Publicado 20 de Abril de 2021 - 19h05

A transição do aleitamento materno para a fase dos alimentos sólidos não permite que a criança esteja preparada para comer de tudo, como um adulto. A variedade de alimentos e a quantidade das porções precisam ser respeitadas de acordo com a faixa etária, segundo a orientação dos especialistas. A alimentação incorreta nas primeiras fases da vida, quando os hábitos alimentares estão sendo moldados, podem resultar em uma série de consequências para a saúde, como desnutrição, anemia ou déficit de crescimento, sem falar na obesidade, problema que tem se agravado ano a ano.

Maria Camila Buarraj Gomes, nutricionista das unidades de pediatria do hospital da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), explica que a partir dos 6 meses de vida a alimentação precisa ser introduzida gradativamente, substituindo o leite materno por papas de legumes e de frutas, com consistência adequada — inicialmente amassadas com garfo e nunca batidas no liquidificador — e depois devem ser oferecidas para a criança em pequenos pedaços bem molinhos para estimular a mastigação.

A composição também deve ser adequada. “As papas de frutas devem ser apenas com as frutas amassadas e não com adição de açúcar ou de qualquer engrossante. E as papas de legumes devem ser compostas inicialmente somente de legumes e depois ir acrescentando aos poucos verduras, feijão, carnes, gema de ovo, arroz e, por último, os carboidratos com glúten, como macarrão.”

Camila lembra que as papas devem ser preparadas com pouco óleo vegetal e temperos naturais do hábito da família, evitando os temperos industrializados.

Ao final do primeiro ano, o bebê deve ter duas ou três refeições à base de leite, duas papas salgadas com pedacinhos e duas frutas também em pedacinhos, distribuídos ao longo do dia. “No começo da alimentação complementar, aos 6 meses, iniciamos com duas a quatro colheres de sopa de papa e vamos aumentando gradativamente até atingir mais ou menos 200g até o fim do primeiro ano de vida”, explica. Alimentos muito alergênicos como carne de porco, clara de ovo e peixes devem ser oferecidos somente após o primeiro ano de vida.

A nutricionista ressalta que o uso de leite de vaca integral no primeiro ano de vida é o principal fator de risco para anemia em crianças por sua baixa quantidade de ferro e altas quantidades de proteínas, potássio e sódio.

“Caso seja necessário substituir o leite materno por qualquer motivo, é importante substituir por fórmulas infantis adequadas para cada faixa etária e não por leite de vaca integral”, diz.

Camila afirma que os déficits e erros nutricionais precoces são responsáveis por uma série de problemas. “Envolve o comprometimento das funções intelectuais e predisposição a doenças crônicas como diabetes, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, osteoporose e sem dúvida, a obesidade infantil.” Segundo a nutricionista, “os hábitos alimentares aprendidos na infância, o exemplo dos pais e as estratégias utilizadas ao lidar com quantidades, qualidade do cardápio e sucessivos episódios de recusa alimentar são fundamentais para determinar o comportamento alimentar para a vida toda”.

A empresária Roberta Ming Hallais, mãe de Breno, de 3 anos, e Samuel, de 5 anos, evita os condimentos nas refeições dos pequenos, incentiva a ingestão de frutas, que eles adoram, e não pressiona os filhos a comer, o que também é fundamental, segundo os nutricionistas. “Frutas eles amam e comem todas, de banana a kiwi, não importa a cor. Refrigerantes eu evito dar para eles ao máximo. O Breno, quando esqueço de colocar a salada, ele pede. E só daí ele começa a comer. Faço, principalmente com tomate, cenoura, rúcula e alface. Nesse ponto, a escola também tem ajudado a incentivar hábitos saudáveis.”