Publicado 30 de Abril de 2021 - 17h10

Por AFP

A ex-governante birmanesa Aung San Suu Kyi, detida e incomunicável há quase três meses, com várias acusações apresentadas pela junta militar, ainda não conseguiu uma reunião com sua equipe de advogados, lamentou nesta segunda-feira um dos integrantes de sua equipe de defesa.

Aung San Suu Kyi, de 75 anos, teve uma audiência por videoconferência nesta segunda-feira com um tribunal da capital Naypyidaw.

Ela solicitou a possibilidade ter um encontro com sua equipe de defesa, mas a polícia não permitiu a reunião até o momento, alegando que trabalham em seu caso "passo a passo". A audiência foi adiada para 10 de maio, segundo o advogado Min Min Soe.

A vencedora do Nobel da Paz de 1991, magra, mas com aparente boa saúde, está muito irritada com a lentidão do processo, disse Min Min Soe.

Detida no dia 1º de fevereiro, durante o golpe de Estado, Aung San Suu Kyi não é vista em público desde então e está em prisão domiciliar na capital.

Ela recebeu seis acusações, uma delas por violação a uma lei de segredos de Estado, que data da era colonial.

Também é acusada de ter recebido mais de um milhão de dólares e 11 quilos de ouro em subornos, mas até o momento não foi acusada formalmente de "corrupção".

Se for considerada culpada, ela pode ser excluída da vida política e condenada a vários anos de prisão.

Aung San Suu Kyi "não tem acesso a informações nem à televisão. Não acredito que conheça a atual situação do país", afirmou Min Min Soe.

As manifestações diárias que exigem sua liberdade e o retorno da democracia continuam sendo reprimidos de maneira violenta pelas forças de segurança.

Mais de 750 pessoas morreram e quase 3.500 detidas desde o golpe de Estado, de acordo com a Associação de Ajuda aos Presos Políticos (AAPP).

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