Publicado 22 de Abril de 2021 - 13h22

Por Adriana Giachini/ Correio Popular

Syngenta investiu US$ 6,1 milhões (R$ 25 milhões)  em uma estação de tratamento para gerar água de reuso

Divulgação

Syngenta investiu US$ 6,1 milhões (R$ 25 milhões) em uma estação de tratamento para gerar água de reuso

Syngenta investiu US$ 6,1 milhões (R$ 25 milhões) em uma estação de tratamento para gerar água de reuso

Cada vez mais no Brasil, assim como no resto do mundo, a expressão "agricultura regenerativa" é utilizada pelos que buscam unir, de modo harmonioso, economia e sustentabilidade na relação homem-meio ambiente. O conceito propõe uma discussão sobre o futuro do Planeta e alternativas com foco na recuperação de ecossistemas. O termo, cunhado pelo norte-americano Robert Rodale, se distingue da agricultura sustentável, uma vez que não se preocupa tanto em manter os recursos quanto melhorá-los, incentivando a inovação contínua e novas medidas ambientais, sociais e econômicas.

É justamente inspirada no conceito de "regenerativa", também chamada de agricultura positiva para a natureza, que unidade de Paulínia da Syngenta, multinacional especializada em sementes e produtos químicos voltados para o agronegócio, comemora a recente inauguração de sua nova estação própria de tratamento para gerar água de reuso.

Após 18 meses, entre projeto e construção, e investimento de US$ 6,1 milhões (algo em torno de 25 milhões de reais), a nova estação faz uso de tecnologias modernas para tratar 100% dos efluentes sanitários gerados nas instalações e promete poupar anualmente até 40 milhões de litros de água do sistema público, contribuindo assim para a sustentabilidade em uma região com histórico recorrente de escassez hídrica.

Esta é a primeira unidade da Syngenta no mundo a implementar um projeto como esse. A iniciativa, de acordo com a empresa, se conecta aos compromissos assumidos pelo Plano de Agricultura Sustentável da companhia, entre os quais se destaca a contribuição com a meta do Acordo de Paris sobre mudança climática, bem como o compromisso da SBTi (Science Based Targets) que busca mobilização das grandes empresas - especialmente na agricultura - para impedir um aumento da temperatura global acima de 1,5 °C nos próximos anos.

A agricultura, como se sabe, é uma das responsáveis pelo aumento de temperatura, uma vez que as emissões do setor, somadas ao desmatamento para a conversão de terras para o cultivo, representam algo entre 17% e 32% de todas as emissões de gases de efeito estufa provocadas por atividades humanas.

"A Syngenta, como líder mundial de tecnologias para o campo, compreende que seu papel também é pensar, desenvolver e colocar em prática projetos que auxiliem para a construção de uma sociedade mais sustentável, ou seja, ambientalmente e economicamente equilibrada. A nova estação é parte dessa nossa preocupação", diz o porta voz da empresa, Rafael Barufaldi, que é gerente de Saúde, Segurança e Meio Ambiente.

Para ele, o pioneirismo da Unidade de Paulínia Syngenta é acompanhado pelas outras sedes da companhia, assim como possíveis desdobramentos e resultados da EPAR (Estação para Água de Reuso), com a pretensão futura de replicar o modelo pelo mundo. "A Syngenta acredita que o futuro - e já o presente - da agricultura e do mundo perpassa pela luta contra as mudanças climáticas, pelo cuidado e manutenção da biodiversidade. Assim, seus principais investimentos e energias têm sido direcionados para tecnologias e projetos que trazem em seu cerne compromissos globais para reduzir a pegada de carbono, bem como para ajudar os agricultores a lidar com os extremos causados pela mudança climática."

Neste contexto, o profissional volta a destacar a sinergia do projeto com os preceitos da agricultura regenerativa. "E não se trata de uma tecnologia específica, mas de práticas agrícolas que ajudam a obter os resultados que queremos. Ou seja: buscamos produtividade mais alta, porém com captura de carbono no solo e redução de emissões de gases de efeito estufa; com proteção da biodiversidade; com redução do uso de irrigação em áreas com recursos hídricos limitados; e a contínua otimização do volume de produtos de proteção de cultivos e de fertilizantes. Para nós, em particular, do uso de nitrogênio para reduzir as emissões de óxido nitroso."

