Publicado 20 de Abril de 2021 - 5h30

O Aeroporto Internacional de Viracopos é hoje um dos maiores empregadores de Campinas. No local, trabalham 13 mil pessoas nas diversas atividades de operação no sítio aeroportuário. A projeção com a inauguração do novo terminal de passageiros e serviços é gerar milhares de novas oportunidades de trabalho. No planejamento estratégico da expansão de Viracopos, a projeção é que para cada 10 milhões de passageiros são gerados 5 mil novos empregos. O novo terminal terá capacidade para 14 milhões de viajantes por ano na primeira fase. No ano passado, foram transportadas 9,3 milhões de pessoas. Até o final da concessão da Aeroportos Brasil Viracopos, em 2042, a estimativa é que 50 mil postos de trabalho sejam gerados no complexo aeroportuário. Hoje, Viracopos fica atrás apenas da Prefeitura de Campinas em quantidade de trabalhadores. O governo municipal tem atualmente mais de 16 mil servidores. Grandes empresas, como a Robert Bosch, empregam 5 mil pessoas; no Parque D. Pedro Shopping, há 6 mil trabalhadores nos diversos negócios instalados no local e, no Shopping Center Iguatemi, há pelo menos 4 mil pessoas trabalhando em lojas, prestação de serviços e na área administrativa do centro de compras. Especialistas analisam que é muito grande o potencial do terminal na geração de postos de trabalho para profissionais de Campinas e região. Se há vantagens, também é preciso fazer a lição de casa para não deixar escapar a chance de promover emprego e renda. Os investimentos em qualificação profissional e na infraestrutura para atendimento dos trabalhadores são apontados como prioritários. Nomes tradicionais do varejo e da área de alimentação vão abrir lojas na nova área de embarque e desembarque de passageiros no aeroporto. O McDonald’s terá 70 vagas para um novo restaurante. Cenário

O professor da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) Josmar Cappa afirma que o aeroporto hoje é um dos grandes geradores de postos de trabalho em Campinas e região. “A obra do novo terminal de passageiros absorveu um grande número de trabalhadores, mas as novas operações de lojistas, prestadores de serviços e companhias aéreas vão fomentar a geração de postos de trabalho após a entrega do terminal”, diz. Ele acrescenta que a área da construção civil continuará demandando mão de obra com o decorrer da execução do novo plano diretor de Viracopos. Cappa ressalta que as projeções são de que o aeroporto terá mais de 40 mil empregos diretos quando todo o sítio aeroportuário estiver ocupado. “Viracopos será o maior empregador de Campinas e região nas próximas décadas. Serão mais de 40 mil empregos diretos e outros milhares de indiretos. E isso também deve ser observado pelos governantes e os empregadores. As atividades em um aeroporto demandam mão de obra qualificada”, pontua. O acadêmico salienta que a ampliação de voos internacionais vai exigir que mesmo os atendentes saibam inglês ou espanhol. O especialista diz que é preciso estabelecer políticas de qualificação de mão de obra para atender as empresas que operam no aeroporto. “Outra preocupação das autoridades locais e estaduais deve ser de locomoção dos trabalhadores. Muitas pessoas devem vir de outras cidades para trabalhar no aeroporto. Será importante estabeceler uma estrutura rodoviária que permita o trânsito rápido dos trabalhadores e também transporte público de qualidade”, afirmou Cappa. Expectativa

A concessionária Aeroportos Brasil Viracopos, que administra o terminal, informa que “há 13 mil pessoas trabalhando em Viracopos atualmente, sendo 8 mil apenas nas obras de construção do novo terminal de passageiros, no edifício-garagem, nas novas pistas de taxiamento, no novo pátio de aeronaves e na nova pista de acesso”. De acordo com a empresa, a estimativa é de que “a cada 10 milhões de passageiros, 5 mil novos empregos sejam gerados no aeroporto. Dessa forma, ao final da concessão, caso Viracopos atinja a marca de 100 milhões de passageiros, em 2042, seriam cerca de 50 mil empregos gerados.”

Copa atrairá demanda maior para serviços

A Copa do Mundo também deve elevar a demanda de trabalhadores no aeroporto. O proprietário da Calçados Padrão Exportação, Vandoildo Scanavachi, afirma que precisa de dois funcionários para completar o quadro da loja. “O mais difícil é encontrar profissionais qualificados que também falem um segundo idioma para atender os turistas estrangeiros”, diz o empresário.

O gerente da Macarronada Italiana, Cícero Duarte, afirma que toda semana recebe currículos de pessoas interessadas em trabalhar no restaurante. “Nosso quadro hoje está completo. Empregamos

42 pessoas. Recebemos pelo menos 50 currículos por mês. Preferimos formar a mão de obra que trabalha no restaurante”, diz o responsável pela unidade no aeroporto do tradicional restaurante campineiro. (AL/AAN)

Azul dá impulso a negócios e crescimento do terminal

Um dos grandes empregadores no Aeroporto Internacional de Viracopos é a Azul Linhas Aéreas Brasileiras. A empresa impulsionou o setor de passageiros do terminal e a criação de novos negócios. O diretor de Comunicação, Marca e Cultura da Azul, Gianfranco Beting, afirma que a empresa tem hoje 10 mil funcionários em todo o Brasil. “Sendo que 26% deles trabalham em áreas como operação de voo, manutenção, logística e distribuição de material aeronáutico, comissário de bordo, cargas e aeroporto”, diz.

Ele comenta que, se comparado com março de 2013, o quadro de funcionários em Campinas aumentou 19% neste ano. “A contratação de mais funcionários depende da malha aérea vigente. Assim, a perspectiva de novas contratações só surge com o incremento de novos voos da malha. Para os próximos meses, não há nenhuma definição de novas contratações”, pontua.

O diretor salienta que há dificuldade em encontrar mão de obra qualificada, especialmente na área de manutenção. “No entanto, a Azul investe em programas de treinamento e de capacitação de funcionários assim que contratados. Nas demais áreas, como aeroportos e cargas, não falta mão de obra, mas são poucos os candidatos a vagas que falam inglês fluente”, afirma. (AL/AAN)