Publicado 22 de Abril de 2021 - 11h46

Por Gilson Rei/ Correio Popular

Frequentadores praticando esportes do lado externo da Lagoa do Taquaral: campineiro aproveita o feriado para driblar o isolamento social

Diogo Zacarias/ Correio Popular

Frequentadores praticando esportes do lado externo da Lagoa do Taquaral: campineiro aproveita o feriado para driblar o isolamento social

Milhares de moradores de Campinas optaram pelo lazer ontem, no feriado de Tiradentes, e o que marcou a data foi a falta de máscaras para evitar o contágio do vírus da covid-19. As pessoas aproveitaram a folga no meio da semana para sair do confinamento e fazer caminhadas ao ar livre, correr e pedalar em áreas públicas pelos bairros e no entorno da Lagoa do Taquaral e da praça Arautos da Paz, em Campinas.

A grande maioria das pessoas não utilizou máscara, medida básica e fundamental para evitar o contágio do vírus que já infectou 88.634 pessoas e tirou a vida de 2.836 cidadãos no município em um pouco mais de uma ano de pandemia.

Vale lembrar que os 25 bosques e parques da cidade permaneceram fechados por conta da pandemia provocada pelo covid-19. Porém, boa parte da população não se preocupou muito com isso e decidiu sair de suas casas e ter um pouco de lazer ao ar livre nos espaços públicos liberados.

Mesmo com os portões fechados na Lagoa do Taquaral, uma aglomeração de usuários formou-se ontem nas áreas próximas aos quiosques e por todo o entorno da área de lazer. As calçadas ficaram totalmente ocupadas e de forma intensa, com a passagem de esportistas, pessoas em caminhadas, famílias com filhos e cachorros, dividindo o espaço com os ciclistas que circulavam na ciclovia.

Renata Baroni Neves, arquiteta, aproveitou o feriado para fazer uma corrida completa, percorrendo 6 km de percurso. Ela disse que faz normalmente esta corrida três vezes por semana. "Aproveitei o feriado para correr, mas tem bastante gente sem máscara e quem está no local deve tomar todo o cuidado para evitar a aproximação. Venho aqui também porque as academias estão fechadas e tem que buscar áreas para prática da atividade física. Não deixo de correr porque faz bem para o corpo e a mente", comentou.

Edgard Henrique Scaranello, programador de TI, que é casado com Renata, participou também da atividade e reclamou apenas da falta de uso de máscaras. "As pessoas precisam ter mais consciência", disse.

Heitor Santos Mattos, estudante de Direito, estava ontem também comprando uma água de coco nos quiosques, depois de ter feito sua caminhada. "Fiz o máximo para ficar longe das pessoas na caminhada, mas em alguns momentos a aproximação foi inevitável. O que as pessoas precisam entender é que a máscara é importante para evitar a doença", reclamou.

Bairros

Muitos moradores da região Sul de Campinas decidiram caminhar e cuidar da Saúde no feriado de Tiradentes frequentando os canteiros centrais da avenida Baden Pawell, Jardim Nova Europa. Um movimento intenso foi visto pela manhã, com famílias fazendo caminhadas, ciclistas percorrendo pela ciclovia e pessoas seguindo sozinhas a pista. Outros decidiram fazer um passeio com seus cachorros ou cumprir sua corrida costumeira.

Juca Miranda, atleta amador, foi um dos personagens presentes na Baden. Ele apenas ficou irritado com as pessoas que não estavam usando máscara."Tenho esta rotina na avenida todos os dias. Com os parques e bosques fechados, não tem muita opção. Acho mais agradável e seguro. A única coisa ruim é a falta de respeito de alguns que não usam máscara", afirmou. O casal Maria do Socorro Mendes e José Carlos Mendes, decidiu também dar uma volta com a filha Jéssica como forma de lazer e também se queixaram da falta de proteção no rosto. "É importante sair um pouco do confinamento. Faz bem para cabeça. Pena que tem gente sem noção e sem máscara", comentou José Carlos.

