Publicado 30 de Abril de 2021 - 17h20

Por AFP

A Índia, onde as pessoas morrem por falta de oxigênio em hospitais lotados, enfrenta uma situação crítica por uma pandemia que nesta segunda-feira (26) começa a deixar a Europa respirar, com a volta às aulas na França e a suspensão parcial das restrições na Itália.

Em todo o mundo, onde mais de 1 bilhão de doses já foram aplicadas, as campanhas de vacinação tentam frear a pandemia de covid-19, mas sua lentidão soma-se à propagação rápida do vírus e à aparição de variantes responsáveis por surtos mais contagiosos.

Em poucos dias, a variante indiana mergulhou o gigante asiático de 1,3 bilhão de habitantes no caos e obrigou vários países a anunciarem ajudas de emergência. A Índia registrou no domingo um recorde mundial com quase 350.000 casos em um só dia.

Em Nova Délhi, testemunhas descrevem corredores de hospital lotados de macas, e os familiares exigem, em vão, oxigênio ou a internação de seus parentes infectados. Alguns morrem na porta do hospital.

"Nunca vi algo tão horrível", disse à AFP Irfan Salmani, que recorreu aos hospitais da capital indiana nos últimos dias em busca de oxigênio para sua irmã. "Tentei sem parar", afirma.

Com mais de 195.000 mortes, a Índia é o quarto país em número de mortos, atrás dos Estados Unidos (572.200), Brasil (390.797) e México (214.947). No total, mais de 3,1 milhões de pessoas perderam a vida no mundo desde dezembro de 2019.

Para ajudar a ex-colônia britânica, os Estados Unidos anunciaram no domingo o envio "imediato" de material para a fabricação de vacinas e outros equipamentos médicos, como respiradores, assim como fez o Reino Unido.

A União Europeia (UE), onde a detecção da variante indiana preocupa vários países, prometeu uma "assistência" à Índia. Inclusive o Paquistão, seu rival histórico, ofereceu equipamentos médicos.

Diante de uma opinião pública cada vez mais relutante com as medidas que restringem sua liberdade de movimentos e atividades, alguns governos optam por flexibilizar as regras com cautela, no momento em que a situação sanitária mostra alguma melhora.

A Itália reabriu nesta segunda-feira as áreas externas de bares e restaurantes, assim como as salas de espetáculos, apesar do toque de recolher noturno a partir das 22h00 continuar em vigor.

"Finalmente!", afirmou Daniele Vespa, garçom de 26 anos do restaurante Baccano, perto da turística Fontana di Trevi de Roma, quase vazia no último ano, resumindo o sentimento de um dos setores mais afetados.

"É o começo do retorno à normalidade, tomara que também acabem com o toque de recolher", acrescentou com tom otimista. Cinemas, teatros e salas de concerto poderão receber público até 50% de sua capacidade.

O primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, reconheceu que está assumindo um "risco calculado", enquanto o país continua registrando a média de mais de 300 mortes diárias, embora os contágios e as hospitalizações tenham diminuído.

A terceira maior economia da União Europeia perdeu quase um milhão de empregos e registrou uma queda de seu PIB de 8,9% em 2020. Draghi apresenta nesta segunda-feira ao Parlamento os detalhes de seu plano de recuperação financiado pela UE.

Na França, onde o vírus continua circulando ativamente com um número de pessoas na UTI maior que o da segunda onda, as crianças da educação infantil e ensino fundamental voltaram às aulas após três semanas de fechamento das escolas.

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