Publicado 30 de Abril de 2021 - 21h20

Por AFP

Dois espanhóis, um irlandês e um burquinense estão desaparecidos e três outras pessoas ficaram feridas em um ataque nesta segunda-feira (26) no leste de Burkina Faso contra uma patrulha anticaça predatória acompanhada por instrutores e jornalistas ocidentais, segundo fontes locais e de segurança.

A patrulha, composta por soldados, guardas florestais, instrutores e jornalistas ocidentais, "foi alvo de um ataque na área de Fada N"Gourma-Pama", relatou um alto funcionário local, que especificou que "o balanço provisório é de três feridos e quatro desaparecidos".

O ataque foi confirmado por fontes de segurança, uma das quais afirma que os desaparecidos ocidentais "são dois espanhóis e um irlandês, todos jornalistas-instrutores que trabalham para uma ONG de proteção ambiental".

"Segundo os sobreviventes, dois deles (expatriados) ficaram feridos durante o ataque. Continuam as buscas" pelos quatro desaparecidos, acrescentou a fonte.

Outra fonte de segurança afirmou que os espanhóis foram encontrados, uma informação negada pelo cônsul da Espanha, que afirmou à AFP que não teve notícias dos compatriotas.

O ataque foi obra de homens armados que viajavam em duas vans e uma dezena de motocicletas, segundo fontes de segurança, que especificaram que os agressores usavam armas e possuíam dois caminhões e um drone.

Nos últimos anos, ocorreram vários sequestros de estrangeiros em Burkina Faso.

Um casal australiano foi sequestrado em Djibo, na fronteira com o Mali e o Níger, na noite de 15 de janeiro de 2016, durante uma ação aparentemente coordenada com atentados em Uagadugu.

Naquela noite, os jihadistas abriram fogo em cafés, restaurantes e hotéis na avenida Kwame-Nkrumah, o centro da vida noturna da capital, com um saldo de 30 mortos e 71 feridos.

Os sequestradores entregaram a mulher, Jocelyn Elliot, às autoridades nigerianas cerca de um mês depois. O homem ainda está desaparecido.

Em dezembro de 2018, um casal ítalo-canadense desapareceu na estrada entre Bobo-Dioulasso e Uagadugu. Ela foi libertada no vizinho Mali, depois de mais de um ano em cativeiro.

Desde 2015, os ataques jihadistas são cada vez mais frequentes em Burkina Faso. Nesse período, eles causaram mais de 1.200 mortes e deixaram mais de um milhão de desabrigados.

A princípio, os atentados atribuídos a grupos como o Estado Islâmico do Grande Saara e o Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos se concentravam no norte do país, no fronteira com o Mali.

Mas com o tempo eles se espalharam para a capital e outras regiões, principalmente para o leste e noroeste.

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