Publicado 01 de Maio de 2021 - 0h30

Por AFP

O Parlamento Europeu deve aprovar nesta terça-feira (27) o acordo comercial da União Europeia com o Reino Unido, a última etapa do longo processo do Brexit, mas sem muitas esperanças de aliviar a turbulenta relação entre Londres e Bruxelas.

O dia de definição acontece em um momento de ameaças da França sobre a adoção de "medidas de reciprocidade" aos serviços financeiros britânicos e não se aplica de imediato à parte do acordo que diz respeito aos direitos de pesca.

"O Reino Unido espera da nossa parte um certo número de autorizações de serviços financeiros. Não as concederemos se não tivermos garantias sobre as questões da pesca e outros assuntos", disse o secretário de Estado francês para Assuntos Europeus, Clément Beaune.

A votação acontecerá na terça-feira à noite, após um debate plenário de cinco horas, mas o resultado, que não provoca dúvidas, só deve ser anunciado oficialmente na manhã de quarta-feira.

"Espero que o texto seja aprovado por maioria de pelo menos três quartos", afirmou o social-democrata alemão Bernd Lange, presidente da comissão de Comércio Internacional.

A votação será acompanhada de uma resolução parlamentar não vinculante, na qual os eurodeputados chamam o Brexit de "erro histórico".

O documento destaca que o Parlamento Europeu deverá estar plenamente associado às futuras negociações com Londres pela administração do acordo pós-Brexit, como havia prometido a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

As relações já foram profundamente afetadas pela decisão britânica de abandonar o mercado único, oficial desde 31 de janeiro de 2020, mas que se tornou efetiva apenas no início de 2021.

No âmbito comercial, as exportações europeias para o Reino Unido caíram 20,2%, enquanto as importações britânicas da UE diminuíram 47% nos dois primeiros meses de 2021, segundo a agência Eurostat.

Além disso, há uma crise de confiança entre os dois sócios, após várias decisões de Downing Street que colocam em dúvida o acordo anterior com a a UE, o tratado do Brexit de 2019, que organiza o divórcio.

"Em muitas ocasiões, Londres adotou posições que vão contra nossos interesses comuns e isto não ajudou a trabalhar em um clima de serenidade", declarou à AFP o eurodeputado luxemburguês Christophe Hansen (PPE, direita).

"Agora é importante que Boris Johnson cumpra suas promessas e demonstre que é digno de confiança", completou, ao mencionar o primeiro-ministro britânico.

Os europeus criticam especialmente Londres por violar o protocolo irlandês do tratado do Brexit ao adiar certos controles alfandegários e sanitários na Irlanda do Norte.

Os controles deveriam acontecer entre esta província britânica e o restante do Reino Unido, para evitar o retorno de uma fronteira na ilha da Irlanda.

Em sua mensagem aos eurodeputados, Von der Leyen garantiu que a UE "não hesitará" em utilizar contra o Reino Unido as medidas unilaterais de correção previstas no acordo, caso sejam necessárias.

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