Publicado 29 de Abril de 2021 - 12h09

Por Mariana Camba/ Correio Popular

A obstetra Adriana Gomes Luz, do Caism: vacina é segura para gestantes

Kamá Ribeiro/ Correio Popular

A obstetra Adriana Gomes Luz, do Caism: vacina é segura para gestantes

O Ministério da Saúde incluiu um novo grupo prioritário na vacinação contra a covid-19 na última terça-feira, que visa à imunização das pessoas com comorbidades, deficiência permanente, gestantes e puérperas. Esse contingente será atendido em duas fases. Segundo a Pasta, a previsão é que até o fim de maio os imunizantes sejam enviados aos estados para a administração da primeira dose no público alvo. O Ministério ressaltou, entretanto, que depende da entrega das vacinas para fazer a distribuição.

A empresária Tanara Danilevicz: “Quando chegar a minha vez vou assegurar a minha dose”

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Na primeira fase serão vacinadas, a despeito da idade, as pessoas com síndrome de Down, com doença renal crônica (em diálise), gestantes e puérperas com comorbidades. Também serão atendidas as pessoas com comorbidades de 55 a 59 anos, e as com deficiência permanente cadastradas no Programa de Benefício de Prestação Continuada (BPC), também na faixa etária dos 55 a 59 anos.

A segunda fase imunizará proporcionalmente, segundo as faixas etárias (de 50 a 54 anos, 45 a 49 anos, 40 a 44 anos, 30 a 39 anos e 18 a 29 anos), as demais pessoas com comorbidades, com deficiência permanente cadastradas no BPC, gestantes e puérperas, independentemente das doenças pré-existentes. A estimativa é que existam mais de 28 milhões de pessoas que façam parte deste novo grupo prioritário. Destas, segundo o Ministério da Saúde, cerca de três milhões são gestantes e puérperas, média anual registrada no país.

Para a vacinação prioritária na primeira fase, as gestantes com comorbidade vão precisar comprovar a condição de risco por meio de documentos como exames e receitas. Segundo o órgão, as mulheres grávidas poderão tomar qualquer vacina do vírus inativado, respeitando os intervalos entre as doses e o período de 14 dias, caso a gestante tenha recebido a vacina da gripe. As pessoas com comorbidades também deverão comprovar a condição pelo pré-cadastro no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI) ou por meio de documentos como exames e receitas médicas.

Para os pacientes em diálise, a recomendação do Ministério é realizar a vacinação nas clínicas de diálise, como forma de diminuir a exposição ao vírus. Para a médica obstetra do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) e representante da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) na Câmara Técnica Assessora em ações integradas a Assistência à Gestante e Puérpera no contexto da covid-19, Adriana Gomes Luz, a mudança é importante para as grávidas.

Antes da mudança, elas estavam sendo imunizadas apenas se fizessem parte dos grupos prioritários que estão sendo atendidos no momento, como o dos profissionais da saúde e da educação. "Nós, da Câmara Técnica, nos esforçamos para que esse grupo fosse priorizado, tendo em vista que as gestantes correm risco, se infectadas pelo novo coronavírus, de desenvolver a forma grave da doença ou vir a óbito", afirmou Adriana.

Segundo a médica, até o momento não há resultados de estudos que analisem os efeitos da vacina contra a covid-19 em mulheres grávidas em longo prazo. Mas, as gestantes que receberam as doses foram acompanhadas e estão em segurança e protegidas. "O que sabemos é que a vacina é segura para essas mulheres. Por isso sugerimos a vacinação desse grupo", explicou Adriana. De acordo com a obstetra, é importante que o médico converse com a paciente para explicar a importância do imunizante, e informar que ainda não há estudos específicos que vise essa população. Mas que existem informações que garantem a diminuição do risco de evolução da doença depois da imunização.

Entre janeiro a abril deste ano houve um aumento significativo dos casos graves e de óbitos de grávidas no Caism, segundo Adriana. Acredita-se que esse cenário tenha relação com as novas variantes da covid-19, segundo a médica. O pior período de registros da doença no ano passado foi em julho. Naquele mês, dentre todos os partos realizados, em 5% deles as mães testaram positivo para a covid-19.

O pior mês este ano, até o momento, foi março. Em 10% dos partos realizados no mês as gestantes estavam infectadas pelo novo coronavírus. "Ao compararmos os piores meses de 2020 (julho) e 2021 (março), dentre os casos positivos da covid-19, percebemos o aumento dos quadros respiratórios graves. Por isso a nossa busca para garantir a segurança dessas mulheres o quanto antes", concluiu a obstetra.

‘Vou buscar essa proteção assim que for permitido’

Grávida, a empresária Tanara Danilevicz, 35 anos, afirmou que está ansiosa para receber a vacina. "Nós estamos passando por um momento delicado e difícil há meses. E ser imunizada é um desafio. Eu tenho um filho de dois anos, e estou grávida de oito meses. Então, com certeza, quando chegar a minha vez vou assegurar a minha dose, pelo meu bem e o da minha família", garantiu.

A empresária afirmou que a programação para a imunização das gestantes estava muito confusa. Ela tem amigas grávidas que receberam a dose, mesmo sem fazer parte dos grupos prioritários que estão sendo atendidos no momento, e amigas que não conseguiram receber a vacina.

De qualquer forma, Tanara ressaltou que quando as doses forem liberadas, ela quer ser a primeira da fila para receber o imunizante. "Ainda não consegui conversar com o meu médico a respeito, mas essa é uma decisão em conjunto. É difícil ter receio da possível reação da vacina, diante do medo que sinto em relação à covid-19. Com certeza o receio de ser infectada é maior", admitiu.

A empresária disse que enxerga a vacina como uma segurança. "Vou buscar essa proteção assim que for permitido. Mas é importante que os responsáveis pela campanha divulguem a programação da maneira mais clara possível, para que todos tenham acesso a essas informações", concluiu.

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Mariana Camba/ Correio Popular