Publicado 30 de Abril de 2021 - 17h30

Por AFP

A União Europeia (UE) iniciou uma ação judicial contra o laboratório sueco-britânico AstraZeneca por violação de seus compromissos de entrega de vacinas anticovid, anunciou nesta segunda-feira (26) a Comissão Europeia.

"Os termos do contrato não foram respeitados e a empresa não está em condições de aplicar uma estratégia confiável para garantir as entregas no prazo fixado", disse um porta-voz do Executivo europeu.

O grupo farmacêutico reagiu, considerando que a ação judicial é "infundada" e garantindo que se defenderia "com firmeza".

A AstraZeneca assegurou que "respeitou totalmente" seu contrato com Bruxelas e disse que espera ter "a oportunidade de resolver esta disputa o mais rápido possível", segundo um comunicado.

A ação judicial foi lançada na sexta-feira em nome da UE e dos seus 27 Estados-membros, "que concordam de forma unânime" com a decisão, acrescentou o porta-voz da comunidade, sem dar detalhes sobre o processo.

A AstraZeneca entregou no primeiro trimestre 30 milhões das 120 milhões de doses acordadas com a UE. Neste segundo trimestre, espera entregar 70 milhões das 180 milhões doses inicialmente planejadas.

O acordo da UE com a AstraZeneca é um contrato de direito belga, no qual o laboratório, a Comissão e os países do bloco se comprometem a resolver eventuais litígios "perante a jurisdição exclusiva dos tribunais estabelecidos em Bruxelas".

"O que é importante para nós neste caso é garantir a entrega rápida de um número suficiente de doses a que os cidadãos europeus têm direito e que nos foram prometidas com base no contrato", afirmou o porta-voz europeu.

Numa eventual ação cível, que duraria vários meses, os europeus poderiam pedir "a rescisão do contrato por incumprimento, com indenização, ou o cumprimento [das entregas], o que é improvável", avaliou na semana passada o advogado belga Arnaud Jansen, que estudou o contrato.

A maioria dos países da UE limitou o uso da vacina AstraZeneca devido aos casos de coágulos sanguíneos que o imunizante pode causar. A Dinamarca não a usa mais.

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