Publicado 20 de Abril de 2021 - 18h00

Por AFP

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) reconheceu nesta terça-feira (20) que os coágulos sanguíneos devem ser considerados como efeitos colaterais "muito raros" da vacina contra a covid-19 da Johnson & Johnson, cujos benefícios ainda são maiores do que os riscos.

A decisão do órgão regulador europeu ocorre poucos dias antes de as autoridades de saúde dos Estados Unidos se pronunciarem sobre o imunizante da Johnson & Johnson, em um momento em que a vacinação se estende a toda a população do país.

A EMA, com sede em Amsterdã, reconheceu "um possível vínculo" entre a vacina deste laboratório americano e casos de coágulos sanguíneos, que devem ser incluídos como "efeitos colaterais muito raros" do produto.

O órgão concluiu "que uma advertência sobre coágulos sanguíneos raros com plaquetas sanguíneas baixas deve ser adicionada às informações do produto".

É uma decisão importante, já que vários países europeus contam com esta vacina para acelerar sua campanha de imunização.

Nos Estados Unidos, a vacina da Johnson & Johnson deve receber uma nova autorização, talvez acompanhada de "restrições", segundo o consultor médico da Casa Branca, Anthony Fauci, segundo quem um anúncio a respeito será feito na sexta-feira.

As autoridades de saúde dos Estados Unidos recomendaram na semana passada uma "pausa" no uso do imunizante da Johnson & Johnson após a detecção de casos graves de coágulos sanguíneos em várias pessoas.

Esta vacina teve um novo contratempo nos EUA, onde as autoridades reguladoras ordenaram na segunda-feira a suspensão da produção em uma fábrica, onde 15 milhões de doses foram danificadas.

Em um momento em que a campanha de vacinação concentra os esforços das autoridades ocidentais, alguns governos europeus também estão reduzindo as restrições.

Após a reabertura de Portugal ou na Suíça na segunda-feira, a Holanda anunciou nesta terça-feira que suspenderá o toque de recolher noturno e reabrirá os terraços dos bares a partir de 28 de abril.

A Índia enfrenta um aumento grave dos contágios, com os hospitais em ponto crítico. O governo impôs novamente as restrições, incluindo um confinamento de uma semana na capital Nova Délhi, onde vivem 20 milhões de pessoas.

O cemitério de Jadid Qabristan Ahle, na capital indiana, recebeu onze corpos em três horas, constatou a AFP. No fim do dia, 20 pessoas foram enterradas. "Neste ritmo, dentro de três ou quatro dias não haverá mais espaço", comenta Mohamed Shamim, coveiro de 38 anos.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, pediu a seus cidadãos que façam um esforço maior para conter o vírus em um país que "mais uma vez enfrenta uma grande batalha".

O gigantesco país de 1,3 bilhão de habitantes tomou a decisão na segunda-feira de "permitir que todas as pessoas maiores de 18 anos se vacinem a partir de 1º de maio", segundo o ministério da Saúde.

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