Publicado 27 de Abril de 2021 - 11h41

Por Erick Julio/ Correio Popular

Placa anuncia imóvel comercial para aluguel no Centro de Campinas: cenário de quebradeira geral com diversas lojas fechadas na pandemia

Kamá Ribeiro/ Correio Popular

Placa anuncia imóvel comercial para aluguel no Centro de Campinas: cenário de quebradeira geral com diversas lojas fechadas na pandemia

A Comissão Especial de Estudos da Câmara Municipal, criada para analisar os impactos econômicos e sociais da pandemia do coronavírus em Campinas (SP), fez uma nova reunião na manhã de ontem. O economista-chefe da ACIC (Associação Comercial Industrial de Campinas), Laerte Martins, convidado pelo presidente da comissão, o vereador Luiz Rossini (PV), apresentou dados que mostraram que o efeito da covid-19 na economia local foi "bastante volumoso". De acordo com o especialista, o setor do comércio e serviços foi o mais afetado e já acumula uma perda de faturamento de cerca de R$ 2 bilhões desde o início da pandemia.

"O comércio é sem dúvida o setor mais marcado e teve um impacto bastante negativo. As vendas das empresas foram atingidas profundamente. Se levarmos em conta a Região Metropolitana de Campinas (RMC), a perda acumulada, desde março de 2020, chega a R$ 7 bilhões", aponta Martins, que explicou que o setor tem uma participação "preponderante" no que diz respeito a distribuição dos empregos formais, que são aqueles com carteira assinada.

Segundo o economista da ACIC, o setor do comércio e serviços emprega 22% da mão de obra de Campinas. Ainda de acordo com Martins, a cidade fechou 2020 com 108 mil desempregados. "O pior impacto no mercado de trabalho aconteceu em abril de 2020, quando tivemos um número forte de demissões. Em Campinas, foram 9,7 mil trabalhadores que perderam o emprego. Na RMC, excluindo Campinas, 13 mil vagas foram fechadas", destaca.

Desemprego

A quantidade de desempregados em Campinas, no acumulado de 2020, é reflexo, segundo o economista, do fechamento de empresas do setor de comércio. Só em Campinas 3,8 mil estabelecimentos foram encerrados e na RMC o número chega a 9,7 mil. De acordo com ele, a maioria das empresas fechadas é de porte médio, pequeno e micro.

A piora nos casos de covid-19, registrada no início deste ano, traz uma perspectiva negativa, segundo Martins. "Tendo em vista os efeitos dessa segunda onda de contaminação e os consequentes fechamentos, eu acredito que este mês de abril não deve ter um resultado positivo". Os impactos da pandemia no setor de comércio e serviços são visíveis no Centro de Campinas. Ao caminhar pelas ruas da região central é possível notar inúmeras placas de aluga-se.

Ricardo da Silva Passos, 51 anos, foi um dos comerciantes atingidos pelos efeitos da pandemia. Ele era proprietário de duas lojas na Rua Dr. César Bierrembach, uma de roupas e artigos femininos e outra de presentes. Por conta dos fechamentos, Passos explica que não conseguiu mais pagar as contas e precisou encerrar um dos seus negócios, que funcionava no local há 30 anos.

"Não teve jeito. Estava difícil conseguir pagar as contas de água, luz, impostos e o aluguel. Eu tive que demitir os dois funcionários a partir do momento que ficamos mais fechados do que abertos. Era uma loja de presentes que estava aqui no mesmo ponto há 30 anos e que infelizmente eu tive que fechar para conseguir manter a outra", diz o comerciante que revelou que para continuar com a loja de roupas femininas foi preciso reduzir o número de funcionários de quatro para dois.

O relato de Passos ilustra a situação de muitas empresas, segundo o economista da ACIC. Para Martins, a sobrevivência do setor depende da criação de auxílios para os trabalhadores, que são potenciais consumidores, e para as empresas, especialmente as micro e pequenas. Na avaliação do economista, falta uma "efetiva" coordenação do Governo Federal. "O auxílio emergencial do ano passado teve um efeito importante em uma retomada da economia no segundo semestre. Agora, em 2021, só essa medida não será suficiente. É preciso um socorro às empresas com medidas fiscais e linhas de financiamento que cheguem às pequenas empresas", indica Martins.

O comerciante da Rua Dr. César Bierrembach conta que tentou obter recursos e empréstimos dos governos federal e estadual, além de bancos, mas não teve sucesso. "Eu tentei o Pronampe [Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte], auxílios do governo estadual e crédito nos bancos e não consegui. Até questionei se havia algum problema com meu nome ou da loja, o que não há. Infelizmente não consegui", conta.

Durante a reunião na Câmara, os vereadores Cecílio Santos (PT), Débora Palermo (PSC), Guida Calixto (PT) e Paulo Gaspar (Novo) sugeriram medidas que podem contribuir para uma retomada do setor do comércio. Para Débora e Gaspar, é preciso discutir a possibilidade da expansão do horário de abertura dos comércios. "O horário estendido é importante para evitar o acúmulo de pessoas nesse momento de pandemia", aponta a vereadora do PSC.

Os vereadores do PT, por sua vez, defenderam que a Prefeitura precisa instituir um auxílio emergencial para famílias e para as pequenas e microempresas. De acordo com Santos, "isso é urgente e, se não chegar rápido, pode ser tarde demais, tendo em vista o número de empresas que já fecharam".

Ao fim do debate, o presidente da comissão explicou que a próxima reunião vai convidar os secretários de Assistência Social e Educação, Vandecleya Elvira do Carmo Silva Moro e José Tadeu Jorge, respectivamente.

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Erick Julio/ Correio Popular