Publicado 01 de Maio de 2021 - 0h40

Por AFP

A ajuda internacional de emergência começou a chegar nesta terça-feira (27) à Índia, país que sofre com uma onda acelerada de contágios e mortes por covid-19, um dia depois do Brasil, também muito afetado pela doença, ter negado a autorização para a importação da vacina russa Sputnik V.

Epicentro da pandemia de coronavírus há vários dias e com uma variante local ainda mal identificada, o segundo país mais populoso do planeta, atrás apenas da China, registra diariamente um elevado número de contágios e mortes.

Na segunda-feira, a Índia registrou um recorde mundial de 352.991 pessoas infectadas em um único dia e um recorde nacional de 2.812 mortos. Nesta terça, o país anunciou um número menor de óbitos em 24 horas, 2.771, mas ainda em níveis elevados.

A situação na Índia é "mais do que desesperadora", declarou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. A instituição enviou equipamentos essenciais ao país de 1,3 bilhão de habitantes.

Os profissionais da saúde e os familiares de pacientes buscam desesperadamente oxigênio, respiradores e leitos. Em Nova Délhi, a metrópole mais afetada do país, alguns percorrem os hospitais em riquixás com seus parentes doentes.

O primeiro avião com ajuda médica para a Índia, com 100 respiradores e 95 concentradores de oxigênio britânicos, chegou nesta terça-feira a Délhi. Londres deve enviar até 495 concentradores e 140 respiradores nos próximos dias.

O governo dos Estados Unidos prometeu enviar compostos para a produção de vacinas, equipamentos de proteção, testes rápidos de diagnóstico e respiradores.

A União Europeia (UE) se comprometeu a fornecer "assistência". Alemanha, França e Austrália anunciaram o envio de ajuda de emergência.

O governo do primeiro-ministro nacionalista hindu Narendra Modi é alvo de críticas por sua gestão da crise. A pedido do Executivo, o Twitter suprimiu dezenas de mensagens críticas.

A variante indiana da covid-19 ainda gera perguntas. A OMS destacou que ainda não sabe se a elevada mortalidade se deve a uma gravidade maior da variante, à pressão sobre o sistema de saúde pelo aumento de casos ou a uma combinação das duas.

A variante, já detectada na Bélgica, Suíça, Grécia e Itália, apareceu no momento em que vários países da Europa começaram a flexibilizar as restrições ou estudam adotar medidas nas próximas semanas.

Para evitar a propagação, a Austrália decidiu nesta terça-feira suspender até 15 de maio os voos procedentes da Índia, após decisões similares do Canadá, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Nova Zelândia.

A Bélgica anunciou o fechamento de suas fronteiras a viajantes procedentes da Índia, Brasil e África do Sul, países que registraram outras variantes do vírus, que matou mais de 3,1 milhões de pessoas no mundo desde dezembro de 2019.

Depois de superar no sábado a barreira de um bilhão de doses administradas no mundo, as campanhas de vacinação prosseguem no mundo, provocando disputas entre países e laboratórios sobre as entregas.

Escrito por:

AFP