Projeto propõe que reuso seja obrigatório

Em setembro do ano passado, o deputado Geninho Zuliani (DEM-SP) levou ao Senado texto de sua autoria do Projeto de Lei 2451/20 que busca tornar obrigatório o reuso da água, proveniente da chuva, de estações de tratamento de esgoto ou do tratamento de líquidos do processo industrial, em novas edificações públicas, residenciais, comerciais e industriais.

A proposta, que segue em tramitação na Câmara dos Deputados, torna o reuso da água obrigatório em cidades para as quais a lei exija plano diretor, sendo optativo nas demais. Um dos objetivos, segundo o texto, seria ofertar alternativas o aproveitamento da água de reuso e priorizar a oferta de água potável para o consumo humano.

Ainda de acordo com o autor do projeto, tanto a Lei das Águas (Nº 9.433/1997 que dispõe sobre a Política Nacional de Recursos Hídricos) quanto a Lei de Saneamento Básico (Nº 11.445/2007) não preveem nada sobre o reuso, justificando a necessidade de uma nova legislação.

Vale lembrar que o Brasil, segundo pesquisa do Instituto Trata Brasil, feita em parceria com a Water.org , divulgada em 2020, vem aumentando o desperdício de água potável nos últimos anos. Como comparação, o estudo aponta que 38,8% da água potável produzida no país foi perdida durante a distribuição em 2018, o ano mais recente com os dados disponibilizados. O índice em 2015 era de 36,7%. Dados apontam que países mais desenvolvidos têm níveis inferiores a 20%.

Redução de carbono na agricultura é outra meta

Segundo Rafael Barufaldi, a nova estação de tratamento própria para água de reuso de Paulínia é parte das ações propostas pela Syngenta no Plano de Agricultura Sustentável da companhia. Criado em 2013, o projeto estabelece ações do grupo em prol do desenvolvimento das comunidades rurais a partir da agricultura sustentável. Desta forma, e até 2020, o trabalho esteve concentrado na aliança com agricultores, instituições acadêmicas, ONGs, governos e outras organizações para compartilhar informações e fomento de uma nova cultura de cultivo.

Agora, na chamada na segunda fase, o plano está focado em medidas que reduzirão a pegada de carbono presente na atividade agrícola. Para tanto, a companhia revelou investimento de US$ 2 bilhões em agricultura sustentável até 2025 e o compromisso de lançar duas tecnologias disruptivas a cada ano.

"As tecnologias disruptivas anunciadas no nosso Plano de Agricultura Sustentável envolvem diversas áreas e projetos da empresa. De modo geral, são tecnologias desenvolvidas para auxiliar o agricultor e a sociedade a atingirem patamares mais sustentáveis, por meio do investimento anual médio de US$ 1,4 bilhão em pesquisa e desenvolvimento, para a adoção de ferramentas de ponta", explica Barufaldi.

Entre os exemplos concretos está o uso da Inteligência Artificial no desenvolvimento de defensivos agrícolas. A Syngenta assinou há poucas semanas um termo de colaboração com a Insilico Medicine, empresa chinesa conceituada no ramo da biotecnologia, que prevê a utilização de IA para o desenvolvimento de novas moléculas de agrotóxicos. Com a parceria, a companhia pretende acelerar as pesquisas nessa frente e reduzir custos, além da exclusividade de atuação com a Insilico no setor agrícola.

Também o uso de ferramentas digitais, de acordo com a empresa, permite a aplicação mais precisa de insumos, focalizadas em pontos específicos do talhão, contribuindo para otimizar o uso geral de água e direcionar o uso preciso de fertilizantes e agroquímicos. São ferramentas que têm como base a Inteligência Artificial, com grande volume de informações que possibilitam um mapa completo da lavoura e, por conseguinte, uma gestão mais estratégica permitindo até 89% de redução do uso de insumos na safra 20/21.

A Syngenta também tem investido em produtos biológicos no campo. Trata-se de uma importante nova classe de controles e estimulantes baseados em compostos e organismos totalmente naturais. No ano passado, o Syngenta Group adquiriu a Valagro, uma empresa líder em biológicos com sede na Itália.

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Adriana Giachini/ Correio Popular