Publicado 28 de Abril de 2021 - 13h23

Por Estadão Conteúdo

Eleito presidente pela maioria dos membros da CPI, Omar Aziz indicou Renan Calheiros como relator

Agência Senado

Eleito presidente pela maioria dos membros da CPI, Omar Aziz indicou Renan Calheiros como relator

Após ter sido indicado relator da CPI da Covid-19, que vai apurar a gestão e potencial omissão do governo Jair Bolsonaro no enfrentamento da pandemia do coronavírus, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) disparou críticas a ações do governo federal, a bolsonaristas e lavajatistas. "Nossa cruzada será contra a agenda da morte", afirmou Renan, ao pregar isenção e imparcialidade à frente do trabalho no colegiado e negar que a CPI será uma "inquisição". No entanto, falou que eventuais culpados devem "ser punidos imediatamente e emblematicamente".

Em uma ação movida pela deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP), Renan Calheiros chegou a ser impedido pela Justiça de assumir a relatoria da CPI, mas a decisão foi derrubada em 2ª instância.

"Não foi por acaso o flagelo divino que nos trouxe a esse quadro na pandemia. Há responsáveis, evidentemente; há culpados por ação, omissão, desídia ou incompetência; e eles, em se comprovando, serão responsabilizados. Essa será a resposta para nos conectarmos com o planeta. Os crimes contra a humanidade não prescrevem jamais e são transnacionais. Milosevic e Augusto Pinochet são exemplos da história. Façamos a nossa parte", disse o senador ao tomar posse na comissão.

Renan Calheiros criticou a nomeação de militares para comandar o Ministério da Saúde. "O que teria acontecido se tivéssemos enviado um infectologista para comandar nossas tropas? Provavelmente, um morticínio, porque guerras se enfrentam com especialistas, sejam elas guerras bélicas ou guerras sanitárias. A diretriz é clara: militar nos quartéis e médicos na saúde. Quando se inverte, a morte é certa, e foi isso que lamentavelmente parece ter acontecido. Temos que explicar como, por que isso ocorreu."

Crítico da Operação Lava Jato, pela qual foi denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro, Calheiros também aproveitou para maldizer os métodos da força-tarefa. "A CPI não é uma sigla de Comissão Parlamentar de Inquisição, é de Investigação. Não somos discípulos nem de Deltan Dallagnol, nem de Sérgio Moro. Não arquitetaremos teses sem provas ou powerpoints contra quem quer que seja. Não desenharemos o alvo para depois disparar a flecha. Não reeditaremos a República do Galeão", disparou. "Agindo com imparcialidade, a partir de decisões coletivas, sem comichões monocráticos, ninguém arguirá nenhum tipo de suspeição, no futuro, deste trabalho."

 

Composição da Comissão

Por 8 votos, a maioria dos membros da CPI da Covid escolheu o senador Omar Aziz (PSD-BA) como presidente do grupo. Ao assumir o posto, Aziz indicou imediatamente Renan Calheiros como relator, em uma derrota para o Palácio do Planalto. Pelo acordo firmado entre os partidos, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) ficou com a vice-presidência.

Em sua primeira manifestação, Aziz disse que a CPI não servirá como vingança nem para fazer política com mortos. "Não dá para discutir questões políticas em cima de quase 400 mil mortes. Não me permito isso porque perdi um irmão há 50 dias. Não haverá pré-julgamento da minha parte", disse, acrescentando que a CPI não irá proteger ninguém.

Os nomes definidos para presidir e relatar a CPI confirmam as dificuldades que o governo Jair Bolsonaro terá para influenciar os trabalhos. Sem maioria governista, aliados do Planalto lançaram a candidatura avulsa do senador Eduardo Girão (Podemos-CE), mas o parlamentar, que se diz "independente", obteve apenas três votos.

Foram mais de duas horas tentando barrar o acordo. Antes de a votação ser iniciada, senadores governistas apresentaram uma série de questionamentos, sem sucesso. Com o chamado "kit obstrução", parlamentares tentaram evitar a eleição do presidente, do vice e, sobretudo, a designação de Renan como relator, além de inviabilizar a participação de alguns dos integrantes. (Estadão Conteúdo)

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