Publicado 20 de Abril de 2021 - 20h20

Por AFP

O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, convidou nesta terça-feira (20) o colega russo, Vladimir Putin, a se reunirem na zona em conflito no leste da Ucrânia para diminuir as hostilidades entre os dois países.

"Senhor Putin! Estou preparado (...) para lhe propor que nos reunamos em qualquer lugar do Donbass ucraniano onde a guerra continua", disse Zelenski em discurso à nação.

"O presidente russo disse um dia: "Se uma briga é inevitável, devo atacar primeiro". Mas na minha opinião, cada líder deve entender que uma briga não pode ser inevitável quando se trata [...] de una verdadeira guerra e de milhões de vidas" em jogo, acrescentou.

Zelenski também destacou que não é "tarde demais" para evitar perdas humanas.

"A Ucrânia quer uma guerra? Não. E está preparada para ela? Sim [...] Não temos medo, já que temos um exército incrível", afirmou o chefe de Estado ucraniano.

"No destruiremos as outras terras e povos. Mas isto não significa que permitamos que nos destruam", acrescentou.

Após uma trégua respeitada durante o segundo semestre de 2020, as hostilidades entre o exército ucraniano e as forças separatistas do Donbass - que têm o apoio econômico e militar da Rússia - recomeçaram no início deste ano.

Zelensky já havia dito em várias ocasiões que propunha se reunir com Putin desde o final de março, mas o Kremlin informou que não havia recebido tal pedido.

Kiev também solicitou na última sexta-feira a realização de uma cúpula entre Ucrânia, Rússia, França e Alemanha.

Ao mesmo tempo, acentuaram-se as tensões entre Kiev e Moscou, que deslocou dezenas de milhares de soldados perto da fronteira com a Ucrânia, o que gerou o temor de uma eventual operação militar russa.

De acordo com a União Europeia, a OTAN e Washington, trata-se de um destacamento militar "sem precedentes", no qual estão envolvidos até 100.000 soldados russos, alertaram as autoridades europeias.

Os civis que vivem perto da linha de frente não escondem o medo de uma retomada massiva dos combates e muitos deles estão deixando a área.

"Esta manhã houve novamente tiros muito intensos", lamentou Iulia Ievtchenko em declarações à AFP. Esta mãe de quatro filhos mora na pequena cidade de Krasnogorivka, protegida pelo exército ucraniano, e seu apartamento fica em um prédio bastante danificado pelos bombardeios.

"Houve uma trégua, mas agora estamos em guerra de novo", explicou esta mulher de 27 anos, que carregava no colo um de seus filhos, de um ano e meio.

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