Publicado 11 de Abril de 2021 - 18h15

Por Da redação

As máscaras podem até ter ter inscrições ou desenhos, mas é fundmental que protejam adequadamente desde o nariz até o queixo

Diogo Zacarias/ Correio Popular

As máscaras podem até ter ter inscrições ou desenhos, mas é fundmental que protejam adequadamente desde o nariz até o queixo

Sem sinais de que a pandemia de covid-19 caminha para um fim, o uso de máscara de proteção facial segue sendo como uma das principais medidas de segurança para evitar a contaminação e transmissão do coronavírus. Desde março de 2020, os brasileiros se acostumaram - ou deveriam ter se acostumado - a utilizar essa peça como um novo item do vestuário.

Apesar de mais de um ano utilizando máscaras, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre o uso correto e quais são as características dos diferentes modelos disponíveis. Ao caminhar pelas ruas do Centro de Campinas, é possível perceber uma variedade de máscaras de diversos materiais, cores, formas e tecidos. Também é evidente que muitos pedestres ignoram esse elemento de proteção ou o utilizam de maneira errada.

As dúvidas sobre as máscaras são consequência, em alguma medida, do comportamento de quem deveria dar o exemplo. No fim de fevereiro, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) questionou o uso desse tipo de proteção, bem como o isolamento social, durante uma transmissão online, contrariando as recomendações das autoridades sanitárias de todo o mundo, que comprovaram que as duas medidas são eficazes para conter a disseminação da covid-19.

Para esclarecer as dúvidas sobre o uso correto das máscaras, o Correio Popular conversou com a médica Raquel Stucchi, infectologista da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A infectologista lembra que a principal função da máscara facial é "funcionar como uma barreira" para as gotículas que são expelidas quando uma pessoa tosse, espirra ou fala.

"É preciso deixar claro para as pessoas que, apesar das novas variantes do vírus, a covid-19 continua sendo transmitida da mesma forma, ou seja, por meio de gotículas que saem da boca ou do nariz. Por isso, as máscaras funcionam como uma barreira física para essas gotículas. Tanto para a pessoa que estiver com a doença não passar para alguém, quanto para aquela que está saudável não ser atingida pelas gotículas no seu nariz ou boca", destaca Raquel.

Ainda segundo a infectologista, "em 90% das situações" a transmissão se dá por uma gotícula que é "uma partícula mais pesada que as demais e não atinge mais de 1,5 metro de distância". Raquel lembra que há casos sendo estudados de transmissão por aerossol, que são partículas microscópicas liberadas por meio da respiração e da fala que ficam em suspensão no ar.

"Hoje, há a suspeita de casos de transmissão aerossol do vírus, como o que ocorreu em um restaurante na China, onde os cientistas analisaram a possibilidade de as partículas terem sido disseminadas pela corrente do ar-condicionado do estabelecimento", aponta a infectologista, citando episódio ocorrido em um restaurante da cidade de Guangzhou, no país asiático.

Sobre os tipos de máscaras, Raquel defende a eficiência dos equipamentos de proteção feitos de pano. De acordo com ela, essas máscaras funcionam como um bloqueio para as gotículas, mas é importante que sejam confeccionadas com uma dupla ou tripla camada, preferencialmente de algodão, "que é o tecido mais indicado". A infectologia frisa ainda a importância de o equipamento cobrir o nariz, a bochecha e a parte debaixo do queixo.

"Essas máscaras de pano funcionam como uma barreira para transmissão, mas é importante fazer o uso correto e sempre trocá-las quando estiverem sujas ou úmidas. A vantagem dessa máscara é que ela é lavável ao fim do dia. Mesmo com as novas cepas, os equipamentos de pano continuam eficientes", ressalta. Em relação às máscaras cirúrgicas, a infectologista aponta que a "proteção é ainda maior" se comparada com as de tecido, por conta das fibras da composição do material.

"Como as fibras são mais próximas, a porosidade das máscaras é menor e com isso sua capacidade de bloqueio é maior, desde que ela seja fabricada de acordo com as normas técnicas e sanitárias. As pessoas precisam ficar atentas com a origem do produto", alerta. Raquel também destaca que as máscaras cirúrgicas são descartáveis e devem ser trocadas depois de quatro horas de uso ou quando ficarem úmidas.

O descarte deve ser feito em lixo orgânico. A infectologista, no entanto, lembra que o produto tem um custo maior, justamente por não poder ser reutilizada. "Esse é um produto que tem o custo mais elevado. Uma caixa de máscara cirúrgica custa, em media, R$ 50. A pessoa que sai para trabalhar vai usar pelo menos de 5 a 6 por dia. O brasileiro não está conseguindo trabalhar, e mitos não vão conseguir bancar isso", opina.

Outras máscaras analisadas e recomendadas pela infectologista são a N95 e a PFF2, muito utilizadas pelos profissionais da linha de frente do combate ao coronavírus. Raquel aponta que esse é um produto mais caro e é descartável, embora possa ser reutilizado mediante alguns cuidados. "A N95 e a PFF2 são ainda mais eficientes como barreira porque as tramas são ainda mais fechadas e evitam a passagem de microrganismos menores"

Não à toa, prossegue a médica, essas máscaras são utilizadas em situações que possibilita a transmissão aerossol. "São recomendadas para aquelas pessoas que precisam ficar em ambientes fechados ou onde as pessoas falam bastante, como a redação do jornal, por exemplo. Uma situação que sem dúvida a N95 ajuda é no caso de uma viagem de avião, onde a pessoa fica no ambiente fechado por mais horas", explica.

Sobre a reutilização de máscaras N95 e PFF2, Raquel alerta para alguns cuidados importantes. É preciso observar se o equipamento está sujo ou ficou úmido na parte interna. Se for o caso, é preciso fazer o descarte. A infectologista fez ainda um alerta sobre as máscaras de acrílico e com válvulas. "As máscaras com válvulas não são úteis porque quem a utiliza está eliminando o vírus para o ambiente, se ela estiver contaminada. As de acrílico não aderem bem ao rosto, deixando fendas que fazem com que o produto não tenha capacidade de funcionar como barreira", indica.

Por fim, Raquel fez um alerta sobre a necessidade de utilizar o equipamento mesmo após tomar a vacina. "É importantíssimo que todos saibam que mesmo após tomar as duas doses da vacina, é preciso continuar utilizando máscara porque infelizmente ainda há muita circulação do vírus", adverte.

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