Publicado 28 de Abril de 2021 - 19h05

O arcebispo metropolitano de Campinas, d. João Inácio Müller, proibiu os padres de distribuir a comunhão pelo sistema drive-thru, em que as hóstias consagradas seriam oferecidas aos fiéis dentro de carros. Ele também proibiu a distribuição da eucaristia fora da celebração, exceto aos enfermos. A comunhão é sacramento da Igreja, simbolizada pela hóstia consagrada, que representa o corpo e sangue de Cristo.

As determinações ocorrem em função de normativas da Igreja e também da quarentena para enfrentamento da Covid-19, em que as igrejas estão fechadas e as celebrações, sem presença física dos fiéis, são transmitidas pela internet.

Além disso, o arcebispo cita uma normativa da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, dada pela Instrução Redemptionis Sacramentum, que estabelece que “na celebração da santa missa não é lícito separar uma parte da outra, celebrando-as em tempos e lugares diferentes. Além disso, não é permitido realizar sessões da santa missa em momentos diferentes, inclusive num mesmo dia”.

O arcebispo tomou também, como base à decisão, a encíclica Ecclesia De Eucharistia, de S. João Paulo II, que diz que o “mistério Eucarístico — sacrifício, presença, banquete — não permite reduções nem instrumentalizações; há de ser vivido na sua integridade, quer na celebração, quer no colóquio íntimo com Jesus acabado de receber na comunhão”.

Ele observa, no entanto, que é louvável a intenção pastoral de oferecer sacramentalmente a Eucaristia, mas afirma que, neste momento, é oportuno e necessário levar os fiéis à reflexão acerca de outras formas reais da presença de Cristo, junto a seu povo, como a Igreja ensina. “Neste período, podemos e devemos orientar, inclusive, sobre a comunhão espiritual, até que seja possível a participação presencial nas celebrações eucarísticas. Segundo S. Tomás de Aquino, a realidade do Sacramento pode ser obtida mesmo antes da recepção ritual do mesmo Sacramento, somente pelo fato de se desejar recebê-lo”, afirmou, em carta ao clero.

D. João Inácio disse que, com as igrejas fechadas, o distanciamento social torna difícil o trabalho pastoral e a manutenção das estruturas das igrejas.

“Neste período, o contato presencial com nosso povo está reduzido e se faz impossível, mas não a vida de Fé. Aqui, a forma de agir da Igreja requer discernimento e unidade entre nós. Desta forma, nem todo tipo de iniciativa é válido. Precisamos considerar a doutrina de nossa Igreja”, disse.