Publicado 26 de Abril de 2021 - 11h07

Por Mariana Camba/ Correio Popular

Feliz da vida, Maria da Penha Rodrigues, 60 anos, ao fundo, recebe doações de alimentos e produtos de higiene na Garagem do Bem, ação solidária criada por duas amigas de Sumaré

Diogo Zacarias/ Correio Popular

Feliz da vida, Maria da Penha Rodrigues, 60 anos, ao fundo, recebe doações de alimentos e produtos de higiene na Garagem do Bem, ação solidária criada por duas amigas de Sumaré

As ações solidárias tornaram-se ainda mais importantes diante da crise gerada pela covid-19. Muitas famílias em situação de extrema pobreza recorreram à ajuda de pessoas desconhecidas, que se uniram em prol do bem estar e da garantia das condições mínimas de sobrevivência. Com o intuito de acolher os que precisam, duas amigas moradoras de Sumaré criaram o projeto Garagem do Bem, antes mesmo da pandemia surgir. Mas com a chegada do novo coronavírus, a vulnerabilidade social ficou ainda mais em evidência, o que fez com que dobrasse o número de atendimentos do projeto. Atualmente a Garagem do Bem atende 620 pessoas, com alimentos, roupas, dentre outras doações.

Segundo a pedagoga Renata Alves, idealizadora da ação solidária, o projeto atende os moradores de quatro bairros de Sumaré: Vila Davina, Jardim Conceição (Nova Veneza), Parque Jatobá, e Jardim Vitória. "As doações que chegam não são suficientes para atender todas as famílias, da maneira que elas necessitam. Por isso, tivemos que fazer um cadastro para conhecermos melhor a realidade de cada um", afirmou Renata. Assim, as famílias em situações mais precárias foram priorizadas. O objetivo, segundo ela, é partilhar as doações que chegam para que cada um receba um pouco, e ninguém deixe de ser acolhido.

O projeto idealizado por Renata e sua parceira Cláudia Medeiros possui limitações. De acordo com a pedagoga, se fosse suprir todos que demonstram interesse pelo atendimento, cinco mil pessoas teriam de ser beneficiadas. Dentre as mais de 600 pessoas cadastradas, há 154 famílias com 180 crianças. A demanda começou a aumentar em junho do ano passado. "A maioria das pessoas que acolhemos trabalha sem registro. As mulheres atuam como empregadas domésticas e os homens como pedreiro. Com o isolamento social eles não tiveram como trabalhar. Por isso, alguns meses depois do início da pandemia, a situação ficou desastrosa", explicou a Renata. Antes da chegada da covid-19, o projeto atendia 80 famílias.

A Garagem do Bem surgiu em 2016, quando a Renata e a Cláudia atuavam em uma ONG de Sumaré. O trabalho da organização inspirou as amigas, que decidiram criar um projeto próprio para atender mais famílias de outras regiões da cidade. A primeira ação delas foi pontual, sem pretensão de continuar. "A gente se uniu pela primeira vez durante o Natal. Arrecadamos alimentos, roupas e brinquedos para quem precisava. Não tínhamos pensado em prestar essa ajuda a longo prazo. Mas depois dessa primeira experiência, decidimos continuar trazendo sorrisos para as pessoas que estão acostumadas com o sofrimento", lembrou Renata.

Em 2017 as amigas deram continuidade à ação solidária. Começaram a pedir mais doações e a divulgar o projeto nas redes sociais. Conforme elas iam recebendo os alimentos, roupas e objetos, eles iam sendo armazenados na garagem da casa da Renata, por isso a ideia do nome: Garagem do Bem. "Não temos dias específicos para a ação. Conforme recebemos as doações, checamos quem está precisando do mantimento, e o levamos até a família", explicou Renata. Segundo a pedagoga, desde o início do ano passado, a campanha focou mais na arrecadação de alimentos, devido a um aumento expressivo no número de pessoas sem ter o que comer.

O ato de doar traz felicidade também para as pessoas que ajudam. De acordo com as fundadoras, quando é possível atender pessoas necessitadas, mesmo que seja com um pouco, o coração aquece de uma maneira diferente. "Lembro-me de um momento marcante. Fui à casa de uma mãe, que nos pediu ajuda. Quando entrei, vi que no armário dela tinha apenas três pacotes de sal, mais nada. Não consigo imaginar como, ainda assim, as pessoas conseguem sobreviver, e encontrar meios de continuar lutando. Quando acolhemos essas famílias, isso nos traz a certeza de que estamos no caminho certo, que o nosso propósito é propagar o bem", garantiu Renata.

Queda nas doações

Hoje, as amigas estão focando na divulgação do projeto, para tentar receber mais doações. Depois do "boom" de ajuda que receberam no início do no passado, desde dezembro elas perceberam que as contribuições diminuíram. A queda nas doações é de 60%, enquanto a procura por ajuda tem aumentado. "Para tentar reverter esse cenário, estamos fazendo algumas campanhas. O intuito é lembrar as pessoas da importância da solidariedade. Tem gente que, se não recebe a nossa ajuda, passa fome". Quem puder ajudar a Garagem do Bem deve entrar em contato com a Renata através do telefone: (19) 9 8318-8302, ou com a Cláudia por meio do número: (19) 9 8189-7955. Quanto mais doações, mais famílias serão acolhidas.

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Mariana Camba/ Correio Popular