Publicado 30 de Abril de 2021 - 20h14

Por AFP

Nos campos de soja do Brasil, máquinas a todo vapor completam uma colheita anual que promete ser excepcional graças ao aumento da área plantada, clima favorável e maior produtividade.

A safra do maior produtor e exportador mundial de oleaginosas deve aumentar 8,6% este ano em relação ao ano passado, que já foi recorde, alcançando 135,5 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A superfície plantada com soja no Brasil cresceu 4,1%, atingindo 38,5 milhões de hectares.

Essa expansão só foi possível "utilizando áreas de pastagens degradadas", que não são mais adequadas para a pecuária, explica à AFP Daniel Furlan Amaral, economista da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

Além disso, "na divisa com o Uruguai, muitos produtores de arroz, que depois da safra ficavam dois anos sem plantar, agora fazem rotação com soja", segundo Décio Teixeira, presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) do estado do Rio Grande do Sul, um dos principais fornecedores nacionais de oleaginosas.

Isso é possível graças às "variedades que resistem mais a certa umidade", indica.

As lavouras costumavam se concentrar no sul do Brasil, mas desde o final da década de 1970 se espalharam para o centro-oeste, especialmente no Cerrado.

De acordo com estudo da empresa Agrosatélite, encomendado pela Abiove, a superfície ocupada por grãos oleaginosos neste bioma dobrou entre 2001 e 2019, atingindo 18,2 milhões de hectares.

Na Amazônia, mais protegida pelo código florestal, a exploração passou de 1,1 milhão de hectares em 2007 para 5 milhões em 2018, ganhando espaço principalmente em pastagens antigas.

A safra brasileira de soja também deve aumentar sua produtividade em 4,3% em relação à safra anterior e atingir um rendimento médio de 3.523 kg por hectare.

As primeiras previsões não eram promissoras, devido à estiagem em várias regiões que obrigou o adiamento da semeadura, mas as condições climáticas se equilibraram durante o ciclo vegetativo e acabaram favorecendo a cultura.

Os ganhos de produtividade podem ser explicados, principalmente, pelo "maior uso de tecnologias no campo", ressalta Luiz Fernando Gutierrez, analista da Safras e Mercado.

As entregas de fertilizantes também "subiram 10% somente em 2020", destaca o consultor técnico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Fábio Carneiro.

A soja transgênica já ocupa quase todas as áreas destinadas ao cultivo dessa oleaginosa. Algumas variedades têm produtividade que ultrapassa os 5.000 kg por hectare e "têm sido cada vez mais frequentes no campo", aponta Carneiro.

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