Publicado 01 de Maio de 2021 - 16h24

Por Raquel Valli e Tássia Vinhas/ Correio Popular

Luciane Costa e os dois filhos: desafogo e medo com volta das creches

Ricardo Lima/ Correio Popular

Luciane Costa e os dois filhos: desafogo e medo com volta das creches

Das 161 creches da rede municipal de Campinas, mais 44 entidades conveniadas, quatro não estão aptas para o retorno das atividades presenciais na segunda-feira porque ainda precisam de preparos de prevenção à covid-19. A lista foi apresentada ontem pela Prefeitura por determinação do Ministério Público do Trabalho (MPT). Segundo a Administração, as adequações necessárias são de fácil solução. Ainda necessitam de adequações a CEI Carlos Gomes, a CEI Helenice de Moraes Ferrari, a CEI Otávio Cesar Borghi e a CEI Aurora Santoro.

A listagem foi emitida depois que o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Campinas (STMC) questionou na Justiça a segurança das atividades presenciais nas unidades de ensino. "O STMC é contra a volta das aulas presenciais no pico da pandemia do novo coronavírus porque mantém a defesa da vida dos trabalhadores/as, estudantes e famílias", informou a entidade, que conseguiu que o retorno da Educação Infantil, do Agrupamento I, fosse adiada para 17 de maio; e do Agrupamento II, para 10 de maio.

O sindicato continua tentando barrar na Justiça a volta das atividades presenciais, pois considera que não é hora de retomá-las, sem que todos os trabalhadores tenham sido vacinados. De acordo com a lista liberada ontem, 42.048 alunos estão matriculados na Educação Infantil da Prefeitura. Conforme a Secretaria de Educação, as atividades presenciais serão retomadas por etapas, para garantir o distanciamento social, e com cumprimento dos protocolos sanitários.

Mas, o retorno que deveria trazer alívio às mães - já que elas dependem do serviço, a fim de ter onde deixar as crianças para que possam trabalhar -, traz também ansiedade nesses tempos de pandemia. Este é o caso da doceira Luciane Pereira Costa, de 34 anos, que tem dois filhos no Centro Municipal de Educação Infantil Professora Thermutis Araújo Machado, no Dic 2.

"Ao mesmo tempo em que a volta da creche traz um refresco, porque é muito difícil ficar sem ela, eu estou muito apreensiva por causa da covid. A gente fica com pouco de medo de mandar as crianças para a escola", afirma.

Luciane trabalha o dia todo e, durante o tempo em que a creche teve que ficar fechada, os filhos dela, de 3 e 4 anos, ficaram aos cuidados da filha mais velha, que tem 18 anos. "Mas, ficava pesado para a minha filha também, porque ela tem um bebê de 9 meses. Tinha que cuidar do filho, além dos irmãos", acrescenta. Na família de Luciane, praticamente todos os adultos tiveram covid "Graças a Deus, todo mundo se recuperou", conta.

Por etapas

Hoje, 31 mil alunos, de 0 à 5 anos, estão matriculados nas escolas municipais. Nesta primeira semana, as escolas receberão alunos com idade entre 3 anos e 4 meses a 5 anos e 11 meses, do agrupamento III. São esperados 8.524 alunos, o que representa até 35% do total de matriculados nessa modalidade, conforme determina o Plano SP do governo estadual.

No dia 10 de maio, retornam as crianças com idades entre 1 ano e 8 meses a 3 anos e 3 meses, do chamado agrupamento II. E, de acordo com normas sanitárias, 3.936 alunos deverão voltar às atividades presenciais. Na semana seguinte, a do dia 17 de maio, será a vez do agrupamento I, que engloba crianças até 1 ano e 7 meses, e cujo limite será de 1.561 alunos.

As aulas presenciais na rede municipal de ensino estavam suspensas desde o final de março do ano passado e reabriram na última segunda-feira (26), com os alunos do Ensino Fundamental, Educação de Jovens e Adultos (EJA), ensino profissionalizante e de qualificação profissional.

Mas, desde antes do retorno na segunda, o STMC vem tentando barrar as aulas presenciais judicialmente. Em uma das audiências no Ministério Público, ficou definido que grávidas não serão mais obrigadas a trabalhar presencialmente nas escolas e nas creches municipais. Na última segunda-feira, as aulas retornaram em 41 escolas de ensino fundamental, seguindo as normas e protocolos de segurança e higiene determinados pela vigilância sanitária. A capacidade permitida é de apenas 35% dos estudantes. A adesão, porém, foi baixa por parte dos alunos, e só 20% das crianças esperadas compareceram as aulas presenciais.

Assim como no caso das creches agora, quatro escolas haviam sido reprovadas pela Vigilância Sanitária (Devisa) e precisaram de ajustes: Emef Clotilde Barraquet Von Zuben, no Jardim Florence; Leonor Savi Chaib, no Jardim Nova York; Sérgio Rossini e Paulo Freire, ambas no Centro). O protocolo sanitário da Prefeitura estabelece que cada aluno receba um kit com álcool em gel individual e quatro máscaras não descartáveis. Já os professores, recebem o protetor facial (face shield), além das máscaras. As carteiras devem ser colocadas com 1,5 metro de distanciamento e totens com álcool gel distribuídos nas escolas.

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Raquel Valli e Tássia Vinhas/ Correio Popular