Na Avenida José de Souza Campos, Via Norte-Sul, no Cambuí, os canteiros centrais também estavam bem movimentados, com poucos usuários usando máscara. Marcelo Justino, programador de TI, disse que as caminhadas já fazem parte da rotina. "Faço minha caminhada quatro vezes na semana e aproveitei o feriado. Acho fundamental para o corpo e para a mente. Apenas lamento que alguns não estão usando máscara", afirmou. Já o consultor financeiro, Mário Junqueira, disse que foi caminhar para emagrecer um pouco. "Fico muito tempo parado em home nesta pandemia. Aproveitei o feriado para me movimentar um pouco", disse.

Comércio da 13 de Maio atrai centenas de pessoas

O movimento no comércio de Campinas foi mais intenso ontem no calçadão da Rua 13 de Maio, onde os consumidores foram às compras para aproveitar a folga e fazer um passeio. Alguns circularam sem máscara, mas a maioria respeitou as regras sanitárias para evitar o contágio. A abertura do comércio foi facultativa neste feriado de Tiradentes e 60% das lojas abriram para atender o público na região central.

Patrícia Silva, professora, foi ontem ao Centro fazer uma entrega de marmita, que ela está fazendo para ajudar na renda durante este período de pandemia. "Fiz uma entrega de marmita e aproveitei para comprar uma mochila que vou dar para meu filho", disse. "Aproveitei também porque não sei se o comércio vai fechar novamente", comentou.

Jéssica Ribeiro, vendedora, disse que estava de folga e aproveitou para fazer a compra de um presente para o Dia das Mães. "Vou ter que trabalhar nos próximos finais de semana e não tinha outra data", comentou.

Vanessa Sampaio, atendente de loja, e sua prima Lívia Sampaio, vendedora, foram juntas para fazer compras e pesquisar preços. "Aproveitei as lojas abertas para comprar o que estou precisando. Vou comprar uma blusa de frio e pesquisar preços para os presentes do Dia das Mães, vendo as promoções", disse Vanessa.

Os comerciantes alegaram que o movimento nas lojas foi 30% inferior, em média, comparado ao volume de vendas de um dia normal da semana. Segundo os comerciantes abordados, as lojas da Rua 13 de Maio tiveram maior movimento.

Rodrigo Ferrari, das Óticas Ferrari, disse que as vendas foram boas, porém um pouco abaixo do esperado para a data. "O movimento foi aproximadamente 30% abaixo neste feriado, comparado ao que é vendido durante a semana. Por ser uma época de pandemia até que o movimento foi bom", comentou.

Iana Pontes, assistente de vendas da Miss Bia Roupas Íntimas, da Rua 13 de Maio, disse que vendeu o equivalente a 60% do volume comercializado durante a semana. "A pandemia está assustando um pouco as pessoas e muitos buscam compras pela internet. Porém, o movimento neste feriado foi até satisfatório por ser em plena situação de pandemia", comentou.

Ariel Munoz, vendedor da Lojas Marabráz, disse que a venda de móveis foi boa na loja da Rua 13 de Maio e que foi fraca na loja da Rua Álvares Machado. "As pessoas aproveitaram o feriados de Tiradentes para comprar móveis e eletrodomésticos, antes do Dia das Mães. As vendas atingiram as expectativas na unidade da 13 de maio, mas ficaram 50% abaixo do que era esperado na outra unidade da Rua Álvares Machado. Teve muita gente fazendo pesquisa de preço e até fizeram encomendas", afirmou.

Dia das Mães

Com o avanço da fase vermelha para a fase de transição do Plano São Paulo, o Departamento de Economia da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) estima que as vendas para o Dia das Mães será de R$ 211,5 milhões, um aumento de 14% em relação ao faturamento de R$ 185,5 milhões registrados em 2020.

Mesmo com este aumento previsto nas vendas, o comércio está longe de recuperar o prejuízo causado no período de pandemia no Dia das Mães do ano passado. Vale lembrar que em 2020, as vendas foram 54,2% inferiores no Dia das Mães, em relação ao mesmo período de 2019.

A Fase de Transição, de acordo com o economista Laerte Martins, diretor da Acic, representará um percentual de 5,5% a mais sobre o faturamento estimado em R$ 200,5 milhões, caso a maior parte das lojas físicas permanecesse fechada na Fase Vermelha nas próximas semanas. A previsão é de que as vendas digitais deverão representar R$ 197,4 milhões, o equivalente a 25,5% a mais na comparação com 2020, quando o e-commerce foi responsável pelo faturamento de R$ 157,3 milhões.

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Gilson Rei/ Correio Popular