Publicado 20 de Abril de 2021 - 21h10

Por AFP

Seu nome é entoado por manifestantes em todo o mundo e seu rosto está em murais por todo o país: desde a sua morte, George Floyd encarnou, mais do que ninguém, as vítimas da brutalidade policial e do racismo nos Estados Unidos.

"Papai mudou o mundo": com essas palavras, sua filha de 6 anos, Gianna Floyd, resumiu o paradoxo de um fim trágico, que gerou um acerto de contas moral com os supremacistas brancos para além das fronteiras norte-americanas.

Em 25 de maio de 2020, em Minneapolis, esse homem negro de 46 anos morreu sufocado sob o joelho do policial branco Derek Chauvin, que foi declarado culpado de assassinato em segundo e terceiro graus e homicídio culposo após três semanas de um julgamento que acabou de terminar nessa mesma cidade do estado de Minnesota, norte dos EUA.

Corpulento, com mais de 1,90m, Floyd era visto por seus familiares como alguém a favor da paz, do esporte e do amor de Deus, apesar de seus problemas com a lei e seus vícios. Sua mãe, por quem ele clamou enquanto estava morrendo, mudou-se para Houston logo depois que ele nasceu em 1973, na Carolina do Norte. Ele cresceu em Third Ward, um bairro pobre e predominantemente negro do centro de Houston.

"Não tínhamos muito, mas sempre tivemos um ao outro", contou sua prima Shareeduh Tate. Na escola de ensino médio Jake Yates, ele fazia o papel de irmão mais velho de muitos meninos da área. "Ele nos ensinou a ser homens", disse seu irmão mais novo, Philonise Floyd.

Brilhava no futebol americano e no basquete, esporte que escolheria na faculdade. "Na quadra, ele era um monstro, mas na vida, quando falava com as pessoas, era um gigante gentil", afirmou Philonise.

Durante o julgamento, Courteney Ross, sua parceira por três anos até a sua morte, relatou, em meio a lágrimas, como ele a havia conquistado com "sua voz profunda e rouca". Também confidenciou sobre o lado obscuro do relacionamento: seus vícios. "É uma história clássica de pessoas que se tornam dependentes de opiáceos porque sofrem de dores crônicas. No meu caso, no pescoço, e no dele, nas costas", explicou.

Durante todo o julgamento, a família Floyd se mostrou unida. Todos os dias, ao longo do processo, um membro da família esteve presente no tribunal.

Floyd não concluiu seus estudos universitários e acabou retornando a Houston para sustentar a família. Na década de 1990, lançou-se no circuito de hip-hop local com o nome de "Big Floyd", onde obteve certo sucesso.

Mas ele não escapou da violência que devastava Houston naquela época. Teve várias condenações por roubo, tráfico e uso de drogas, o que o levou à prisão no fim dos anos 2000. Depois de quatro anos preso, ele se voltou para Deus, com a ajuda de um pastor de igreja que se estabeleceu em seu bairro.

Sem conseguir encontrar um emprego estável, Floyd foi para Minnesota em 2014, a fim de "mudar de cenário", segundo seu irmão, e para ajudar financeiramente a mãe de Gianna, sua terceira filha, que acabara de nascer.

Ele trabalhou, então, para o Exército da Salvação, como motorista de caminhão. Depois, tornou-se segurança em um bar, até perder o emprego quando Minnesota fechou seus restaurantes devido à pandemia.

"Tenho meus defeitos e minhas fraquezas, não sou melhor do que ninguém", reconheceu George Floyd em uma publicação de 2017 no Instagram, pedindo o fim da violência com armas de fogo.

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