Publicado 23 de Abril de 2021 - 14h23

Por Mariana Camba/ Correio Popular

A jornalista Maria Isabel Hossri Curado e a filha Maria Júlia em sessão de leitura conjunta: hábito transmitido de geração para geração

Diogo Zacarias/ Correio Popular

A jornalista Maria Isabel Hossri Curado e a filha Maria Júlia em sessão de leitura conjunta: hábito transmitido de geração para geração

Hoje é celebrado o Dia Mundial do Livro. As obras literárias são consideradas companheiras e tornaram-se ainda mais importantes durante a pandemia, por serem um aconchego ou um melhor amigo em tempos de isolamento social. A imersão nas histórias faz com que os leitores sejam transportados para lugares e tempos distantes, mesmo sem sair do lugar. Assim o livro transcende décadas e permanece com a sua essência intacta, revelando cada vez mais o poder da literatura na formação do ser humano e no acesso ao conhecimento.

A bibliotecária-chefe da Biblioteca Pública Municipal "Professor Ernesto Manuel Zink", Suze Elias, afirma que durante a pandemia, principalmente nos meses em que tudo estava fechado, muitas pessoas ligaram pedindo por um livro como forma de escape da nova realidade, marcada pelo distanciamento social. Nem todos, porém, puderam ser atendidos, principalmente, os que não tinham recursos para comprar ou acessar de forma remota uma obra. "As pessoas acham que todo mundo tem internet em casa, mas essa não é a realidade. Nós recebemos muitas doações de obras literárias, e para ajudar entrei em contato com alguns projetos sociais que promoveram o acesso aos livros para os moradores das periferias de Campinas", contou Suze.

A Zink é a maior e mais antiga biblioteca pública da cidade. Este ano, o espaço completa 75 anos, de acordo com Suze. O acervo conta com cerca de 60 mil obras, de diversos gêneros, como gibis, coleções especiais obras raras e um setor exclusivo para publicações em braile. Neste momento, quando há a devolução do livro, a obra fica em quarentena por 14 dias, para garantir a segurança do leitor, pois não são todas as capas que permitem a higienização com o álcool, segundo a bibliotecária. "As pessoas gostam de ler, e quando não podem por algum motivo, sentem falta. Não imagino um mundo sem livro. É ele que dá sentido ao ser humano. Eu, quando leio, me reconheço nas histórias, me projeto nas obras, aprendo com as conversas e os diálogos", afirmou Suze.

Mais leitores

Segundo o presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Vitor Tavares, as obras literárias são essenciais no dia a dia de qualquer cidadão, porque elas são capazes de transformar vidas. Para ele, os livros têm o poder de conectar o passado ao presente e, assim, fazer com que se criem pontes para o futuro, através das palavras e da escrita. "Um país como o Brasil é carente de leitura. Temos a média de 2,5 livros lidos por ano, sendo que produzimos cerca de 400 milhões de exemplares anualmente", considerou Tavares.

Para que surjam novos leitores que tenham prazer ao ler as obras é necessário educar as crianças para que elas criem esse hábito, e não tenham a leitura como uma obrigação, segundo Tavares. "Apenas desta forma é possível formar o leitor para a vida toda", acrescentou. Segundo o presidente da CBL, há a necessidade de políticas públicas que estimulem a leitura e o acesso aos exemplares, através de pontos culturais, que fomentem a contação de histórias. "Não consigo imaginar um país com uma educação de alto nível, sem bons livros. Hoje em dia, quem mais incentiva a leitura são os professores e em segundo lugar, a família. Por isso precisamos dessa união em prol das histórias, para que elas continuem promovendo finais felizes fora das páginas", concluiu Tavares.

A jornalista Maria Isabel Hossri Curado, 38 anos, faz parte das famílias que passam aos mais jovens o prazer da leitura, para que desde cedo as crianças possam se aproximar dos livros e criar um elo de cuidado com os exemplares. Maria Isabel é mãe da Maria Júlia, de quatro anos. Ela lê para a filha desde a gestação. "Eu me apaixonei pelos livros por causa do meu avô. Até hoje, há uma biblioteca na casa dela. Foi lá que aprendi a ter esse gosto pela leitura. Quando eu fiquei grávida da Maria Júlia, os livros fizeram parte do enxoval. Até hoje faço o possível para que minha filha compartilhe desse amor comigo, assim como o meu avô fez quando eu tinha a idade dela", lembrou a jornalista.

Maria Isabel, o universo dos livros é mágico, pois os contos são capazes de se tornarem os melhores amigos de quem acompanha suas histórias. "Eu e a minha filha aprendemos com os contos, nos divertimos, e sonhamos", afirmou a jornalista. Antes da pandemia, o passeio preferido de mãe e filha era ir às livrarias. A leitura antes de dormir se tornou rotina para Maria Júlia. "É nesse momento que a magia acontece", acrescentou Maria Isabel.

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Mariana Camba/ Correio Popular