Publicado 20 de Abril de 2021 - 22h30

Por AFP

O Paraguai informou nesta terça-feira (20) estar aberto a comprar vacinas anticovid da China, mas advertiu que não aceitará "nenhum tipo de chantagem" nem "condicionamento em relação a nossas relações diplomáticas", em alusão aos laços do país com Taiwan.

"Não temos problemas de comprar de onde for. Agora, não vamos aceitar nenhum tipo de chantagem para a compra de vacinas, mas pedimos e estamos abertos a ter tratamento direto com as fábricas na China, sem nenhum tipo de condicionamento com relação às nossas relações diplomáticas", informou o presidente Mario Abdo Benitez em coletiva de imprensa.

Há duas semanas, Taiwan acusou Pequim de tentar atrair o Paraguai para que mude seu reconhecimento diplomático sobre a ilha em troca de vacinas contra o coronavírus.

O Paraguai é um dos 15 países e o único da América do Sul que reconhece o governo de Taipé e seu relacionamento com a China é canalizado através do setor privado.

Negociadores da Câmara de Comércio Paraguai-China culparam o governo pela estagnação, em março passado, dos diálogos para a aquisição da vacina do laboratório chinês Sinovac.

Essa entidade empresarial pediu a Abdo para aceitar manter relações diplomáticas com Pequim para facilitar a compra do fármaco.

O presidente desmentiu versões publicadas na imprensa que atribuem o fracasso das negociações para a aquisição das vacinas à influência de Taiwan.

O Paraguai, o país do continente mais atrasado nas vacinações, adquiriu até agora 183.000 doses, a maioria em caráter de doação, 20.000 das quais são da Sinovac, doadas pelo Chile.

A imunização no Paraguai está limitada até agora a pessoal médico e paramédico de terapia intensiva, bem como aos maiores de 85 anos.

O país acumula mais de 252.000 contágios e os mortos chegam a 5.384, segundo dados desta terça-feira.

Os hospitais do país estão colapsados devido ao aumento dos contágios e os sindicatos médicos fazem apelos pela TV para evitar as aglomerações como forma única de deter a propagação do vírus.

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