Publicado 27 de Abril de 2021 - 13h11

Por Estadão Conteúdo

O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, defendeu a liberação de recursos extras para ajudar a saúde no combate à pandemia num cenário em que "estavam morrendo 4 mil brasileiros por dia, um desastre" e rechaçou críticas de que o governo flexibilizou seu compromisso com a agenda fiscal.

Em live promovida por alunos da Fundação Getulio Vargas (FGV), Sachsida disse que a estratégia para enfrentar a nova onda da pandemia de covid-19 "é a mesma" colocada em prática no ano passado, embora a situação fiscal mais delicada leve o governo a "medir com cuidado os recursos".

"Tirar gastos da meta mostra que não temos compromisso fiscal? Nada disso", disse Sachsida, em referência à aprovação do projeto de lei que tirou despesas com saúde e programas de manutenção de empregos e de crédito a micro e pequenas empresas da contabilidade da meta fiscal, que permite rombo de R$ 247,1 bilhões. Sem a flexibilização, a equipe econômica corria o risco de estourar a meta devido aos novos gastos.

"Estavam morrendo 4 mil brasileiros por dia, um desastre. Como é que eu vou dizer 'não vou liberar dinheiro para vacina'? Eu não vou dizer isso, pode trocar (de cargo)", afirmou o secretário.

"É óbvio que o que chegar de pedido da saúde vamos liberar, não tem como ser diferente", completou Sachsida.

Apesar das declarações do secretário, o Estadão/Broadcast mostrou na semana passada que o Ministério da Saúde passou o chapéu atrás de verba extra para a compra de mais vacinas contra a covid-19, medicamentos de intubação e para o custeio de leitos, mas teve de reduzir os pedidos imediatos após questionamentos do Ministério da Economia.

A equipe de Paulo Guedes cobrou mais informações antes de liberar o crédito adicional e questiona até mesmo a chance de a pandemia de covid-19 arrefecer no País. A opção da pasta é a de repassar o dinheiro a conta-gotas, em parcelas menores, de acordo com a necessidade e a evolução da doença.

Na live, Sachsida ainda defendeu o relançamento de medidas para manter empregos e fornecer crédito às empresas. "Vários Estados adotaram distanciamento, vamos deixar empresas quebrar?", afirmou. Para o secretário, a crítica de que o governo abandonou o compromisso fiscal "não é justa", uma vez que a equipe econômica não poderia negar recursos para a vacina, considerada necessária para ajudar na retomada da atividade, apenas em nome da consolidação.

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