Publicado 24 de Abril de 2021 - 18h39

Por Kátia Fonseca/ Correio Popular

A captação de áudio e vídeo de cada ator foi feita separadamente e unida apenas na edição

Divulgação

A captação de áudio e vídeo de cada ator foi feita separadamente e unida apenas na edição

Trazer a grandiosidade de uma ópera para o universo digital é um desafio e tanto. Pois o jovem Felipe Venâncio, de 31 anos, encarou a tarefa com maestria ao assumir a direção artística de La Serva Padrona, de J. B. Pergolesi. O resultado poderá ser visto no YouTube a partir de hoje até dia 30, sempre às 20h. O projeto é uma realização do coletivo Ocupação Lírica de Teatro Itinerante.

A ópera em seu formato original foi apresentada em 2019 pela Orquestra Sinfônica de Indaiatuba, já sob a direção de Venâncio. “Mas esse formato virtual é completamente diferente. Foi realmente uma nova concepção. Tivemos que redesenhar o projeto conforme a ‘música pandêmica’”, diz o diretor, referindo-se à obrigatoriedade do isolamento social em decorrência da pandemia do coronavírus.

A ideia inicial era conceber a ópera com cenário mais simples - originalmente, tinham cinco palcos em cima do palco principal – e filmar os cantores-atores em suas cenas originais. “Mas o elenco estava desconfortável para fazer as gravações com todo mundo junto, temerosos por causa da pandemia”, conta Felipe Venâncio. E foi, então, que surgiu a completa reestruturação do espetáculo. “Fizemos a captação de áudio e vídeo em separado, de cada ator, e juntamos apenas na edição. Entraram elementos de animação - como se fosse um liveaction – e elementos gráficos nos cenários, nos objetos de cena, nos quadros... tudo se mexe.”

Felipe diz que não queria fazer apenas um teatro filmado: “Não queríamos ficar no meio termo - entre teatro e cinema -, e nem ser teatro gravado, ópera gravada. Então, mergulhamos no universo do audiovisual, sem perder o caráter do teatro. Os elementos do audiovisual foram usados para potencializar o teatro.”

Segundo o diretor, a grande vantagem deste formato digital é poder alcançar um público maior. E a principal desvantagem é a falta de troca com este público. “Os atores se queixaram, também, da falta do outro, de contracenar ao vivo... Eles tiveram de contracenar com o vento, com o nada...”

Mas o desafio foi vencido: “Esse projeto acabou virando parte do meu mestrado na Unicamp, no qual estou pesquisando a preparação corporal para cantores de ópera. Então, esse espetáculo virou o meu xodó”, revela o artista.

Sinopse

La Serva Padrona conta a história de um rico solteirão e uma empregada que sonha em se tornar patroa e trama para se casar com o patrão. Escrita por Giovanni Battista Pergolesi em 1733, a ópera bufa faz uma inversão irônica de valores, ao apresentar um patrão, Uberto, que é oprimido pela sua criada Serpina, a tal ponto que pensa em arranjar uma esposa para se livrar dela. Serpina, então, convence o outro criado, Vespone, a dar um golpe no patrão para ela se tornar a patroa de fato. A trama mostra a esperteza das pessoas do povo triunfando sobre a avareza da burguesia, numa divertida sátira social.

O diretor

Felipe Venâncio nasceu em São Paulo e mora em Campinas desde 2010, quando entrou na Faculdade de Artes Cênicas, na Unicamp. Em seu currículo profissional, já assinou a direção de outras óperas, como Bastien und Bastienne e A Flauta Mágica, ambas de W A Mozart, em 2017; La Traviata, de Giuseppe Verdi; Gianni Schicchi, de Giacomo Puccini, em 2018; e O Morcego, de Strauss II, em 2019; além desta La Serva Padrona.

Anote

Ópera La Serva Padrona, de Pergolesi

A partir de hoje até dia 30, sempre às 20h

No YouTube da companhia: https://linktr.ee/ocupacaolirica .

Acesso gratuito. Todas as apresentações terão interpretação em libras

Escrito por:

Kátia Fonseca/ Correio Popular