Publicado 23 de Abril de 2021 - 14h50

Por AFP

Tiveram modos de atuar distintos e diferenças substanciais, mas o mesmo destino e a mesma finalidade: aumentar a receita dos clubes mais poderosos.

Na América do Sul, várias tentativas de criar uma "Superliga" naufragaram assim como a iniciativa que agitou a Europa nesta semana.

A rebelião mais recente contra a entidade que comanda o futebol no continente, a Conmebol, ocorreu em janeiro de 2016.

Quinze equipes da Argentina, Chile, Paraguai, Peru, Uruguai e Equador, participantes da Copa Libertadores daquele ano, lançaram a Liga Sul-Americana de Clubes em busca de melhorias em prêmios e direitos televisivos.

A iniciativa também pretendia ter uma cadeira dentro do Comitê Executivo da Conmebol e exigia "mais transparência" na gestão dos recursos, num momento em que o mundo do futebol era abalado pelo escândalo do Fifa Gate.

Os brasileiros entraram depois, assim como colombianos, bolivianos e venezuelanos, em um total de quase 40 times da América do Sul.

Oficialmente os clubes não falavam em formar a sua própria competição e não fechavam as portas a equipes menores, como na abortada Superliga Europeia, embora nos bastidores se dissesse que procuravam se apropriar da organização dos torneios continentais.

"Nunca quisemos competir com a Conmebol pela capacidade de organizar torneios. Por isso digo que erramos com o nome da Liga Sul-Americana, era uma associação de clubes", explicou o então presidente do Boca Juniors, Daniel Angelici, líder da Liga, em entrevista à rádio uruguaia Sport 890.

A iniciativa se diluiu em meio a disputas políticas dos clubes, desistências de times e aumentos substanciais de prêmios em torneios da Conmebol.

Tal como acontece hoje com o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, Angelici ficou sozinho.

Em julho de 2020, em meio à grave crise econômica gerada pela pandemia de covid-19, os clubes mais bem-sucedidos da Colômbia -Atlético Nacional, Millonarios e América- lideraram um grupo de 16 times -alguns da segunda divisão- que propôs a criação de uma nova liga no país.

Os promotores da chamada "Nova Liga" basearam sua ideia em "um ato de reforma" das instituições do futebol, com maior controle dos grandes clubes, especialmente na distribuição dos direitos de transmissão pela TV, que na Colômbia é igualitária.

Inspiradas pela Premier League (o Campeonato Inglês), essas 16 equipes queriam convidar mais quatro para formar um torneio de vinte participantes, como é disputado atualmente, segundo a imprensa local.

Adversários da iniciativa, como o tradicional Independiente Santa Fe, ficariam de fora da iniciativa, que buscava o apoio da Federação Colombiana de Futebol.

"O futebol colombiano deve ser modernizado, deve ser reformado, estar no mesmo nível dos (...) países desenvolvidos que promoveram o futebol como um dos espetáculos mais importantes", disse o presidente da Millonarios, Enrique Camacho, ao jornal El Tiempo.

A sedição não durou uma semana. Os promotores do projeto recuaram, embora a ideia de uma mudança radical permaneça.

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