Belo. Por isso, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) apresentou um novo projeto, que previa um alteamento das pistas sobre a área urbana (ou parte dela) e a construção de travessias embaixo do viaduto.

A nova proposta foi aprovada pela comunidade, com o apoio da Secretaria Municipal de Transportes. A pasta chegou a apresentar um plano de implantação de um terminal rodoviário urbano no entorno do aeroporto, caso a duplicação fosse realizada — o que não ocorreu até hoje.

A Concessionária Rota das Bandeiras está realizando o trabalho de terraplenagem e, inclusive, o trabalho de içamento das vigas foi feito no fim de março.

Agora, a única pendência é a autorização do DER para que a concessionária possa entrar na área da Rodovia Miguel Melhado (que é de jurisdição estadual) a fim de executar o entroncamento entre as duas rodovias.

A expectativa da concessionária é de que a liberação ocorra em breve e que a conclusão da obra seja realizada até dezembro deste ano, conforme previsto no cronograma.

Questionado, o DER informou, por meio de assessoria de imprensa, "que finaliza os estudos técnicos a respeito da duplicação". Sobre a demora, argumentou que "desde 2020, o DER tem passado por um processo de reavaliação de seu cronograma de investimentos, já que, com a pandemia, há um direcionamento de esforços e recursos para contenção da covid-19".

Durante oito anos, muito debate e pouca solução

Há oito anos, a duplicação é discutida pelo governo paulista qu</IP>e, em 2013, apresentou um projeto para a construção de muros nos dois lados da rodovia. Porém, a proposta foi rejeitada pelos moradores, sobretudo os do Campo Belo. Por isso, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) apresentou um novo projeto, que previa um alteamento das pistas sobre a área urbana (ou parte dela) e a construção de travessias embaixo do viaduto.

A nova proposta foi aprovada pela comunidade, com o apoio da Secretaria Municipal de Transportes. A pasta chegou a apresentar um plano de implantação de um terminal rodoviário urbano no entorno do aeroporto, caso a duplicação fosse realizada — o que não ocorreu até hoje.

A Concessionária Rota das Bandeiras está realizando o trabalho de terraplenagem e, inclusive, o trabalho de içamento das vigas foi feito no fim de março.

Agora, a única pendência é a autorização do DER para que a concessionária possa entrar na área da Rodovia Miguel Melhado (que é de jurisdição estadual) a fim de executar o entroncamento entre as duas rodovias.

A expectativa da concessionária é de que a liberação ocorra em breve e que a conclusão da obra seja realizada até dezembro deste ano, conforme previsto no cronograma.

Questionado, o DER informou, por meio de assessoria de imprensa, "que finaliza os estudos técnicos a respeito da duplicação". Sobre a demora, argumentou que "desde 2020, o DER tem passado por um processo de reavaliação de seu cronograma de investimentos, já que, com a pandemia, há um direcionamento de esforços e recursos para contenção da covid-19".

Escrito por:

Raquel Valli/ Correio Popular